Blindado da década de 1970 incorpora proteção contra drones; Exército inicia a aquisição de sete Centauro II-BR
O Exército Brasileiro avança na modernização de sua frota blindada com duas iniciativas estratégicas. Assim, a Força combina a atualização de veículos antigos com a aquisição de novos blindados.
Cascavel ganha proteção contra drones
De um lado, o Exército receberá os primeiros Cascavel modernizados com proteção antidrone. De outro, inicia a aquisição de sete novos Centauro II-BR.
A movimentação foi analisada pelo jornalista Marcelo Godoy, do Estado de S. Paulo, em reportagem publicada em 31 de agosto de 2026.
Segundo a análise de Godoy, os dois projetos reforçam o programa estratégico de forças blindadas do Exército. Além disso, eles respondem a novas ameaças observadas nos conflitos recentes.
A modernização do Cascavel, desenvolvido originalmente pela Engesa, atualiza uma plataforma antiga diante das exigências dos campos de batalha atuais.
Na última semana, a Akaer apresentou dois protótipos modernizados. Um deles já recebeu o sistema destinado a combater drones.
Além disso, o Exército retomou um programa que prevê a modernização inicial de sete viaturas. Esses veículos formarão um lote de experimentação doutrinária.
Consequentemente, os testes permitirão avaliar o desempenho dos novos equipamentos antes da expansão do programa.
Programa de modernização foi retomado
Segundo a empresa, cortes orçamentários haviam interrompido o projeto. Entretanto, a Akaer retomou os trabalhos após receber novos recursos.
Além disso, a empresa passou a utilizar a cadeia de fornecedores do grupo ao qual pertence.
O projeto prevê modernizar 89 Cascavéis. Atualmente, o Exército mantém cerca de 400 unidades do modelo em sua frota.
Portanto, a iniciativa pode representar uma atualização significativa de parte dos blindados de reconhecimento ainda utilizados pela Força.
Blindado incorpora novas tecnologias
Os dois primeiros Cascavéis já passaram pelos testes de pista. Agora, seguirão para avaliações de selva em um campo de provas do Exército.
Segundo o cronograma divulgado, os veículos devem ser entregues em novembro. Para isso, a modernização incorpora diversos sistemas.
Entre eles estão sensores ópticos inteligentes, automação do sistema de tiro, novo motor automatizado, câmeras e lentes de precisão.
Além desses recursos, o projeto integra o míssil anticarro MAX 1.2 AC, desenvolvido pela brasileira SIATT.

Dessa maneira, o Cascavel modernizado reunirá sensores, sistemas automatizados e armamento de maior capacidade.
Ao mesmo tempo, o sistema antidrone busca responder a uma ameaça que ganhou destaque na guerra da Ucrânia.
Naquele conflito, drones de pequeno porte passaram a atingir veículos blindados de alto valor. Por isso, os sistemas de proteção contra essas aeronaves ganharam importância.
Exército busca resposta à ameaça dos drones
A Akaer pretende equipar os sete primeiros Cascavéis com o sistema antidrone. Além disso, a empresa avalia oportunidades de exportação.
Nesse sentido, a companhia pretende oferecer o pacote de modernização a países que receberam Cascavéis produzidos pela antiga Engesa.
Entre os operadores estrangeiros citados pela empresa estão Angola, Haiti, Iraque e Kuwait.
Assim, a tecnologia desenvolvida para o Exército também pode abrir espaço para novos negócios no mercado internacional de defesa.
O movimento, porém, não envolve apenas a Akaer. A ARES também trabalha na modernização dos sistemas de armas dos blindados Guarani.
Além disso, a empresa planeja incorporar um kit antidrone ao sistema de armas remotamente controlado UT30BR2.
Consequentemente, diferentes projetos da Base Industrial de Defesa passam a buscar respostas para o avanço dos drones nos conflitos.
Centauro II-BR entra em nova fase

Paralelamente, o Exército avança na aquisição do Centauro II-BR. Em 31 de agosto, o Comando Logístico do Exército assinou o contrato para o primeiro lote.
O acordo envolve sete viaturas blindadas de combate sobre rodas 8×8. Além disso, o lote integra a fase de experimentação doutrinária do programa.
O Centauro II-BR utiliza um canhão de 120 milímetros. Por isso, o veículo ocupa uma posição de destaque entre os blindados de combate da América do Sul.
Ao todo, o Brasil contratou 98 unidades em um acordo avaliado em cerca de € 900 milhões.
As primeiras organizações militares destinadas a receber o novo lote incluem a 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada, em Campinas.
Além dela, o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Boa Vista, também receberá veículos do programa.
Roraima terá reforço na capacidade blindada
A chegada dos novos Centauros ganha importância especial para Roraima. Afinal, o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado está sediado em Boa Vista.
Com isso, a unidade deverá ampliar sua capacidade de mobilidade, proteção e poder de fogo na região Norte.
Além disso, o emprego do Centauro integra o processo de transformação das tropas mecanizadas brasileiras.
O novo lote deverá atingir a capacidade operacional até 2028. Posteriormente, os veículos se somarão às duas unidades já entregues pela Iveco.
Modernização combina equipamentos antigos e novos
O movimento revela, portanto, duas frentes complementares. Primeiro, o Exército moderniza plataformas antigas, como o Cascavel.
Ao mesmo tempo, a Força incorpora novos veículos de combate, como o Centauro II-BR.
Essa combinação permite preservar parte da frota existente. Além disso, amplia gradualmente as capacidades tecnológicas das tropas blindadas.
A análise de Marcelo Godoy, do Estado de S. Paulo, evidencia justamente essa transição.
Segundo o cenário apresentado pelo jornalista, o Exército procura adaptar seus blindados às novas ameaças. Paralelamente, mantém programas de renovação de maior alcance.
Nesse contexto, a experiência da guerra da Ucrânia influencia diretamente os projetos brasileiros. Sobretudo, o emprego intensivo de drones mudou a percepção sobre a vulnerabilidade dos blindados.
Por consequência, sistemas antidrone passaram a ocupar espaço crescente nos programas de modernização militar.
Ao mesmo tempo, a iniciativa fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira. Empresas nacionais participam do desenvolvimento e da integração de diferentes sistemas.
Assim, a modernização dos Cascavéis e a aquisição dos Centauros representam etapas distintas de uma mesma estratégia.
De forma geral, o Exército busca combinar poder de fogo, mobilidade, proteção e tecnologia para atualizar sua capacidade de combate.
Base Industrial de Defesa ganha espaço
Além da modernização dos blindados, os projetos ampliam a participação da indústria brasileira em soluções militares avançadas.
Nesse sentido, empresas como Akaer, SIATT e ARES participam de diferentes etapas dos programas.
Por um lado, a indústria fornece tecnologias para modernizar equipamentos existentes. Por outro, desenvolve soluções destinadas a novos sistemas de combate.
Consequentemente, os projetos podem gerar conhecimento tecnológico e ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento de equipamentos de defesa.
Fonte da análise
As informações desta reportagem têm como referência a análise e a reportagem de Marcelo Godoy, publicada pelo Estado de S. Paulo em 31 de agosto de 2026.
Confira a cobertura do Estado de S. Paulo sobre o Exército Brasileiro.
Leia também
- Exército Brasileiro e seus principais programas estratégicos
- Centauro II-BR e a modernização das tropas blindadas
- Guarani e os projetos da Força Terrestre
- Base Industrial de Defesa brasileira
Fonte: Marcelo Godoy / Estado de S. Paulo.
Respostas de 3
Não se usam remendos novos em panos velhos…
Gambiarra de 1ª linha. Projeto insustentavel. Tem que cobrar assinaturas de quem aprovar essa merda pra responder por dano ao erario no futuro! Espero que o TCU fiscalize! Chega dessas merdas com dinheiro publico!
Enquanto isso na competiçao Força Comandos 2026, o Brasil, ficou em ultimo lugar! Perdeu ate pro Haiti! Triste! 😢