Crise de vocação nas Forças Armadas vai além dos salários e exige resgate do ethos militar 

Forças Armadas do Brasil (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

Editor-chefe do DefesaNet afirma que a burocracia, a perda da identidade operacional e a baixa modernização reduzem o interesse dos jovens pela carreira militar.

A dificuldade para atrair e manter novos militares não decorre apenas dos salários. Para o editor-chefe do DefesaNet, Nelson During, a principal causa da crise está na perda do ethos militar. Segundo ele, as Forças Armadas precisam recuperar sua identidade operacional para voltar a despertar vocações. Embora a remuneração tenha perdido competitividade, During afirma que a carreira militar nunca foi escolhida apenas pelo aspecto financeiro. Ao contrário, a profissão sempre esteve ligada ao senso de missão, à disciplina e ao compromisso permanente com a defesa do país.

Identidade operacional perde força

Na avaliação do editor, o diferencial da carreira militar sempre foi o preparo para o combate. Por isso, muitos jovens ingressam nas academias com o objetivo de comandar tropas, operar blindados, pilotar aeronaves ou navegar em navios de guerra. No entanto, segundo During, essa realidade mudou. Cada vez mais, militares passam a atuar em missões administrativas ou subsidiárias. Entre elas estão ações de apoio à segurança pública, logística, combate a incêndios e fiscalização ambiental. Embora essas atividades sejam importantes, elas não representam a essência da profissão militar, argumenta o editor.

Burocracia ocupa espaço crescente

Além disso, During afirma que muitos oficiais permanecem pouco tempo em funções operacionais. Em seguida, à medida que avançam na carreira, passam a ocupar cargos administrativos. Assim, pilotos deixam os cockpits para assumir funções de gestão. Da mesma forma, comandantes de blindados tornam-se administradores de processos. Consequentemente, oficiais altamente qualificados dedicam boa parte da rotina à produção de relatórios, reuniões e procedimentos burocráticos. Para o editor, esse processo afasta o militar da atividade para a qual foi preparado.

Modernização insuficiente reduz o interesse

Outro fator apontado por During é a lentidão da modernização dos equipamentos militares. Segundo ele, aeronaves, navios e blindados antigos reduzem o entusiasmo de jovens interessados em tecnologia e inovação. Além disso, diminuem as oportunidades de aprendizado com sistemas modernos. Ao mesmo tempo, o Brasil participa de poucas operações militares internacionais. Como resultado, militares brasileiros têm menos oportunidades de adquirir experiência em cenários multinacionais e ampliar sua formação profissional.

Salário é apenas parte da solução

Durante reconhece que a remuneração precisa ser revista. Entretanto, sustenta que reajustes salariais, sozinhos, não resolverão o problema. Na avaliação dele, as Forças Armadas precisam investir de forma contínua na modernização dos equipamentos. Também devem ampliar o treinamento operacional. Além disso, precisam manter oficiais por mais tempo no comando de tropas, aumentar a participação em exercícios internacionais e reduzir a burocracia. Segundo o editor, essas medidas fortalecem tanto a capacidade de combate quanto a valorização dos profissionais.

Recuperar o ethos militar

Ao concluir sua análise, Nelson During afirma que o futuro da carreira militar depende da recuperação do ethos militar. Para ele, quartéis excessivamente burocratizados deixam de oferecer os desafios que tradicionalmente atraem jovens vocacionados. Por isso, defende que a preparação para o combate volte a ocupar posição central nas Forças Armadas. Na avaliação do editor, somente o fortalecimento da cultura operacional permitirá recuperar o prestígio da profissão e atrair uma nova geração de militares comprometidos com a defesa nacional. Leia o artigo de Nelson During no DefesaNet

Respostas de 38

  1. o militar moderno chega na OM e se depara com atividades administrativas chatas e burocracia criada pela Própria instituição, já o militar antigo que deveria estar fazendo atividades administrativas precisa de pontos para ser promovido e fica ralando de maneira desnecessária, marcha, tAF, acampamentos e etc… Então O Oficial e o praça começam a se questionar se escolheram a profissão certa. Antes o militar vivia no mundinho da OM mas hoje ele tem acesso a Internet e percebe que forças auxiliares ganham muito mais e tem proteção de sindicatos, carga horária definida e reajustes anuais.
    De quem é a culpa?
    R: Dos políticos e dos Generais.

  2. Ótima analise, o exercito nesta atual estrutura e realmente acaba com a motivacao de qualquer um. Sindicancia, exame de pagamento, TEAM, fiscal de mudança, fiscal de generos, padrinho de adido…etc, servico militar obrigatorio em um formato que nao funciona mais e desgastante, poderiam so fazer o periodo basico e “tapa na garupa” da maioria, comandantes que so querem fazer obras, so falam em obras, operacoes meia boca, PAA sempre a mesma coisa, junta a “tralha” e parte para SaiCã, Cursos, todos iguais, aqueles cerimoniais tudo igual, ordem a patrulha e carregar kit e quinquilharia que nao funciona(carcaça de AT4, madeira simulando Petardo), e andar por ai fazendo pou pou. Essa nova geracao nao tem mais saco para isso. Temos que reavaliar tudo!

    1. As FFAA só se preocupam com TFM centralizado; inspeções de Vtr; treinamento de canções militares; marchas; formaturas rolhas (verificação dos padrões de OU); aprontos operacionais (com famosos “vales”: vale uma mochila, vale um fuzil, vale um cantil, etc. E como se não bastasse, embarcar a tropa em viaturas desenhadas em quadrados no chão com gesso!!!!); respones; faxina [pintura de meio fio, corte de mato, cricri (odeio isso), limpeza das calçadas, das alamedas, dos banheiros, etc)]; alinhamento dos beliches e armários dos aloj dos Of/ST/Sgt/Cb/Sd; pintura do quartel para passagens de Cmdo e/ou “inspeções” de Gen.

  3. Óbvio que os salários estão extremamente defasados e muito aquém das necessidades básicas para manter uma família e isso pesa muito!!!!
    O fato é que os jovens se deparam com uma estrutura envelhecida, banheiros e alojamentos sem condições, se quer tem papel higiênico nos banheiros!
    Os equipamentos são velhos e as missões são um verdadeiro estorvo para o militar, pois deslocam para locais sem condições de infraestrutura e recebem, quando recebem, a tal gratificação por representação que não é suficiente para indenizar o militar com os gastos fora da sede. Enquanto as demais forças de segurança recebem diárias gordas, o militar chega a receber R$ 40,00 por dia trabalhado em missão/manobra.

    1. Pedreiro é a profissão do futuro. Hoje com a tecnologia pedreiro não faz mais força. Qualquer orçamento é buma grana. Tem cara com Faculdade e atuando como pedreiro.

      1. É simples… Vai para a engenharia… Ser pedreiro do EB… Melhor que pintar meio fio e fazer faxina…😂😂😂🤣🤣🤣…

  4. Em alguns casos, a função administrativa ocupa mais de 50% do efetivo de um batalhão de infantaria. Mesmo quem não tem uma função administrativa, ocupa boa parte do seu tempo como encarregado de sindicância, exames de contracheque, fiscais de contrato, Fiscais de rancho, IPM etc. O próprio comandante da unidade está 100% envolvido nas duas funções Administrativas. Esse é mesmo um problema bem grave.

  5. Entre 67 a 70% do efetivo dos exércitos modernos se encontra empregado em atividades burocráticas, sem contar os empenhados na burocracia existente na linha de frente. Já na I Guerra Mundial era 60% e isso se deve ao aumento constante da complexidade no meio militar e a necessidade de sua administração que não para de crescer.

    1. Para de mentira, olha a quantidade de sistemas que o Exército cria para gerir esse Titanic que só afunda. Siscofis, Siafi, Sisade, Opus, Siscau, simatex, Siscogep, Sgd, SvM… parece piada mas é a mais pura realidade, cada sistema desse criado por um general, para que se fique um legado. Metade das OMs do EB deveriam fechar e redistribuir esse efetivo, não o fazem por questão de EGO, menos OM, menos comandantes, menos terras para o EB. É uma engrenagem fadada ao fracasso.

      1. Tem PTTC que não sabe fazer a configuração de um documento no Word. Não é piada. Nas reuniões leva o sargento temporário junto

  6. Ninguém fala mas esta traição começou em 2001, com a lei 2215, do governo Fernando Henrique, tirando direito dos militares que não tinha 30 anos de serviço, depois veio o bolsonaro e acabou de interra a tropa, com esta traição, ( A principal norma que reestruturou a carreira e alterou os ganhos dos militares no governo de Jair Bolsonaro foi a Lei nº 13.954, de 16 de dezembro de 2019 ), que favorece novamente o alto comando, acorda Brasil, mudar e preciso.

  7. Aqui no RN teve um 1° SG com mais de 20 anos de serviço, que prestou concurso público para Agente Penal Federal, passou e foi embora. Certo ele.

  8. Em Pelotas para deixar os praças mais tristes fizeram um documento que os Sargentos tiveram que sair do PNR com 5 anos. Enquanto outros lugares tem camarada com 15 anos na mesma casa. Injustiça. Dizem que foi o General que fez o documento.

  9. Meus irmão sem conversa fiada a estrutura que se lasque. o que importa é a rEMUNERAÇÃO, DINHEIRO, GRANA. simples assim. quem tem a caneta tem que entender isso.

  10. Tapar o sol com a peneira é o que o texto traduz. Salário é muito, muito importante. Segundo o texto, o mesmo erro sendo cometido de novo. Tratam as 03 Forças Armadas como se fossem única e exclusivamente formada por oficiais. E não é. Apesar de serem invisíveis aos olhos de quem comanda. Os Praças (St, Sgt, CB e Sd) são peças fundamentais na operacionalidade de qualquer força Armada. Mas são tratados como indivíduos, não humanos de terceira classe.
    Tenham as melhores armas. Mas se o Sgt tem que fazer um “bico” para minimamente poder comer. Não vai adiantar. E de cara vemos que o salário está diretamente ligado à moral da tropa. E esses relatos que deixam claro que Praças não são preocupação por parte de quem comanda. Desmotiva. Desmoraliza é mina dioturnamente qualquer vocação.

  11. Existem vários fatores que desmotivam o militar a continuar, mas 99% continua sendo financeiro. Não existe vocação que supere a dificuldade de se manter uma família. E alguém acha que uma pessoa estuda para se tornar auditor da Receita por vocação?

    1. Se for a do estado mais rico do Brasil estamos lascado. A maioria das PM recebe menos e muitas sd só com curso superior, além da carreira terminar como st.

  12. Não existe material de ponta o melhor material do mundo se a tropa esta desmotivada com salário defasado 3 sgt sobrevivendo para sustentar sua família.

  13. Não incentivem seus filhos. Espadim é sabre da ESA é ilusão. Um jovem tem potencial de fazer uma universidade e meter concurso do Judiciário. Este monte de militares presos desmotivou muito. O medo do Comandantes é imenso. Fala em processo o cara desmaia

    1. Flw tudo. Meu filho é da área de TI. Com menos de 5 anos de trabalho, ganha 25 mil mensais trabalhando em home office. Fico imaginando se eu tivesse incentivado ele na carreira militar, estaria hoje frustrado ganhando um salário de fome para comandar faxina no sol quente, acordando cedo todo dia, tirando serviço Fim de semana. Realmente é um caso a pensar. Militar que influência o filho nessa “carreira”, é um verdadeiro suicida vocacional.

  14. Presidente….já passou muito da hora das lideranças políticas deste país e da própria população pensarem e investirem em segurança externa. Essa conversa de campanha política de “investir em saúde, segurança e educação”, precisa incluir também a “defesa externa” para a defesa da nossa pátria, segurança do nosso povo e garantias do nosso modo de viver. E à propósito….os valores destinados ao ministério da defesa são verdadeiras esmolas….ou essa esmola paga os militares; pensões, aposentadorias ou é destinado à equipamentos novos e em quantidades. Tem que escolher. Militar também come, paga aluguel, roupas, escola para si e para os filhos….e hoje ganha uma verdadeira miséria. Só para exemplificar; um soldado da PMGO, em fase inicial de carreira, tem salário de quase NOVE MIL REAIS……nas FFAA (MB, EB E FAB), um 1⁰ SG, com quase trinta anos de serviço, cheio de cursos, tipo paraquedista, guerra na selva, montanha, caatinga e etc, pasmem….tem salários de no máximo OITO MIL REAIS. É óbvio que isso precisa ser REVISTO…..ONTEM. Não é a toa que Lula e o PT são odiados nas FFAA.

  15. Complemento: neste furdunço todo tem muita gente se dandk bem, vivem no exterior general fazendo curso, PTTC que. Ao sabe comfigurar o IP de uma maquina indo em evento de guerra cibernetica, PatC viajando cap QAO cordinha de General. Aqueles monte de curso rolha, ECEME na Bolívia, Guerra na selva no suriname, se alguem me convencer pra que serve essas “M” repasso meu soldo por 1 ano, 😂😂, isto tudo contribui para um ambiente competitivo e toxico, que e o que virou a tropa chega uns Generais e Coronéis que mal passaram pela tropa, criaram ate artificios para conceder esta medalha porque estava vergonhoso… senhores e o Brasil! 😅😅

    1. Parabéns Maj Cav. Falou tudo. O reflexo está no concurso da ESPCEX ESA. Nota 3. O 01 da ESPCEX um gauchinho meteu o pé saiu da AMAN. Muito PTTC tomando café ☕ e fumando no pátio. Desmotivação geral. Formatura para veterano não paga boleto nem enche barriga.

  16. Primeiro nós praças temos que recuperar o ethos salarial… A Lei 13.954 provocou um hiato entre oficiais e praças… E isso não será corrigido… Em 2019 jogaram a pá de cal na carreira das praças…

    1. Terminou a motivação. O coveiro do Cemitério onde eu resido é meu amigo. Ele é Sargento QE da reserva. Ele recebe o dobro no cemitério. Quando tem sepultamento noturno ele recebe hora extra. Agora ele está fazendo exumação e aumentou mais o salário. Um Sargento em capital e com família ele vai passar necessidades. Os jovens mais qualificados não vão entrar na ESA quem cai entrar é o pessoal fraco e serão fracos na tropa. Efeito dominó. Os oficiais do desmaio também repercutiu até fazem piadas kid desmaio.

  17. A crise não é de vocação, a crise é salarial. O pessoal da lacuna agradece ao falso Meçias Bolsotrevas e a seus generais golpistas, Além é claro, do ilustre general canalha Azevedo e Silva, um mentiroso costumaz que descaradamente mentiu para o congresso nacional, que após a homologação da maldita Lei, pontos seriam revistos e até hoje, nada.

  18. O que chama atenção para o estudante, sim, estudante, normalmente pobre, e que quer ascender na vida a partir dos seus estudos, sem ser abusado pela iniciativa privada, é o concurso público.

    A carreira militar não é agradável, e não me venham com romantismo, e da sua própria natureza, pois ninguém quer perder a liberdade, ou deixar de ter os mesmos direitos de um trabalhador comum, e sem contar que terá um controle rígido de trabalho, que muitas vezes tem excessos. Porém, há compensações. As principais vantagens são salário, estabilidade e aposentadoria (proventos) com o mesmo salário da ativa. Fora isso, não.

    Essa historinha de falta material, ou material de última geração, ou que os objetivo não são bem traçados é ruim em qualquer trabalho, em qualquer lugar, incluindo a nossa casa. Isso não justifica a desmotivação em ser militar.

    A desmotivação para a carreira Militar ocorre de forma fundamental quando se precariza o tripé SALÁRIO- ESTABILIDADE- APOSENTADORIA (RESERVA). Por que? Porque o Ser humano, por uma questão de sobrevivência, pensa no que é melhor para si, só depois Valorará o tal “ETHOS” que é um conceito de coletividade e pouco tem importância se o tripé não estiver firme.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *