Zelensky propõe encontro com Putin e pede cessar-fogo imediato

Zelensky e Putin

Presidente ucraniano envia carta aberta ao líder russo, defende diálogo direto para encerrar a guerra e sugere negociações em país neutro

O presidente da Ucrânia propôs nesta quinta-feira (4/6) um encontro presencial com o presidente da Rússia como uma nova tentativa de pôr fim à guerra iniciada em fevereiro de 2022. A iniciativa foi formalizada em uma carta aberta enviada ao Kremlin, na qual o líder ucraniano também defende a adoção de um cessar-fogo total durante as negociações.

Segundo o governo russo, a carta foi recebida e será apresentada ao presidente. A proposta surge, portanto, em meio à paralisação das tratativas diplomáticas e ao recrudescimento de ataques recentes entre os dois países.

Carta defende diálogo direto e alerta para custo humano

Na mensagem, o presidente ucraniano afirma que seria “errado simplesmente esperar” até que a guerra na Europa volte a ser o foco da atenção dos Estados Unidos. Além disso, sustenta que a paz só pode ser alcançada “através do engajamento direto” entre Ucrânia e Rússia.

Ao tratar das perdas humanas, o tom se torna mais pessoal. “Não é como se nós, na Ucrânia, estivéssemos preocupados com o destino dos soldados russos depois de tudo o que a sua guerra trouxe ao nosso país. Mas eu me importo com os ucranianos. Estamos perdendo nosso povo, e cada perda é dolorosa para nós.”

Ao mesmo tempo, o presidente afirma que a população russa também sente os efeitos do conflito, citando ataques de drones e mísseis, escassez de gasolina, aumento de preços e o cansaço provocado pela guerra prolongada.

Proposta inclui cessar-fogo e local neutro para negociações

O líder ucraniano pediu um cessar-fogo total enquanto durarem as conversas, embora essa possibilidade já tenha sido descartada anteriormente pelo governo russo. Ainda assim, ele insiste que a Ucrânia propõe o fim da guerra “por meio de um diálogo direto”.

Na carta, ele encoraja o presidente russo a encerrar o conflito. “Não tenha medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. É isso que mais se exige de você agora”, escreveu.

Além disso, acrescenta que negociações presenciais poderiam ocorrer em um país neutro, como Suíça ou Turquia, e reforça que aguardar uma mudança no foco internacional seria um erro estratégico.

Putin reage com cautela e questiona legitimidade

Em declarações a jornalistas estrangeiros durante um fórum econômico em São Petersburgo, o presidente russo afirmou estar “certamente preparado e disposto a chegar a um acordo com a Ucrânia”, mas ressaltou que isso exigiria compromissos. Ainda assim, lançou dúvidas sobre a viabilidade de um encontro direto.

“Se o Sr. Zelensky é um representante legítimo da Ucrânia, isso é uma questão para os advogados, para uma análise jurídica”, disse.

O líder russo também reiterou o interesse em controlar toda a região de Donbas e sugeriu que a União Europeia poderia pressionar o presidente ucraniano a se render.

Troca de acusações e episódios recentes de violência

Na carta, o presidente da Ucrânia acusa o governo russo de adiar repetidamente prazos autoimpostos para capturar territórios e menciona diretamente a região de Donetsk, em Donbas. “Vocês não a capturarão”, afirmou.

Esse posicionamento ocorre em um contexto de novos ataques. Na véspera, forças ucranianas lançaram drones nos arredores de São Petersburgo, episódio citado na carta como uma “visita”. Em outro incidente, autoridades apoiadas pela Rússia na Crimeia ocupada atribuíram à Ucrânia a morte de quatro pessoas em ataques a Simferopol, enquanto Kiev declarou ter atingido um depósito de combustível.

Trump vê com bons olhos possível encontro

O presidente dos Estados Unidos comentou a iniciativa e avaliou positivamente a possibilidade de diálogo direto entre os dois líderes. “Fico feliz que eles estejam talvez falando sobre se encontrar. Acho que tivemos muito a ver com isso”, afirmou.

Ele acrescentou: “Acho que seria ótimo se eles se encontrassem. Deveriam. Que isso se resolva.”

Questionado sobre quais concessões seriam necessárias, o presidente americano evitou detalhar. “Quero que cada um faça certos compromissos, e acho que eles vão fazer isso.”

Rússia critica posição dos EUA

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a posição dos Estados Unidos sobre a Ucrânia não difere da adotada por aliados europeus. Em tom crítico, declarou: “A guerra de Biden se tornou a guerra de Trump.”

Enquanto isso, a proposta de encontro permanece sem resposta concreta, mantendo em aberto a possibilidade — ainda incerta — de retomada do diálogo direto entre Kiev e Moscou.

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