Temor de ataque russo leva Polônia a liderar gastos militares na Europa e ampliar Forças Armadas

Soldados poloneses caminham perto de tanques Abrams M1A1 -
Kacper Pempel/Reuters

 

País acelera rearmamento, aumenta efetivo e eleva orçamento de defesa ao maior nível da Otan diante da percepção de ameaça russa crescente.

Com o temor crescente de um ataque da Rússia, a Polônia acelerou um amplo processo de fortalecimento de suas Forças Armadas e já lidera os gastos militares entre os membros europeus da Otan. Desde a invasão russa à Ucrânia, em 2022, a percepção de que uma ofensiva pode ser apenas “questão de tempo” passou a orientar decisões do governo e a moldar o cotidiano da população.

Autoridades e especialistas afirmam que o país precisa estar preparado para um ataque direto, ainda que limitado. O consenso político em torno da defesa nacional reúne tanto o presidente Karol Nawrocki quanto o primeiro-ministro Donald Tusk. A estratégia inclui aumento do efetivo militar, construção de trincheiras e muros eletrificados na fronteira, treinamento básico com armas nas escolas e compras aceleradas de armamentos, sobretudo dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

Dados do Sipri indicam que a Polônia se tornou a maior força terrestre convencional da União Europeia e já possui o terceiro maior Exército da Otan, atrás apenas de EUA e Turquia. O contingente passou de 130 mil soldados em 2022 para 216 mil em 2025, com meta de alcançar 300 mil. No mesmo período, o país respondeu por 3,6% das importações globais de armas e elevou seu orçamento de defesa para um patamar projetado de 4,8% do PIB, o mais alto da aliança.

O receio não se limita a uma invasão clássica. Autoridades relatam ações híbridas atribuídas a Moscou, como campanhas de desinformação, espionagem e ataques cibernéticos. Em 2025, a derrubada de drones russos que violaram o espaço aéreo polonês intensificou o estado de alerta e levou o governo a distribuir à população um manual de procedimentos em caso de ataque.

A ameaça representada pelo presidente russo Vladimir Putin é amplamente reconhecida pela sociedade, atravessando gerações marcadas pelo trauma histórico de destruições passadas. Diante de incertezas sobre o apoio irrestrito de aliados, especialmente dos EUA, a Polônia aposta em autonomia defensiva para dissuadir qualquer agressão e reforçar sua posição como potência militar regional. Com informações de O Globo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *