Polônia revoga condecoração concedida a Zelensky após homenagem a grupo histórico controverso

O reconhecimento de Zelenski sobre as perdas ocorreu num momento em que as Forças Armadas do seu país estão em desvantagem Foto: Sergey Dolzhenko/Epa/Efe

Varsóvia reage à decisão do governo ucraniano de batizar unidade militar com nome ligado a massacres de civis poloneses na Segunda Guerra Mundial.

O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, anunciou nesta sexta-feira (19) a revogação da mais alta honraria do país concedida ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky. A medida responde diretamente à decisão do governo ucraniano de dar a uma unidade militar o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA), organização associada a crimes contra civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Honraria havia sido concedida em 2023

Zelensky recebeu a Ordem da Águia Branca em abril de 2023, em um gesto político que simbolizava o fortalecimento da parceria entre Polônia e Ucrânia. No entanto, a escolha recente do nome da unidade militar levou o governo polonês a rever o reconhecimento, diante da carga histórica negativa atribuída ao UPA.

Varsóvia aponta crimes históricos

Autoridades polonesas afirmam que integrantes do UPA foram responsáveis pela morte de cerca de 100 mil civis poloneses em regiões que hoje pertencem ao oeste da Ucrânia. O governo da Polônia classifica esses episódios como genocídio. Em pronunciamento público, Karol Nawrocki declarou que a maioria da sociedade polonesa associa o grupo principalmente a crimes brutais cometidos contra cidadãos do país durante a guerra.

Ucrânia critica decisão polonesa

O governo ucraniano reagiu de forma crítica à revogação da condecoração. O chanceler Andrii Sybiha classificou a medida como desrespeitosa e um erro estratégico. Segundo ele, a decisão enfraquece a cooperação entre países aliados e favorece interesses russos em meio ao conflito no Leste Europeu.

Grupo tem legado controverso

O Exército Insurgente Ucraniano atuou como braço armado de um movimento nacionalista que combateu o Exército soviético. Ao mesmo tempo, enfrentou a resistência polonesa e esteve envolvido na morte de civis poloneses e judeus. Em diferentes fases do conflito, o grupo colaborou com forças nazistas e, posteriormente, rompeu essa aliança.

Memória histórica divide os dois países

Na Ucrânia, especialmente após a invasão russa de 2022, setores da sociedade passaram a reverenciar o UPA como símbolo da luta pela independência nacional. Na Polônia, porém, a memória coletiva mantém viva a associação do grupo com massacres e violência contra civis.

Contexto históricoDurante a Segunda Guerra Mundial, o Exército Insurgente Ucraniano (UPA) atuou como braço armado de movimentos nacionalistas que buscavam a independência da Ucrânia. Nesse período, o grupo entrou em confronto direto com comunidades e forças de resistência polonesas em regiões hoje localizadas no oeste ucraniano. Entre 1943 e 1944, unidades do UPA promoveram ataques sistemáticos contra aldeias polonesas, resultando na morte de dezenas de milhares de civis, em episódios que a Polônia classifica como limpeza étnica e genocídio. Esses acontecimentos permanecem como um dos capítulos mais sensíveis da memória histórica polonesa e influenciam até hoje as relações entre os dois países.

Impacto nas relações bilaterais

A Polônia abriga atualmente quase 1 milhão de refugiados ucranianos. Mesmo assim, o episódio reacendeu tensões históricas. Pesquisa recente indica que 65% dos poloneses avaliam que a decisão de Zelensky prejudica a percepção das relações entre os dois países.

Com AFP

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