Exercício do Exército testa a integração entre militares a cavalo e drones, enquanto conflitos recentes mostram novas funções para a tropa hipomóvel.
A cavalaria a cavalo ainda encontra espaço no campo de batalha do século XXI. No entanto, sua função mudou com o avanço dos blindados, sensores e sistemas não tripulados.
Agora, o Exército Brasileiro testa uma combinação que pode atualizar essa capacidade: tropa hipomóvel operando simultaneamente com drones.
Exercício testa nova capacidade no Rio

Em julho de 2026, alunos dos Cursos de Instrutor e Monitor de Equitação da Escola de Equitação do Exército participaram do Exercício Sentinela Montada. A atividade ocorreu no Campo de Instrução do Gericinó, no Rio de Janeiro. Além disso, integrou a disciplina Emprego Militar de Equídeos.
Inicialmente, os militares realizaram o planejamento da operação. Eles formularam ordens e coordenaram uma fração hipomóvel para executar uma situação tática simulada. Posteriormente, os alunos passaram à fase prática em campanha.
O exercício empregou um Pelotão Hipomóvel em reforço a uma Unidade Mecanizada.
Cavalos atuaram no reconhecimento

Durante a atividade, o Pelotão Hipomóvel assumiu tarefas relacionadas à Função de Combate Inteligência. Para isso, os militares monitoraram Regiões de Interesse para a Inteligência, conhecidas pela sigla RIPI.
O treinamento também avaliou características consideradas relevantes para o emprego operacional da tropa. Entre elas, destacaram-se mobilidade, flexibilidade e capacidade de camuflagem.
Além disso, os militares realizaram deslocamentos táticos em terrenos restritivos para viaturas motorizadas.
A tropa também treinou técnicas de infiltração e exfiltração.
Dessa forma, o exercício procurou explorar justamente uma das principais vantagens do cavalo: alcançar áreas onde veículos encontram dificuldades.
Exército começa a integrar cavalos e drones
O aspecto mais inovador do Exercício Sentinela Montada, porém, envolve a integração tecnológica.
A atividade serviu como base para o início de trabalhos de experimentação entre a tropa hipomóvel e Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas. O objetivo consiste em descobrir equipamentos e soluções logísticas que permitam operar drones enquanto o militar conduz o equino.
Portanto, o Exército não pretende simplesmente preservar uma capacidade histórica. A força também busca adaptar a cavalaria hipomóvel às exigências do campo de batalha contemporâneo.
Os dados obtidos durante as oficinas de voo e monitoramento deverão subsidiar a atualização das matrizes doutrinárias sobre o emprego da Cavalaria Hipomóvel.
Experiência brasileira acompanha uma tendência

A iniciativa brasileira dialoga com experiências observadas em conflitos recentes.
No Afeganistão, integrantes das Forças Especiais dos Estados Unidos utilizaram cavalos para atravessar regiões montanhosas durante as operações iniciadas em 2001.
Naquele cenário, o terreno dificultava o emprego de veículos. Por isso, os militares combinaram cavalos com comunicações modernas, apoio aéreo e armas de precisão.
A experiência demonstrou que uma plataforma antiga pode continuar útil quando o ambiente operacional favorece sua utilização.
O caso, entretanto, não representou uma volta das tradicionais cargas de cavalaria. Os militares empregaram os cavalos principalmente como meio de mobilidade em terreno restritivo.
Ucrânia mostra outra face da adaptação

A guerra da Ucrânia também revelou o retorno de soluções consideradas ultrapassadas.
Relatos recentes apontaram o uso de cavalos e outros animais para transportar cargas em determinadas áreas do conflito. Nesse caso, a necessidade de reduzir a exposição de veículos aos drones contribuiu para a busca de alternativas.
A situação apresenta uma ironia da guerra moderna: enquanto os exércitos utilizam satélites, drones, sensores térmicos e guerra eletrônica, algumas unidades recorrem novamente a animais.
Contudo, isso não representa uma substituição dos veículos. Trata-se de uma adaptação às condições específicas do campo de batalha.
Drones podem ampliar o alcance da tropa
A integração testada no Gericinó pode oferecer uma vantagem importante, pois o cavalo permite ao militar deslocar-se por determinados terrenos. Ao mesmo tempo, o drone amplia sua capacidade de observação.
Assim, o conjunto pode aumentar a consciência situacional da pequena fração empregada no terreno. O militar montado poderia lançar ou controlar um sistema aéreo durante o deslocamento.
O drone, por sua vez, poderia observar áreas à frente da tropa e fornecer informações para o planejamento da movimentação.
Essa combinação pode reduzir a necessidade de expor o próprio militar para realizar determinadas tarefas de reconhecimento.
Cavalaria não significa mais carga a cavalo
A modernização também reforça uma mudança histórica. A cavalaria contemporânea não pode ser confundida com as formações que realizavam cargas montadas contra posições inimigas.
Metralhadoras, artilharia, minas, armas anticarro e drones tornaram esse tipo de emprego extremamente vulnerável.
Por isso, o cavalo passa a exercer principalmente uma função de mobilidade. O militar pode utilizar o animal para alcançar determinada área e, posteriormente, atuar desembarcado.
Essa lógica preserva parte da vantagem da mobilidade sem transformar o cavalo em uma plataforma de combate direto.
Terreno continua sendo fator decisivo
A experiência do Exército no Gericinó reforça um princípio conhecido pelas forças terrestres: nenhum meio de transporte apresenta desempenho ideal em todos os terrenos.
Veículos mecanizados oferecem proteção, potência de fogo e velocidade.
Por outro lado, cavalos conseguem avançar por trilhas, áreas estreitas e determinados terrenos onde viaturas encontram limitações.
Consequentemente, uma força hipomóvel pode complementar uma unidade mecanizada.
Foi justamente essa lógica que o Exercício Sentinela Montada simulou. O Pelotão Hipomóvel atuou em reforço a uma Unidade Mecanizada, explorando capacidades diferentes dentro de uma mesma operação.
A ameaça dos drones também impõe limites
Apesar das possibilidades, a tecnologia também cria novos riscos para a cavalaria hipomóvel. Drones de reconhecimento podem localizar concentrações de tropas. Além disso, drones de ataque podem atingir posições identificadas rapidamente. Por isso, uma tropa montada precisaria utilizar dispersão, camuflagem e aproveitamento do terreno.
Nesse aspecto, o próprio exercício brasileiro ganha importância. Ao testar mobilidade e camuflagem, a atividade procura avaliar justamente características fundamentais para a sobrevivência da tropa.
Uma nova função para a cavalaria hipomóvel
O Exercício Sentinela Montada mostra que o Exército Brasileiro não trata a cavalaria hipomóvel apenas como patrimônio histórico ou atividade cerimonial.
A força está experimentando novas possibilidades operacionais. A integração com drones representa o ponto mais relevante dessa transformação. Em vez de competir com blindados, helicópteros e sistemas não tripulados, o cavalo pode complementar essas capacidades.
A lógica, portanto, muda completamente.
O cavalo deixa de ser visto como arma de choque e passa a funcionar como plataforma de mobilidade para uma tropa equipada com tecnologia moderna.
O futuro pode combinar tradição e tecnologia
A experiência brasileira também acompanha a transformação internacional da cavalaria.
O Exército dos Estados Unidos, por exemplo, vem ampliando o emprego de sistemas não tripulados pelas unidades de cavalaria. Essa evolução procura aumentar a capacidade de reconhecimento e ampliar a consciência situacional das tropas.
No Brasil, o Exercício Sentinela Montada acrescenta uma particularidade: a força testa a possibilidade de operar drones enquanto o militar conduz o próprio equino. Os resultados poderão indicar quais equipamentos e procedimentos funcionam melhor nesse cenário.
Além disso, os dados poderão contribuir para futuras mudanças doutrinárias.
Assim, a cavalaria hipomóvel pode ganhar uma função mais específica no campo de batalha moderno. Ela não substituirá o blindado. Também não competirá com o drone.
A tendência aponta para uma combinação entre mobilidade animal, sensores e sistemas aéreos remotamente pilotados.
Nesse cenário, o cavalo pode sobreviver à era dos drones justamente por assumir uma função diferente daquela que exerceu durante séculos.
Leia também
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- Drones e a transformação da guerra moderna
Respostas de 11
Bem vindo a era do faroeste kkkkk Só falta o caramelo pra competir com rin tin tin.
Certeza que compraram o drone só pra filmar o pessoal (CMT, General, esposa e filhos) passeando de cavalo. E as competições tbm é claro, e as Formaturas meu podemos esquecer.
Como não tem combustíveis, pelo menos capim tem para mover os cavalos, já já a Marinha vai voltar aos barcos movidos a vela e remo e a Força Aérea utilizar balões dirigíveis. Eita brasilzão arretado. Enquanto isso eu subofe véio vou fazendo bicos de eletricista e motorista por aplicativos, pra sobreviver.
Nao justifica cavalos, mas insistem em manter privilégios a todo custo.
Falta comida, falta combustível, falta correcao dos salarios, porém as mordomias e privilégios se mantém para os oficiais se divertirem.
Os soldados podem segurar as traves para eles competirem.
Parece que há uma carência de ideias e virtudes, antes mesmo da carência de verbas. Manter cavalos e, pior, tentar justificar sua necessidade inventando uma serventia moderna é patético. Se é apego as tradições, coloque rodas de carreta em seu Volvo.
O tempo do equino passou, assim como o tempo dos elefantes de Aníbal.
Para filmar familiares de oficiais fazendo hipismo e os praças segurando os obstáculos.
A pronto…era só o que me faltava…
Cada vez mas patético fica o Exército de Osório.
resumo:esculhambação
fiz um apanhado do ínicio do ano por alto de algunas retóricas e narrativas advindas do EB.
já disseram que iriam fazer uma reforma profunda falando relatando equipamentos, simplesmente por que os politicos ventilaram um reforma na estrutura de ensino e admissãodas fAs, já falaram que o eb saiu na frente de guerra moderna mostrando drones ultrapassados, já orientaram o “pau mandado” dizer que ser os americano vier vão “abrir os portões” agora mais essa cavalo com drones, a bem da verdade sociedade brasileira está assobrada com as FAs
e para piorar os mais altos estudos dissem não acreditar que poderia haver uma invasão norte americana por aqui, ora será que os americano irão incursionar e as “defasas brasileira” ficaram do lado deles em detrimento a soberania nacional????
Aqui vamos usar os drones para recolher os estrumes do cavalo ou a cavalo!?