Cláudia Lima Gusmão Cacho afirma que avanço das mulheres na hierarquia militar é resultado natural da carreira, defende neutralidade política nos quartéis e destaca liderança baseada no exemplo e na competência
A promoção da general Cláudia Lima Gusmão Cacho ao generalato marca um ponto de inflexão na história do Exército Brasileiro e sinaliza mudanças graduais, porém irreversíveis, na estrutura de poder da Força. Primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general, a médica militar afirma que a chegada feminina ao Alto Comando é apenas uma questão de tempo, fruto de uma “evolução natural” da carreira e do desempenho profissional acumulado ao longo dos anos. As declarações foram feitas em entrevista a Jennifer Gularte, de O Globo.
Com 30 anos de trajetória no Exército, Cláudia Gusmão avalia que o avanço das mulheres aos postos mais altos não depende de medidas excepcionais, mas da consolidação dos atuais mecanismos de ingresso e progressão. Segundo ela, à medida que oficiais formadas na Academia Militar das Agulhas Negras alcançarem os níveis superiores da hierarquia, disputarão em igualdade de condições com os homens. Hoje, o Alto Comando — formado por 16 generais de quatro estrelas — ainda é exclusivamente masculino.
Recém-promovida, a general se prepara para assumir a direção do Hospital Militar de Área de Brasília, onde também passará a chefiar soldadas que ingressaram voluntariamente no Exército. Sua proposta de liderança está ancorada no exemplo, na capacidade técnica e na seriedade, com ênfase em valores como resiliência, empatia e escuta. Para ela, a representatividade tem papel central para estimular novas gerações de mulheres a permanecer e avançar na carreira militar.
Na entrevista, Cláudia Gusmão relata que o ingresso no Exército exigiu adaptação, especialmente no aspecto físico, mas destaca que a formação contínua — com cursos militares, de Estado-Maior e especializações na área de gestão hospitalar — foi decisiva para ampliar suas atribuições e viabilizar a chegada ao generalato. O ineditismo, segundo afirma, é motivo de emoção, mas deve ser encarado como um passo inicial para que outras mulheres sigam o mesmo caminho.
A general também aborda temas institucionais sensíveis. Ao tratar da punição de militares envolvidos em tentativa de golpe de Estado, reafirma o papel do Exército como instituição de Estado, comprometida com a democracia, a legalidade e a disciplina. Em ano eleitoral, reforça que os militares votam e têm opinião, mas mantêm a política afastada dos quartéis, preservando o foco na missão constitucional.
Sobre a capacidade de defesa do país diante de restrições orçamentárias, Cláudia Gusmão ressalta o planejamento de longo prazo das Forças Armadas e destaca projetos estratégicos do Exército voltados à modernização, à tecnologia e à defesa cibernética e antiaérea. Para ela, a posição estratégica do Brasil impõe a necessidade permanente de preparo.
Ao projetar o futuro, a general evita personalizar ambições. Afirma que o generalato já é um funil restrito — especialmente na área de saúde — e que seu objetivo imediato é realizar uma gestão eficiente no hospital que irá comandar. Ainda assim, sua trajetória simboliza uma mudança estrutural: a presença feminina no topo da hierarquia militar deixou de ser exceção improvável e passou a integrar o horizonte institucional do Exército Brasileiro.
Respostas de 12
É questão de tempo também a evasão de militares pedindo desligamento por causa dos baixos salários.
Sou sub do APP UBER não por opção, mas por necessidades.
kkkk ficou porque quis meu amigo. as portas estavam abertas pra ir embora. nao saiu pq nao quis
Ainda assim vai ganhar menos que um Tenente-coronel da PMDF.
mas pelo menos vai estar mais tranquila, menos risco
e sim, é valorização
elas nao tem culpa se voce é misogino
Se tiver outras esposas de Generais, quem sabe que o número de generala aumente.
Meus parabéns, então Cel casada com Gen Div. Será q isso teve peso na escolha?!?! 🤔🤔🤔🤔🤔🤔
Lacradora
pelos critérios atuais, é impossível isso acontecer.
para as militares médicas, intendentes, engenheiras militares e material bélico, o topo é general de divisão.
E o alto comando, com exceção do comandante militar do planalto (por sinal, general combatente), é integrado por generais de exército.
Para ser do Alto Comando, tem que ser General 4 estrelas, e de saúde somente chega a 3 estrelas…
mais uma querendo aparecer, antigamente Generais nem entrevista davam, agora viraram celebridade, quero ver se em uma guerra terão tanto desempenho como fazem quando dão entrevista.
Mulheres nunca chegarão no alto comando, pois não podem ser combatentes. Apenas as armas base podem chegar a general 4 estrelas.
Como de costume, ninguém toca no ponto da valorização do pessoal.