Aporte do empresário, preso duas vezes por corrupção e propina, garante retomada da maior indústria bélica do País e atende à preferência das Forças Armadas por controle nacional, mesmo diante do histórico criminal do financiador.
Ricardo Montedo
A decisão do empresário Joesley Batista de financiar a recuperação da Avibrás, maior fabricante de armamentos do País, expõe uma contradição sensível na política de defesa nacional: para setores das Forças Armadas, é preferível manter a empresa sob controle de um empresário brasileiro com histórico de corrupção do que permitir sua aquisição por grupos estrangeiros.
Controlador do grupo JBS e protagonista de alguns dos episódios mais emblemáticos da Operação Lava Jato, Joesley assinou um contrato de funding que integra a captação privada de R$ 300 milhões destinada à reestruturação da Avibrás, em recuperação judicial desde 2022. O aporte é coordenado pelo Fundo Brasil Crédito, hoje o principal credor da empresa e autor do plano alternativo de recuperação aprovado pela Justiça. A informação é de Luiz Vassallo e Marcelo Godoy, do Estado de São Paulo.
Histórico vai de corrupção a pagamento de propina
O investimento ocorre apesar do histórico criminal do empresário. Joesley Batista foi preso duas vezes entre 2017 e 2018. Na primeira, foi acusado de usar informações privilegiadas oriundas de sua própria delação premiada para lucrar no mercado financeiro, comprando dólares e vendendo ações antes da divulgação de áudios que provocaram forte instabilidade econômica. Na segunda, foi detido preventivamente na Operação Capitu, sob suspeita de corrupção ativa e pagamento de propina a políticos e servidores do Ministério da Agricultura em troca de favorecimentos regulatórios à JBS. Além disso, sua delação chegou a ser suspensa por omissão de informações relevantes, caracterizando obstrução de Justiça.
“A Avibrás é nossa!”
Ainda assim, o dinheiro do empresário resolveu um impasse estratégico para o governo federal e para o Ministério da Defesa. Considerada essencial para a soberania nacional, a Avibrás despertou o interesse de grupos estrangeiros nos últimos anos, entre eles a chinesa Norinco, a australiana DefendTex e a saudita Black Storm Military Industries. A possibilidade de venda a empresas estrangeiras encontrou forte resistência nas Forças Armadas.
No âmbito da Aeronáutica, a avaliação predominante foi a de que a perda do controle nacional da Avibrás representaria risco estratégico inaceitável, mesmo que a alternativa fosse aceitar como financiador e potencial controlador um empresário com histórico de corrupção e condenações confessadas. Oficiais ouvidos reservadamente sustentam que a dependência tecnológica externa seria mais danosa à defesa nacional do que o envolvimento de um grupo empresarial marcado por escândalos.
Projetos estratégicos
A Avibrás mantém contratos centrais com o Exército e a Força Aérea, sendo responsável pelo sistema de foguetes Astros e pelo desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), considerado um dos principais projetos estratégicos da Defesa brasileira. O domínio dessas tecnologias é visto como sensível demais para ser transferido a grupos estrangeiros, sobretudo em um cenário internacional de crescente instabilidade geopolítica.
Retomada
O aporte privado liderado por Joesley permite a retomada da produção já a partir de maio, mesmo antes da liberação de recursos públicos previstos no plano original, que incluía financiamentos do BNDES, da Finep ou do PAC. Também viabiliza o encerramento de uma greve que durou mais de três anos e o pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a cerca de 1,4 mil ex-funcionários.
A operação ocorre, contudo, em meio à disputa judicial da J&F Investimentos para reduzir a multa de R$ 10,3 bilhões firmada em acordo de leniência com o Ministério Público Federal, além do histórico de repasses públicos à Avibrás, que já somam quase R$ 400 milhões entre renúncias fiscais e contratos governamentais.
Ética x dependência externa
O caso escancara um dilema recorrente do Estado brasileiro: ao priorizar a soberania e o controle nacional de ativos estratégicos, o poder público acaba aceitando como solução de curto prazo a associação com grupos empresariais cuja trajetória está marcada por corrupção, pagamento de propina e manipulação institucional. No setor de defesa, a escolha feita com a Avibrás deixa claro que, para as Forças Armadas, especialmente a Aeronáutica, o risco político e ético interno é considerado menor do que a dependência externa em áreas sensíveis da indústria bélica.
Respostas de 4
um herói nacional.
Não é interesse na segurança do país… Não é patriotismo… Não é apreço a classe militar… O nobre empresário corrupto apenas descobriu… Como diz na música de Renato Russo: Pra quê exportar comida… Se as armas dão mais lucro na exportação… O senhor da guerra não gosta de crianças… Vida que segue…
Poxa vc é um pacifista !!!! Achei que ia comentar sobre as relacoes promícuas dele com o Luladrao 9 dedos eseus corruPTos amestrados , mas nao!!! fez uma poesia sobre a paz mundial, típica dos esquerdalhas….Parabéns !!! Por se revelar aquilo que os esquerdistas sempre serao….hipócritas