Ex-tenente do Exército é condenado a 63 anos por mørtεs de três jovens no Rio

Vinicius Ghidetti de Moraes foi condenado a 63 anos de prisão pelas mortes de três jovens no Rio de Janeiro

Justiça Militar condenou Vinicius Ghidetti por três homicídios triplamente qualificados após considerar que ele entregou os jovens a traficantes de uma comunidade rival.

A Justiça Militar condenou o ex-tenente do Exército Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade a 63 anos de prisão pelas mortes de três jovens no Rio de Janeiro.

O Conselho Especial de Justiça da 2ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar decidiu o caso por unanimidade. A sentença foi proferida em agosto de 2026.

Ghidetti recebeu três condenações por homicídio triplamente qualificado. A decisão considerou motivo torpe, tortura e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Além disso, a Justiça determinou o início da pena em regime fechado. Entretanto, o ex-tenente poderá recorrer em liberdade.

O caso envolve as mortes de Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19 anos; David Wilson Florenço da Silva, 24; e Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17.

Jovens foram levados do Morro da Providência

Segundo a sentença, militares prenderam os três jovens durante uma operação no Morro da Providência, em junho de 2008.

Depois, os militares levaram os jovens para o Morro da Mineira. A comunidade era controlada por traficantes de uma facção rival.

Posteriormente, os criminosos receberam os três jovens. Eles foram torturados e mortos. O processo registrou 46 disparos de arma de fogo.

Documentos judiciais anteriores também descrevem a entrega dos jovens a traficantes armados.

A Justiça Federal da 2ª Região disponibiliza documentos relacionados ao processo.

A Câmara dos Deputados também registrou, em 2008, informações sobre a prisão dos jovens por militares.

Ex-tenente alegou desacato

Durante o processo, Ghidetti afirmou que os jovens haviam cometido desacato contra militares.

Por isso, ele levou os três para uma base do Exército. Entretanto, o capitão responsável pela companhia determinou a libertação dos jovens.

Segundo a sentença, o então tenente recebeu a ordem. Mesmo assim, não cumpriu a determinação conforme estabelecida.

Além disso, testemunhas relataram que os jovens continuaram sob custódia de Ghidetti quando o capitão voltou a encontrá-lo.

O próprio acusado admitiu que determinou ao motorista que prosseguisse com a viatura. O destino seria a região do Morro da Mineira.

Na versão apresentada pelo ex-tenente, ele pretendia apenas “dar um susto” nos jovens. Contudo, os julgadores rejeitaram essa justificativa.

Sentença aponta risco concreto de morte

Para os julgadores, Ghidetti conhecia a rivalidade entre os grupos criminosos da Providência e da Mineira.

Assim, a decisão concluiu que ele sabia do risco de violência contra os jovens. Mesmo diante desse risco, decidiu continuar o deslocamento.

A sentença também apontou outros fatores considerados decisivos. Entre eles estão a desobediência à ordem de soltura e informações falsas fornecidas ao superior.

Além disso, o militar teria mantido a condução dos jovens até uma área controlada por criminosos rivais.

Dessa forma, os julgadores entenderam que Ghidetti assumiu o risco de que as vítimas fossem torturadas e assassinadas.

Esse entendimento caracteriza o chamado dolo eventual, quando o agente prevê um possível resultado criminoso e aceita o risco de produzi-lo.

Provas sustentaram a condenação

A Justiça Militar considerou suficiente o conjunto de provas reunido durante a investigação e o processo.

Entre os elementos analisados estão exames cadavéricos, fotografias, depoimentos, documentos e interceptações telefônicas.

Os exames também ajudaram a comprovar a materialidade dos crimes. Segundo a sentença, os corpos apresentavam múltiplos disparos, amarras nos punhos e sinais de violência.

O processo, portanto, reuniu elementos sobre a execução dos jovens e sobre a participação do então tenente.

Para mais informações sobre processos envolvendo militares, consulte o Superior Tribunal Militar.

Caso começou durante operação no Morro da Providência

O episódio ocorreu durante a presença do Exército no Morro da Providência, em 2008.

Na época, militares participavam da segurança de trabalhadores envolvidos no projeto Cimento Social.

O caso provocou forte repercussão nacional. Além disso, entidades públicas cobraram investigação e responsabilização dos envolvidos.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou uma moção de solidariedade às famílias das três vítimas.

Confira o registro da Câmara dos Deputados sobre o caso.

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Recurso ainda é possível

O caso ainda admite recurso. Portanto, a condenação poderá ser submetida às instâncias superiores da Justiça Militar.

O processo também reforça o papel da Justiça Militar na análise de crimes atribuídos a integrantes das Forças Armadas.

Respostas de 9

  1. Isso já é uma cultura nacional, fazer justiça arbitrária, desde as blitz, o guarda da esquina, tribunais do crime, juízes e ministros legisladores, comunidades, etc. Foi como em 8 de Janeiro, um grande engano: _Entrem nos ônibus pois serão levados a um local seguro. Quem ordenou?

  2. O Exército abandonou a tropa aos leões.

    Lembro inclusive de um general (das antigas) falando da covardia que fizeram neste caso, para poder dar uma resposta à imprensa.

    Enquanto isso, as praças babonas querendo agradar o chefe. Atenção puxa-sacos, quando a corda arrebentar, vão deixar vocês sozinhos.

  3. É por isso que eu digo… Na atual conjuntura militar tem que ser safo… Qdo se olha para cima e não se vê nada… O que o pracinha tem que fazer? Nada… Simples assim… Não temos comandantes… Não temos segurança jurídica… Não temos líderes e por fim não temos salário digno e carreira… É só trabalhar como foi ensinado pelo jogador Vampeta quando jogava no flamengo: o Flamengo finge que me paga… E eu finjo que jogo futebol… Como o exército brasileiro… Melhor Exército do Brasil… Tem que ser assim… E vida que segue… Vai mostrar serviço… Pagar embuste… O final é esse aí…

  4. Tempo de inversão de valores temos que dançar conforme a música. Militares subalternos a qq ordem absurda tem que argumentar e se a ordem for confirmada, tem que literalmente cagar na diagonal. Oficiais não seguram nada. Pegou esse tipo de missão. Faça apenas figuração. Primeira Lei do soldado desenrolado: não piruaras

  5. Se esse tenente tivesse soltado essas ” vítimas da sociedade” hoje ele já seria major, felpudao, ganhando salário do topo do funcionalismo público, sem tirar serviço e sem fazer prn durante o expediente, só inventando merda o dia todo na função subcomandante em uma unidade rolha do EB. Era só fazer nada e hoje estaria fazendo nada, com salário top, desfrutando das benesses da Lei 13954. qdo sair da cadeia, vai ter que trabalhar de Uber ou entregador da Shoppe e Mercado Livre, que nem os pracinhas para não passar fome.

  6. Conselho ao mais novos: não façam nada além do que for mandado, não tenham iniciativa, não mostrem muito serviço, apenas paguem embuste. Comandantes militares vivem de ilusões, de mentiras, de embuste. E lembrem-se que a desgraça de uns, serve de exemplo para os demais. Um exemplo é a história desse tenente. Outro exemplo foi o dos kids pretos no governo Bolsonaro. No exército brasileiro quem se dá bem são os frouxos e os puxa sacos.

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