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Mesmo tendo viajado à Recife sem comunicar as autoridades responsáveis pela identificação dos corpos das vítimas do vôo 447 da Air France, dois parentes de vítimas criticaram a “falta de informações e tratamento inadequado” por parte das Polícias Federal e Civil (de Pernambuco) e das forças armadas.
Marteen Vans Luys, irmão da jornalista Adriana Vans Luys e Nelso Maria Farinho, pai do engenheiro Nelso Marinho, chegara em Recife na madrugada de ontem (6ª) e exigiram ver os corpos que estão sendo identificados no Instituto de Medicina Legal de Pernambuco.
Irritados por não terem sido atendidos, aproveitaram para criticar a falta de apoio do governo brasileiro e o fato das forças armadas terem anunciado um prazo possível para o fim das buscas aos corpos.
Nelson Marinho: “Estou me sentindo constrangido. Não temos informações. Eu tenho o direito de ver os corpos. Quero ver se meu filho esta lá. Este é um direito constitucional. Além disso, o comando da Aeronáutica já está falando em data para encerrar as buscas. O comando da Aeronáutica não está sentindo na pele o que eu estou sentindo. Estou indignado com esse limite que a princípio foi proposto”.
Já Marteen gostaria de ser atendido “pela autoridade máxima que coordena o trabalho de identificação.”
“Tive notícias de que poderiam ser reconhecidos através de pertences pessoais ou até mesmo por identificação visual. Mas não nos deixam ter acesso aos corpos”, completou.
Os dois foram recebidos meia hora depois por uma comissão formada pelo Secretário Executivo de Defesa Social, Cláudio Lima; pelo superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Paulo de Tarso e pelo diretor de Polícia Cientifica, Francisco Sarmento, se desculparam por não tê-los recebido de imediato, porém enfatizaram a necessidade da comunicação prévia para que possa ser montada uma logística para o atendimento às famílias.
“Se houvesse sido feita a comunicação, providenciaríamos toda a estrutura necessária para o recebimento dos familiares. O importante é que já conversamos com eles e explicamos o que aconteceu”, afirmou a assessoria de imprensa da SDS.
Mesmo com a insistência, a dupla não pode verificar os corpos. A assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que a situação dos cadáveres, irreconhecíveis em função do avançado estado de decomposição e da ação de animais marinhos e o fato de um eventual reconhecimento não ter efeito legal, pela situação em que os corpos se encontram, foram os principais fatores para a proibição.
Pesou também a dificuldade de montar uma logística adequada, caso todos as 228 famílias quisessem fazer a visualização dos corpos.
A PF informou ainda que a entrega ou apresentação de objetos pessoais encontrados com as vítimas também não poderá ser feita.
“Estes pertences estão catalogados e depositados em recipientes lacrados. Estas peças poderão fazer parte das investigações, portanto são provas materiais, que não podem ser manuseadas, sob o risco de serem contaminadas”, afirmou a assessoria.
Além disso, a PF faz um apelo aos demais parentes das vítimas: “Neste momento, a presença de familiares não irá auxiliar no processo de identificação. Por isso, as famílias não precisam vir ao Recife, pelo menos não agora”, afirmou a assessoria.
ATUALIZAÇÃO (19:00h)
Os 16 corpos em processo de identificação em Recife (PE) estão irreconhecíveis, em adiantado estado de decomposição e apresentam sinais de fraturas e ataques de animais marinhos. Entretanto, nenhum deles foi carbonizado ou está chamuscado, o que indica não ter havido explosão.
O diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso, informou que as buscas podem ser prorrogadas até o dia 25, e não serem encerradas no dia 19 -conforme previsão anterior.

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