Brasil enfrenta pressão crescente de ataques cibernéticos e do crime organizado, aponta Inteligência do Exército

Ataque cibernético às Forças Armadas (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

Centro de Inteligência do Exército revela avanço das ameaças cibernéticas e do crime transnacional, com destaque para o narcotráfico e a vulnerabilidade de infraestruturas críticas.

O Centro de Inteligência do Exército (CIE) identificou 754 bilhões de tentativas de invasão a sistemas digitais brasileiros ao longo de 2025 e estima que cerca de R$ 50 bilhões em cocaína passem anualmente pelo território nacional. Os dados foram apresentados pelo comandante do CIE, general Carlos Eduardo Barbosa da Costa, durante exposição no Quartel-General do Exército, em Brasília. Na avaliação da Inteligência militar, as ameaças ao Brasil envolvem tanto atores estatais quanto organizações criminosas transnacionais. O diagnóstico destaca o crescimento dos ataques cibernéticos, a expansão do narcotráfico e a atuação de grupos armados na Amazônia como fatores que afetam a segurança nacional.

Crime organizado amplia presença nas fronteiras

Segundo o general, o Brasil ocupa posição estratégica na logística internacional do tráfico de drogas por estar cercado pelos três maiores produtores mundiais de cocaína — Colômbia, Peru e Bolívia — além do Paraguai, principal produtor de maconha da região. Nesse cenário, o País funciona como corredor para o envio de entorpecentes destinados à Europa, Ásia, África e Oceania. O CIE estima que o mercado interno consuma aproximadamente 8 mil toneladas anuais de maconha e skunk, além de 170 a 200 toneladas de cocaína, movimentando cerca de R$ 30 bilhões por ano. Paralelamente, pelo menos 250 toneladas de cocaína seriam exportadas pelo território brasileiro, elevando a receita estimada para mais de R$ 50 bilhões anuais.

Facções mantêm alianças internacionais

A Inteligência do Exército também apontou que as principais facções criminosas brasileiras ampliaram sua articulação com organizações estrangeiras. De acordo com a apresentação, o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantém contatos com grupos criminosos no Peru, na Bolívia e com o Tren de Aragua, organização venezuelana com atuação em Roraima. Já o Comando Vermelho (CV) atua em parceria com um cartel peruano e com grupos dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), utilizando principalmente a rota do Rio Solimões para o escoamento internacional da cocaína. Além do tráfico de drogas, esses grupos também exploram atividades como mineração ilegal e extorsão em áreas da Amazônia, especialmente na região conhecida como Cabeça do Cachorro.

Ataques cibernéticos atingem instituições públicas e empresas

Outro ponto de destaque foi o avanço das ameaças cibernéticas. Segundo o comandante do CIE, os registros apontam 754 bilhões de tentativas de intrusão em sistemas brasileiros durante 2025, parte delas com sucesso em razão de vulnerabilidades existentes em órgãos públicos e instituições privadas. A Inteligência militar avalia que esses ataques são conduzidos tanto por grupos criminosos quanto por estruturas apoiadas por Estados estrangeiros, com motivações financeiras, estratégicas ou ideológicas.

Casos recentes reforçam preocupação

Durante a apresentação, o comandante da Defesa Cibernética do Exército, general Jacy Barbosa Júnior, citou ataques considerados relevantes para a segurança nacional. Entre eles está a invasão sofrida pela empresa Dígitro Tecnologia, em abril de 2026. O incidente resultou no vazamento de aproximadamente 3,39 terabytes de dados, incluindo códigos-fonte, bancos de dados e arquivos internos relacionados a sistemas utilizados por forças de segurança, como o Sistema Guardião. O general também lembrou o ataque de negação de serviço registrado em junho de 2025, que afetou o domínio gov.br e provocou impactos em diversos órgãos federais, incluindo Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), INSS e ConnectSUS. Segundo a Defesa Cibernética, esses episódios demonstram que infraestruturas críticas passaram a integrar o alvo permanente de organizações criminosas e grupos especializados em espionagem digital, desinformação e sabotagem.

Formação de especialistas é desafio

A apresentação destacou ainda a dificuldade de ampliar a capacidade nacional de defesa cibernética. Conforme o Exército, a formação de um operador especializado leva aproximadamente cinco anos e exige investimento de cerca de R$ 300 mil por profissional. Além disso, a expansão da Inteligência Artificial aumenta a preocupação com a proteção de dados estratégicos, já que o principal risco está na circulação de informações sensíveis em ambientes que escapam ao controle das instituições responsáveis.

Inteligência amplia foco para ameaças híbridas

Ao encerrar a exposição, os comandantes ressaltaram que as ameaças atuais combinam ações do crime organizado, ataques digitais, espionagem, campanhas de desinformação e ofensivas contra infraestruturas essenciais. Na avaliação da Inteligência do Exército, esse cenário exige investimentos contínuos em tecnologia, capacitação de especialistas e integração entre os órgãos responsáveis pela segurança pública e pela defesa nacional. Texto elaborado a partir de análise de Marcelo Godoy, no Estado de São Paulo

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