Decisão reconhece falha da Fundação Habitacional do Exército na campanha de migração do seguro Poupex Vida, determina indenização a segurado do FAM e afirma que o Exército Brasileiro responde pela supervisão das atividades da entidade.
O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) condenou novamente a Fundação Habitacional do Exército (FHE) a indenizar um segurado do Fundo de Assistência Habitacional dos Militares (FAM) por danos morais. A decisão reconheceu que a fundação falhou ao prestar informações durante a campanha de migração do seguro Poupex Vida.
Além disso, o colegiado reforçou um entendimento que vem ganhando espaço na Justiça Federal sobre a responsabilidade da entidade em assegurar transparência aos participantes dos planos.
O acórdão concluiu que a deficiência na comunicação comprometeu o direito à informação do segurado e,
por consequência, justificou a reparação pelos danos morais sofridos.
Falha na prestação de informações
Na decisão, o magistrado afirmou que a FHE não apresentou informações claras e suficientes durante o processo de migração do seguro.
Segundo o tribunal, essa conduta impediu que o segurado tomasse uma decisão plenamente consciente sobre a alteração contratual.
Por isso, a Justiça concluiu que houve violação ao dever de informação.
Ao fundamentar a sentença, o juiz ressaltou que a transparência constitui um dever da fundação, especialmente em razão de sua atuação junto aos militares. O texto registra:
“O recebimento de recursos e vantagens públicas impõe à ré (FHE) a contrapartida da publicidade, sendo inadmissível que os militares […] sejam mantidos sob desinformação quanto à higidez atuarial de planos (FAM) que ajudam a custear há décadas […].”
O trecho integra a sentença prolatada em
21 de julho de 2026, na qual o TRF-6 condenou a FHE ao pagamento de indenização por danos morais.
De acordo com a fundamentação, a obrigação de prestar informações claras decorre da natureza assistencial da fundação e da relação de confiança estabelecida com os militares que participam dos planos administrados pela entidade.
Exército passa a integrar fundamentação
Outro ponto relevante da decisão foi a referência à responsabilidade do Exército Brasileiro pela supervisão das atividades da Fundação Habitacional do Exército.
Conforme destacou o magistrado, o Exército exerce função de fiscalização sobre a entidade em razão de sua vinculação institucional e das finalidades assistenciais desenvolvidas em benefício dos integrantes das Forças Armadas.
Dessa forma, o tribunal ampliou a análise sobre a relação entre a fundação e a Força ao incluir esse aspecto na fundamentação do julgamento.
FHE não atua apenas como estipulante
O acórdão também afastou a tese de que a FHE desempenha apenas o papel de estipulante dos contratos de seguro.
Pelo contrário, o magistrado entendeu que a fundação exerce funções assistenciais diretamente voltadas aos militares das Forças Armadas.
Nesse contexto, a decisão afirma que a entidade assume deveres próprios perante os segurados, entre eles o de fornecer informações completas, precisas e transparentes durante alterações contratuais.
Assim, a FHE responde pelos prejuízos decorrentes de eventual descumprimento dessa obrigação.
Precedente para novas ações
Com esse entendimento, o TRF-6 fortalece a jurisprudência favorável aos segurados que contestam judicialmente a migração do seguro Poupex Vida.
Ao mesmo tempo, a decisão poderá servir de referência para outros processos que discutem a responsabilidade da FHE na condução da migração dos planos, o dever de informação aos beneficiários e a extensão da supervisão exercida pelo Exército Brasileiro sobre a fundação.
Respostas de 3
Bom dia !!!
Não entendi exatamente qual foi o prejuízo causado ao recorrente.!!!
A publicidade foi geral e massante, eu recebi muitos e-mails e comunicados. Não entendi esse prejuízo.
Alguém poderia explicar melhor ?
Teria de ler o processo para entender. Só a notícia não traz maiores informações. Aliás Montedo, só como sugestão, poderia colocar a fonte da informação para consulta?
Sem acesso o processo é difícil opinar, mas se fosse pra chutar, eu apostaria que a parte é algum idoso alegando dificuldade em lidar com tecnologia somada a ignorância dos termos contratuais.