Desenvolvido pelo Exército e pela indústria nacional nos anos 1980, o Charrua reunia tecnologia, mobilidade e versatilidade. No entanto, a crise econômica e a falta de encomendas encerraram o programa antes da produção em série.
A reportagem tem como base um artigo técnico publicado pelo portal
Forças Terrestres, integrante da Trilogia Forças de Defesa. O estudo resgata a história do blindado anfíbio Charrua, desenvolvido pela Moto Peças em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), e mostra por que o projeto, considerado promissor na década de 1980, nunca chegou à produção em série.
Projeto buscava independência da indústria nacional
O blindado anfíbio Charrua surgiu na década de 1980 como uma aposta da indústria de defesa brasileira para substituir os tradicionais M113 do Exército. Desenvolvido pela Moto Peças em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o veículo foi concebido para formar uma família completa de blindados nacionais destinados ao transporte de tropas, combate, apoio e defesa antiaérea.
Além disso, o projeto aproveitou a experiência adquirida na modernização dos próprios M113. Dessa forma, a indústria brasileira consolidou conhecimentos em motores, transmissões, blindagem e integração de sistemas militares.
Blindado oferecia mobilidade e versatilidade
O Charrua transportava três tripulantes e nove militares equipados. O veículo alcançava cerca de 70 km/h em estrada e navegava por rios utilizando dois hidrojatos, característica importante para operações no território brasileiro.
Ao mesmo tempo, o projeto previa diversas versões sobre um único chassi. Entre elas estavam veículos de comando, ambulância, porta-morteiro, combate de infantaria, defesa antiaérea e até lançadores de foguetes. Assim, o Exército reduziria custos logísticos e simplificaria a manutenção da frota.
Crise econômica inviabilizou o programa
Embora os testes tenham apresentado resultados positivos, o Charrua nunca recebeu uma encomenda que justificasse sua produção industrial.
Enquanto isso, o Brasil enfrentava inflação elevada, restrições fiscais e redução dos investimentos em defesa. Paralelamente, o fim da Guerra Fria inundou o mercado internacional com blindados usados, vendidos por valores inferiores aos de veículos novos.
Como consequência, o Exército optou por continuar modernizando sua frota de M113, solução considerada mais econômica no curto prazo.
Legado permanece na indústria de defesa
Mesmo sem chegar às unidades operacionais, o Charrua demonstrou a capacidade da engenharia brasileira para desenvolver um blindado anfíbio moderno e modular.
Posteriormente, o conceito de uma família nacional de veículos militares ressurgiu no programa Guarani, desta vez sobre rodas. Ainda assim, o Charrua permanece como um dos projetos mais emblemáticos da indústria de defesa brasileira que não chegaram à produção em série.
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Fontes
Informações e imagens: FORÇAS TERRESTRES