Presidente ucraniano substitui o general Oleksandr Sirski por Mikhailo Drapati após protestos e críticas ao comando militar durante a guerra contra a Rússia.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, decidiu trocar o comando das Forças Armadas após uma onda de pressão popular. A mudança ocorreu na noite de 21 de julho.
Pressão popular acelera mudança
Zelenski anunciou a saída do general Oleksandr Sirski, que comandava as forças ucranianas desde fevereiro de 2024. Em seguida, nomeou o major-general Mikhailo Drapati para o posto.
A decisão ocorreu depois de protestos em Kiev e outras cidades. Manifestantes defenderam o retorno do ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov.
Fedorov deixou o governo em 14 de julho. O ex-ministro defendia uma ampla modernização militar, com maior emprego de tecnologias e drones.
Além disso, Fedorov acusou Sirski de pressionar Zelenski pela sua saída. O então comandante negou a acusação.
Mesmo assim, os protestos aumentaram a pressão sobre o presidente. Os manifestantes também associaram Sirski à chamada velha guarda militar.
Por isso, Zelenski acabou promovendo uma mudança no alto comando. Paralelamente, ofereceu a Fedorov um novo cargo de destaque no governo.
A proposta prevê a unificação do setor tecnológico ucraniano. Até o momento, porém, não havia confirmação pública sobre a aceitação do convite.
Sirski acumulava críticas durante a guerra
Sirski, de 60 anos, nasceu na Rússia e recebeu formação militar em Moscou durante a antiga União Soviética.
O general ganhou reconhecimento ao liderar a defesa de Kiev no início da invasão russa em 2022. Depois, também comandou operações importantes contra as forças de Moscou.
Zelenski destacou justamente esses resultados ao anunciar a saída do comandante. O presidente citou a defesa de Kiev, a contraofensiva de Kharkiv e a operação em Kursk.
Apesar disso, Sirski enfrentava críticas dentro da Ucrânia. Seus adversários questionavam sua estratégia e acusavam o general de aceitar elevadas baixas entre os soldados.
Por causa dessas críticas, parte da população passou a chamá-lo de “açougueiro”. O apelido refletia a percepção de que o comandante priorizava objetivos militares sobre perdas humanas.
A saída de Sirski também encerra um período marcado por disputas internas no comando militar ucraniano.
Fedorov comemora a troca
Fedorov recebeu positivamente a nomeação de Drapati. O ex-ministro classificou a mudança como uma nova esperança para a resistência ucraniana.
Além disso, afirmou que a escolha representava uma sinalização favorável à transformação das Forças Armadas.
A troca também ocorre em um momento de forte pressão sobre a Ucrânia. O país enfrenta uma guerra prolongada e busca ampliar sua capacidade tecnológica no campo de batalha.
Nesse contexto, drones e outros sistemas não tripulados ganharam importância crescente. Fedorov defendia justamente uma expansão acelerada dessas tecnologias.
A mudança no comando, portanto, pode indicar uma tentativa de Zelenski de reorganizar a estrutura militar. Ao mesmo tempo, o presidente procura responder às críticas da sociedade.
Drapati assume o comando militar
Mikhailo Drapati, de 43 anos, tornou-se o terceiro comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022.
O novo comandante é major-general e possui experiência em operações contra forças separatistas apoiadas por Moscou.
Drapati comandou anteriormente o Exército de Terra da Ucrânia. Além disso, participou dos combates no Donbass durante o conflito iniciado em 2014.
O militar ganhou notoriedade por um vídeo registrado em Mariupol. As imagens mostram um veículo blindado avançando contra um posto de controle separatista.
Após receber a nomeação, Drapati agradeceu a Zelenski em uma publicação nas redes sociais. Ele afirmou que servir à Ucrânia representa uma grande responsabilidade durante a guerra.
Zelenski tenta reorganizar a cúpula militar
A troca de Sirski ocorre, portanto, em meio a uma disputa sobre os rumos da guerra. De um lado, setores militares defendem continuidade operacional. De outro, grupos pressionam por modernização e mudanças estratégicas.
Analistas citados pela
Deutsche Welle avaliaram que Sirski não possuía a mesma popularidade política de seu antecessor, Valeri Zaluzhni.
Zaluzhni deixou o comando das Forças Armadas em 2024. Desde então, tornou-se uma figura política de grande projeção dentro e fora da Ucrânia.
Sirski, por sua vez, permaneceu mais distante da política. Ainda assim, acumulou críticas pela condução das operações e pelo número de baixas.
Agora, Drapati assume a missão de reorganizar o comando militar. Ao mesmo tempo, Zelenski tenta reduzir a pressão política provocada pelas recentes mudanças no governo.
Fonte: Deutsche Welle (DW).
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