Avibrás retoma produção de mísseis e foguetes após quatro anos com aporte de R$ 300 milhões

Imagem ilustrativa, gerada por IA
A Avibrás retomou a produção de mísseis, foguetes e veículos militares após quase quatro anos de paralisação. Em recuperação judicial desde 2022, a empresa voltou a operar em São José dos Campos sob o nome Avibrás Aeroco, após captar R$ 300 milhões com investidores privados, entre eles Joesley Batista. Administrada pelo Fundo Brasil Crédito, a companhia preserva seus ativos industriais e tecnológicos e aposta em encomendas estratégicas das Forças Armadas para sustentar a retomada.

Empresa em recuperação judicial desde 2022 volta a operar em São José dos Campos sob o nome Avibrás Aeroco, com apoio de investidores privados liderados por Joesley Batista

A Avibrás anunciou nesta quinta-feira (30) a retomada de suas atividades industriais após quase quatro anos de paralisação.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em recuperação judicial desde 2022, a empresa voltou a operar em sua planta de São José dos Campos (SP) sob um novo nome — Avibrás Aeroco — depois de levantar R$ 300 milhões junto a investidores privados, entre eles o empresário Joesley Batista, controlador da J&F.

A reativação das operações encerra uma greve que durou 1.281 dias, viabiliza a renegociação de dívidas trabalhistas e inclui a contratação de cerca de 300 funcionários.

A nova empresa é administrada pelo Fundo Brasil Crédito, principal credor da antiga Avibrás e autor do plano alternativo de reestruturação aprovado pela Justiça e pelos credores.

A produção será retomada com foco em foguetes, mísseis e veículos especiais, incluindo os sistemas da família Astros, considerados estratégicos para as Forças Armadas.

Segundo a companhia, todos os ativos industriais e tecnológicos da antiga Avibrás foram preservados e incorporados à nova estrutura societária, que passa a operar com um modelo de governança e organização financeira reformulado.

De acordo com o diretor-presidente da Avibrás Aeroco, Sami Hassuani, a empresa reúne um portfólio tecnológico consolidado e ativos estratégicos essenciais para um setor que exige planejamento de longo prazo e estabilidade.

Em comunicado, a companhia afirmou que inicia suas atividades com bases sólidas de governança, estrutura financeira e capacidade operacional, deixando para trás o período de instabilidade que levou à recuperação judicial.

O plano de reestruturação previa, além dos R$ 300 milhões obtidos com investidores privados, a captação de recursos públicos.
Mesmo sem a liberação desses valores, a direção decidiu antecipar a retomada da produção.

Com atuação internacional, a Avibrás desenvolve e fabrica sistemas de defesa e soluções espaciais civis, incluindo mísseis, foguetes e lançadores. A empresa destaca o domínio de tecnologias críticas de propulsão e integração de sistemas complexos, consideradas estratégicas e de difícil transferência no cenário global.

Atualmente, os principais contratos da companhia são com o Exército Brasileiro e com a Força Aérea Brasileira. Entre os projetos em andamento está a conclusão do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), desenvolvido em parceria com o Escritório de Projetos do Exército e com cerca de 90% do desenvolvimento concluído, além do Míssil Tático Balístico (MTB) S+100, apontado como promissor para exportação.

A expectativa é que a retomada das atividades seja sustentada por encomendas vinculadas a projetos estratégicos de defesa, amparados pela Lei Complementar 221, que autoriza a exclusão de investimentos do setor do arcabouço fiscal até 2031.
Segundo a empresa, a preservação de sua base industrial e tecnológica é considerada fundamental para a soberania nacional em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica.

 

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