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A Batalha de Riachuelo, da qual saiu vitoriosa a esquadra brasileira em 11 de junho de 1865, é considerada fundamental para a vitória dos países da Tríplice Aliança – Brasil, Uruguai e Argentina – na Guerra do Paraguai (1864-1870).

O episódio foi lembrado em sessão do Congresso nesta terça-feira (9). O dia da vitória passou a ser considerado como Data Magna da Marinha.
O senador José Nery (PSol-PA) defendeu o fortalecimento da Marinha para a defesa da pátria, da soberania e para a guarda das instituições nacionais. De acordo com o senador, é necessário dotar as Forças Armadas de condições necessárias à manutenção da integridade do território brasileiro.
Ao defender as Forças Armanas, Nery condenou o desmantelamento do Estado brasileiro, promovido, segundo disse, por governos neoliberais.
Para o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), a Batalha de Riachuelo representa um das datas mais importantes da história do Brasil. Nesse dia, observou ele, foi dado passo decisivo para garantir a integridade do país e impedir que a ditadura de Solano Lopes chegasse a outros pontos da Bacia do Rio da Prata. A estratégia do ditador paraguaio, de acordo com Zambiasi, era destruir a Marinha brasileira, força que tinha o controle dos rios da região. Por isso, frisou, foi decisiva a vitória na batalha em que Solano Lopes juntou todas as forças contra a esquadra brasileira.
Zambiasi ressaltou, contudo, que hoje Brasil e Paraguai já superaram as divergências históricas e caminham em busca de cooperação e desenvolvimento social.
– Decorridos mais de um século, nenhum de nós quer explorar nem reviver o clima de discórdia e beligerância entre nações amigas, principalmente nesse momento em que os países lutam juntos pela integração econômica e social por meio do Mercosul – afirmou ele.
Os 144 anos da Batalha de Riachuelo também foram lembrados pelo senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB). Ele disse considerar que, naquele episódio, “o gênio brasileiro se mostrou na maneira como venceu, ao fazer o inesperado, destruindo os navios inimigos. Ele ressaltou o papel do almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, “pelo comando seguro da operação”.
– Aquele 11 de junho de 1865 foi muito importante porque ali, nas barrancas do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, localizado em território argentino, o Brasil deu um passo significativo para mudar os destinos da guerra. Se o Paraguai vencesse, teria o acesso ao mar e, assim, teria como assegurar armas e suprimentos e quaisquer meios necessários para continuar avançando em seu intento de conquista – explicou o senador.
Ao parabenizar a Marinha brasileira, o senador Mão Santa (PMDB-PI) cobrou do governo de Luiz Inácio Lula da Silva mais atenção às Forças Armadas.
Orçamento
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) disse que a maior homenagem que os parlamentares podem prestar aos heróis da Batalha do Riachuelo é votar os projetos que ajudam a reduzir as dificuldades enfrentadas pelas Forças Armadas.
Crivella lembrou duas propostas de emenda à Constituição (PECs), a primeira estabelecendo que o orçamento anual das Forças Armadas seja igual a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior e uma segunda vedando o contingenciamento desses recursos pelo prazo de 10 anos.
O senador lamentou que o orçamento das Forças Armadas tivesse sofrido um corte de 35% em função da crise econômica, total maior do que o dos demais ministérios. Ele lembrou que a indústria bélica tem potencial para se transformar em ciência do conhecimento. Por esse motivo, ressaltou, problemas de orçamento não devem inviabilizar tarefa tão importante para o futuro do Brasil.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que patriotismo, bravura e competência marcaram a Batalha do Riachuelo e definiram a vitória brasileira. Nos dias de hoje, porém, é fundamental que se dissemine essa identidade e esse orgulho dos fatos passados entre todos os brasileiros, disse.
Cristovam lamentou que haja, atualmente, 14 milhões de analfabetos adultos no Brasil, que não sabem reconhecer a bandeira, porque não podem ler o lema “Ordem e Progresso”. Para ele, um povo sem acesso à educação não poderá manter firme sua soberania. No mesmo sentido, frisou, não será possível formar Forças Armadas atuantes, com 30 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, gente que lê, mas não compreende o que lê.
Durante a sessão, os parlamentares cumprimentaram a Marinha e a Força Aérea Nacional pelo trabalho de resgate das vítimas do vôo 447 da Air France, que caiu no último dia 31 com 228 pessoas a bordo.
A sessão contou com a presença do almirante de esquadra da Marinha Júlio Soares de Moura Neto; do chefe do Estado-Maior, general de Exército Dark Nunes de Figueiredo; do tenente brigadeiro-do-ar Juniti Saito, comandante da Aeronáutica; do almirante da Marinha Aurélio Ribeiro da Silva Filho, chefe do Estado-Maior da Armada; e do almirante da Marinha João Afonso Prado Maia de Faria, chefe do Estado-Maior de Defesa.
Denise Costa e Laura Fonseca / Agência Senado
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