Comandante da Marinha admite dificuldades para atrair e reter militares nas Forças Armadas

O comandante da Marinha, Almirante Olsen, concedeu entrevista a CNN Brasil

Em entrevista à CNN Brasil, o almirante Marcos Sampaio Olsen reconheceu os desafios para captar novos militares e manter profissionais na carreira, tema que reacende o debate sobre remuneração, condições de trabalho e vocação militar.

A declaração do comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, trouxe novamente à pauta as dificuldades enfrentadas pelas Forças Armadas para atrair jovens e reter militares na carreira. Em entrevista à CNN Brasil, o oficial reconheceu que o problema afeta as instituições e exige atenção.

Fatores que influenciam a permanência

Entre os principais motivos apontados para a redução do interesse pela carreira militar, destacam-se os salários considerados menos competitivos em relação ao mercado civil. Além disso, o regime de dedicação exclusiva, as escalas de serviço e as limitações para exercer outras atividades profissionais também influenciam a decisão de muitos militares de deixar a farda.

Mercado civil amplia a concorrência

Ao mesmo tempo, o mercado privado oferece remunerações mais elevadas e maior flexibilidade de trabalho para profissionais qualificados. Como resultado, diversos militares optam por seguir carreira fora das Forças Armadas, especialmente após adquirirem experiência e formação técnica durante o serviço.

Missão e estabilidade continuam como diferenciais

Por outro lado, a carreira militar mantém características que continuam atraindo parte dos candidatos. Entre elas, destacam-se a estabilidade, a formação profissional, o espírito de corpo, o compromisso com a defesa nacional e o sentimento de servir ao país.

O futuro da carreira militar: como reter e atrair militares?

Nesse contexto, a manifestação do comandante da Marinha reforça um debate que se intensificou nos últimos anos. Enquanto as Forças Armadas buscam alternativas para ampliar a atratividade da profissão e reduzir a evasão de pessoal qualificado, especialistas e militares discutem medidas capazes de tornar a carreira mais competitiva sem perder seus valores e características institucionais.
Fonte: CNN Brasil.

Respostas de 10

  1. Existe a percepção de que a carreira militar é vocacional e que a disciplina, por si só, garante a permanência, mesmo diante de salários defasados. Trata-se de uma visão arcaica: não existe vocação sem retorno. Ninguém se dedica a uma atividade sem algum tipo de compensação, exceto por motivos religiosos, o que não é o caso. O que realmente determina a permanência ou a evasão é a valorização salarial e o poder aquisitivo. A solução existe, mas, como se costuma dizer, o antídoto é amargo.

    1. Fale pelo senhor, O salário realmente é um problema grave, mas a falta de identidade dos mais novos com as forças armadas é um problema grave, no pau da goiaba o novinho que não tem ninguem para dar de comer, o salário não é ruim, porem encher o moleque de missões rolhas como Dengue e operar diversos sistemas desnecessários, fazem o garoto querer sair. Problema salarial é para 1°Sgt pra cima, que não tem mais saco pra estudar, tá mais próximo da luz no fim do túnel que do início da caminhada, esse sim sofre com o salário, mas a força sabe que mesmo sendo baixo, não vão largar para tentar outro concurso, então cagam para o problema, o novinho não, tá sem saco, sem ninguem para alimentar, só pedir baixa e tentar outra coisa na vida, esse sim gera pavor nos generais, porque não tem amarras.

      1. Entendo seu ponto sobre identidade e missões pouco relevantes, mas devoção sem reconhecimento não se mantém. A ideia de que basta vocação para segurar alguém na carreira é ilusória: ninguém vive só de propósito. O militar pode até ter orgulho da farda, mas se o poder aquisitivo não acompanha, a motivação se esvai. Missões extras e tarefas burocráticas só se tornam toleráveis quando há valorização real. Sem salário digno, a tal devoção vira exploração. É justamente o reconhecimento material que transforma vocação em permanência, caso contrário, o discurso de devoção vira desculpa para manter profissionais sem a devida valorização.

  2. Com nível de conhecimento e nível de comprometimento que os militares têm, eles se dão bem em qualquer lugar. Tem gente saindo pra ganhar a metade e tá feliz.

  3. UMA EVENTUAL SOLUÇÃO INSTITUCIONAL

    Considerando que o salário dos militares é um reflexo da enconomia do país, é quase improvável que a solução venha daí…. E considerando que o militar é vedado empreender ou fazer bico, na minha opinião, a solução prática e de curto prazo para o PROBLEMA FINANCEIRO DOS MILITARES, decorreria de uma mudança de paradigma nas Forças Armadas.

    A Instituição poderia estudar a possibilidade de implementar, desde a formação do recruta, escolas e academias de formação do pessoal de carreira, uma mentalidade de seu pessoal, investir em capacitação e educação financeira, com foco na Bolsa de Valores [B3].

    Pois, é a única coisa que o militar pode fazer extramuro para complementar seu soldo, conforme preconiza o Estatuto dos Militares, ou seja, ser acionista de empresas.

    Uma vez que o militar seja capacitado como investidor em seu modo clássico (acionista), cada um estaria livre e em condições para seguir em frente por meio do mercado secundário de ações, ou seja, o mercado de opções, o qual pontecializaria e abreviaria a realização de suas metas financeiras.

    A consequência positiva do militar que se capacita e opera no mercado de ações e no mercado de opções, no médio e longo prazo (5 a 15 anos), seria tornar seu parco soldo militar, correspondente ao seu “à mesada que costuma ou pretenderia dar aos seus filhos”.

    Portanto, com base nessa realidade da Bolsa de Valores, eu acredito que seria atualmente a única solução pra questão do problema financeiro dos militares. montedo.com Exército Brasileiro

  4. militar não fez votos de pobreza.
    Por que tanta diferença entre os poderes, por que tanta discriminação com os militares.
    tudo proposital.
    Até agora so um comandante falou algo, o resto caladinho.

  5. O cara fala a todo tempo medindo as palavras. é um comandante fraco;não inspirar confiança, vai ponderando, receoso de ser sincero na crítica. não consegue informar o simples fato de que os militares estão no fundo do abismo salarial do funcionalismo público,a carreira tá opaca,centenas de baixas … excetuando a cúpula que vai bem, Obrigado,principalmente da Lei do Mal II.Com todo respeito, mas qualquer soldado das PMs ganha melhor que um 2º sgt do eb; um gari do RJ,ganha mais que um fuzileiro Naval, é ridículo e desesperador o poço que esse caras nos levaram.A Pms, com suas representações e líderes,alçaram ao topo e buscam dia a dia melhoras para suas organizações; já as FFAA fizeram o caminho inverso, pois não têm chefes ,nem representantes leais, apenas -figurantes de cmdo- e um ministro da defesa que não sabe amarrar um cardaço de conturno. Mas eles vão dançando com o governo ao sabor do vento,sorrindo em solenidades festivas.Em mais de 30 anos de serviço, eu nunca vi um General falar que um soldado ganha uma miséria,ao contrário,sempre acharam que – por não fazer concurso – os soldados estão até bem ,é assim que pensam,que agem.que tramam.Nós, o chão de fábrica precisamos de um líder, precisamos de um herói!Vivemos há décadas sem comandantes leais a tropa ! e chegamos a esse ponto de – argentinização – é um projeto já levado a ALGUM tempo e que GEROU seus resultados, acabar com as FFAA,DESMORALIZAR OS MILITARES.Triste EB de Caxias.

  6. A Constituição Federal, em seu art. 143, estabelece que o serviço militar é obrigatório, cabendo à lei disciplinar sua forma de prestação. Assim, a prestação do serviço militar obrigatório decorre do dever constitucional de defesa da Pátria e, em sua essência, não depende de concurso público nem da atratividade da carreira ou vocação.

    O art. 5º da Lei nº 6.880/1980 não distingue o ingresso decorrente do serviço militar obrigatório daquele destinado ao exercício profissional da atividade militar. O dispositivo apenas estabelece que a carreira militar é privativa do pessoal da ativa e se inicia com o ingresso nas Forças Armadas, cabendo às demais normas disciplinar as diferentes formas de ingresso, permanência e vinculação.

    Nesse contexto, pode-se sustentar que a existência do serviço militar obrigatório e a possibilidade legal de incorporação de militares temporários constituem mecanismos que permitem às Forças Armadas recompor parte de seus efetivos. Sob essa perspectiva, pode-se argumentar que não seria imprescindível a retenção de militares na carreira em todos os casos, especialmente diante do aumento das despesas da União com inativos e pensionistas, bem como da própria natureza da organização militar, estruturada para possibilitar a reposição de efetivos quando necessário, inclusive em situações de guerra.

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