Lula defende submarino nuclear e diz que Brasil não pode ficar “de cabeça baixa”

Projeção digital do submarino Álvaro Alberto, a primeira embarcação do tipo com propensão nuclear da Marinha brasileira (Marinha/Divulgação)

Presidente afirma que submarino nuclear amplia a soberaia brasileira e fortalece a capacidade do país diante de um cenário geopolítico cada vez mais instável.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (19), a conclusão do submarino nuclear da Marinha. Segundo ele, o projeto representa uma questão estratégica para a soberania brasileira.

Lula promete recursos para o submarino

Durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), Lula prometeu garantir os recursos necessários para concluir o projeto. Além disso, afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de defesa.

A declaração ocorreu quase três meses após o governo bloquear R$ 4,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa. Mesmo assim, Lula afirmou que pretende assegurar os investimentos necessários ao programa.

“A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra, que o adversário às vezes nem escuta.”

Na sequência, o presidente defendeu uma estrutura militar capaz de ampliar o poder brasileiro de negociação internacional.

“A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não. Que a gente vai ter voz para poder dizer: vamos competir.”

Por isso, Lula afirmou que o Brasil precisa abandonar uma postura de submissão diante das demais potências.

“O que a gente não pode é ter um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira.”

Submarino reforça estratégia de soberania

Lula relacionou o submarino nuclear à estratégia brasileira de soberania. Além disso, afirmou que o projeto pode aumentar a capacidade do país de defender seus interesses no cenário internacional.

Segundo o presidente, o desenvolvimento do submarino também se relaciona à pretensão brasileira de conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

O tema integra a política externa defendida pelo governo brasileiro há anos. Entretanto, a conquista de um assento permanente depende de uma reforma do Conselho de Segurança.

Múcio destaca avanço tecnológico

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também destacou a importância do projeto. Para ele, o programa pode transformar o conhecimento acumulado pelo Brasil em tecnologia e produtos de maior valor agregado.

Além disso, Múcio afirmou que o desenvolvimento do submarino pode permitir ao país exportar tecnologia.

O ministro também atribuiu a Lula papel central no projeto. “O senhor é o grande timoneiro desses submarinos que vão sair aqui”, afirmou.

Lula menciona petróleo da Margem Equatorial

Durante a agenda, Lula também falou sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ao abordar o assunto, chamou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de “rainha da Arábia Saudita”.

“Depois da descoberta de petróleo na Margem Equatorial, essa moça parece a rainha da Arábia Saudita”, afirmou o presidente.

Assim, Lula associou o potencial energético brasileiro à discussão sobre soberania e desenvolvimento nacional.

Reator nuclear também entrou na agenda

Além do submarino, Lula visitou a área de construção do Reator Multipropósito Brasileiro. Segundo o governo, o empreendimento poderá ampliar a produção nacional de medicamentos usados no tratamento contra o câncer.

O Centro Industrial Nuclear de Aramar foi criado pela Marinha em 1986. Desde então, a unidade concentra projetos relacionados ao desenvolvimento da tecnologia nuclear brasileira.

Por outro lado, o programa nuclear também possui aplicações civis. Dessa forma, os investimentos podem produzir efeitos em áreas como saúde, ciência e tecnologia.

Defesa ganha espaço nos discursos de Lula

Nos últimos meses, Lula passou a abordar com mais frequência temas relacionados à soberania, defesa e energia. Além disso, o presidente tem associado essas áreas ao cenário geopolítico internacional.

Em junho, durante um ato em Itajaí (SC), Lula afirmou que pretendia incluir a defesa nacional em seu programa de governo. Na ocasião, também defendeu o fortalecimento das Forças Armadas.

Naquele discurso, o presidente citou ainda as tensões internacionais envolvendo Estados Unidos, Groenlândia e Canal do Panamá. Também mencionou os arsenais nucleares de Paquistão, Índia, Coreia do Norte, China e Rússia.

Portanto, a defesa do submarino nuclear se insere em uma estratégia política que Lula vem apresentando como necessária para ampliar a soberania brasileira.

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Fontes

Folha de S.Paulo; Marinha do Brasil; Organização das Nações Unidas; Petrobras.

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