STM confirma condenação de suboficial da Marinha por assédio sexual contra cabo transexual

Suboficial da Marinha foi condenado por assédio a cabo transsexual (Imagem ilustrativa, gerada por IA)

“Se der mole, te racho!” Frase de cunho sexual e discriminatório foi decisiva para a condenação mantida por unanimidade

A Justiça Militar confirmou, em duas instâncias, a condenação de um suboficial da Marinha do Brasil por assédio sexual contra uma cabo transexual durante um curso de formação realizado no Rio de Janeiro. O caso ocorreu em fevereiro de 2024 e envolveu abuso de autoridade, violência de gênero e discriminação no ambiente militar.

Em julho de 2025, o Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Justiça Militar da União condenou o militar, por maioria, à pena de um ano de detenção, em regime aberto. Em seguida, a defesa recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM), que analisou o caso em segunda instância.

Abordagem após formatura

De acordo com a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), no dia 6 de fevereiro de 2024, o suboficial, então comandante de Companhia, abordou a cabo logo após uma formatura dentro da escola militar.

Durante a abordagem, ele puxou a militar pelo braço e, em tom de voz baixo, proferiu a seguinte frase:

“Na época do navio eu não tinha coragem de te rachar, mas agora que você é mulher, se você der mole eu te racho”.

A declaração fazia referência ao período anterior à transição de gênero da vítima, quando ambos serviram juntos em uma fragata da Marinha, em 2011.

Reação imediata da vítima

No dia seguinte ao episódio, a cabo sofreu uma crise de ansiedade durante a formação matinal do curso. Ela apresentou sintomas físicos intensos, como contrações musculares, câimbras e desmaio.

A militar recebeu atendimento imediato na enfermaria da escola, foi medicada e, posteriormente, encaminhada para acompanhamento psicológico. Ainda emocionalmente abalada, procurou sua comandante e relatou o ocorrido.

Diante do relato, a oficial instaurou sindicância e encaminhou o caso à Justiça Militar, dando início à apuração criminal.

Decisão do STM

Em maio de 2026, o Plenário do STM manteve, por unanimidade, a condenação ao negar o recurso da defesa. O tribunal confirmou integralmente a sentença de primeira instância. O processo tramitou em segredo de justiça para preservar a identidade da vítima.

Ao votar, o ministro relator, Péricles Aurélio Lima de Queiroz, afirmou que a cabo descreveu com precisão as circunstâncias de tempo, lugar e modo da conduta. Segundo ele, o relato foi coerente e detalhado.

Além disso, o magistrado destacou que a reação imediata da vítima reforçou a credibilidade da narrativa. Para o relator, a procura rápida pela comandante indicou comportamento compatível com quem sofreu uma agressão de natureza sexual.

Provas e hierarquia

A Corte rejeitou a alegação de insuficiência de provas apresentada pela defesa. Embora não houvesse testemunhas diretas da conversa, o relator explicou que crimes dessa natureza costumam ocorrer sem terceiros presentes.

Ainda assim, os depoimentos confirmaram o impacto imediato do episódio e demonstraram que a vítima comunicou rapidamente os fatos à cadeia de comando, que adotou providências administrativas e investigativas.

O voto ressaltou a relação hierárquica entre as partes. O acusado exercia função de comando, enquanto a vítima era aluna do curso de formação, o que caracterizou clara ascendência funcional.

Violência de gênero

O relator também destacou o caráter discriminatório da conduta. Segundo ele, o episódio ultrapassou a violação da dignidade sexual e configurou violência de gênero e discriminação por identidade de gênero.

Para o magistrado, a atitude do suboficial contribuiu para a manutenção de um ambiente hostil e inseguro para militares transexuais dentro da instituição.

Ao final, o STM manteve as medidas protetivas impostas durante o processo. O tribunal proibiu o militar de manter contato com a vítima, de se aproximar dela e de frequentar o quartel onde ocorreram os fatos.

Respostas de 9

  1. Em pensar que esse desrespeito era o normal até os anos 2000 quando houve uma guinada. Apenas se tinha respeito as mulheres “Cis”. Ainda bem que a sociedade passou a mudar o pensar e passou a criminalizar a conduta. Algumas pessoas pensam que só porque alguém tem gênero diferente tem que ser promíscuo. Absurdo!

    1. mole lex, o defensor dos fracos e oprimidos….ridículo…como sempre comentários verborrágicos, se acha O entendedor de tudo, professor de deus, progressista de carteirinha, defensor do 9 dedos larápio…na verdade nao passa de um arrogante, frustrado com a carreira que te pagou seu soldinho miserável a vida toda, agora cospe no prato que comeu. Cara, tu nao vale mesmo nada.

      1. Pelo que li a inveja soprou daí, Hem! Vai estudar e aprender algo, pois quem sabe não melhore seus argumentos ao invés de dar coice a torto e a direito. Passar bem.

  2. foi por esse motivo que sabiamente o Secretário de Defesa dos EUA, expurgou das fileiras das forças armadas esse tipo de pessoa. é a palavra de um contra do outro.

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