Presidente colombiano determina que a cerimônia de transmissão de cargo ocorra no Congresso, como prevê a legislação, e rejeita pedido do sucessor Abelardo de la Espriella para realizar o evento em uma instalação militar.
O presidente da Colômbia,
Gustavo Petro, proibiu que a cerimônia de posse do presidente eleito,
Abelardo de la Espriella, ocorra em um quartel militar. A decisão, anunciada neste domingo (13) por meio da rede social X, intensificou o clima de tensão política que marca a transição de governo no país.
Petro reafirma cumprimento da Constituição
Petro determinou que nenhuma instalação das Forças Armadas seja utilizada para a cerimônia de posse. Segundo o presidente, a Constituição colombiana estabelece que o novo chefe de Estado deve assumir o cargo em sessão do Congresso Nacional, em Bogotá.
Ao justificar a decisão, Petro afirmou que seguirá rigorosamente o procedimento constitucional adotado por todos os seus antecessores. Além disso, destacou que as leis colombianas não podem ser modificadas por conveniência política.
“Os quartéis do Exército e da Polícia estão sob meu comando até que o novo presidente tome posse.”
Gustavo Petro
Presidente eleito queria cerimônia em base militar
A controvérsia começou após
Abelardo de la Espriella solicitar ao novo Congresso autorização para realizar a cerimônia de posse em um quartel militar. Sem maioria no Legislativo, o presidente eleito buscava alterar o local tradicional do evento, marcado para 7 de agosto.
Entretanto, especialistas em direito constitucional e organização institucional destacam que a legislação colombiana exige que a posse presidencial ocorra perante o Congresso, na capital do país. Além disso, avaliam que a transferência de parlamentares para uma base militar criaria dificuldades logísticas e de segurança.
Acusações elevam crise política
A disputa entre Petro e De la Espriella ganhou novos capítulos nos últimos dias. O atual presidente afirma possuir indícios de fraude no segundo turno das eleições e convocou seus apoiadores para uma manifestação em 20 de julho. Até o momento, porém, nenhuma prova foi apresentada publicamente.
Em resposta, o presidente eleito acusou Petro de tentar permanecer no poder. Na semana passada, De la Espriella afirmou que o governo estaria preparando um “golpe de Estado” e pediu que as Forças Armadas defendessem a Constituição e desobedecessem qualquer ordem considerada ilegal.
Transição enfrenta novos impasses
A crise também afetou o processo de transição administrativa. Na última semana, Abelardo de la Espriella determinou a interrupção imediata dos trabalhos de sua equipe de transição, ampliando o impasse entre o governo que deixa o poder e a futura administração.
Apesar das divergências, Petro assegurou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante conversa telefônica realizada na última quinta-feira (9), que entregará o cargo dentro do prazo constitucional e garantirá uma transição pacífica.
Com a posse prevista para 7 de agosto, a Colômbia entra nas últimas semanas da atual gestão em meio a disputas institucionais, acusações mútuas e crescente polarização política.
Com AFP