Oficial da Aeronáutica executado em 1964 recusou ordem para bombardear Porto Alegre

O tenente coronel da FAB Alfeu de Alcântara Monteiro foi morto em 4 de abril de 1964

Tenente-coronel Alfeu de Alcântara Monteiro foi morto três dias após o golpe militar e só décadas depois teve reconhecida oficialmente sua condição de primeiro militar vítima da ditadura no Brasil

 

Sessenta e dois anos após sua morte, a trajetória do tenente-coronel da Aeronáutica Alfeu de Alcântara Monteiro permanece como um dos episódios mais emblemáticos do início da ditadura militar no Brasil. Executado em 4 de abril de 1964, no Quartel-General da 5ª Zona Aérea, em Canoas, ele foi reconhecido décadas depois como o primeiro militar vítima do regime instaurado após a queda do presidente João Goulart.

Natural de Itaqui, na Fronteira Oeste gaúcha, Alfeu se recusou a aderir ao novo governo e não acatou ordens consideradas ilegais. A versão oficial divulgada à época sustentava que o oficial teria sido morto em legítima defesa, após supostamente ferir o interventor Nelson Lavanère Wanderley. O autor do disparo fatal, Roberto Hipólito da Costa, acabou absolvido em um processo marcado por irregularidades e vínculos com a cúpula do regime, já que era sobrinho do marechal Humberto de Alencar Castello Branco.

Investigações posteriores desmontaram essa narrativa. Documentos reunidos por entidades de direitos humanos e o auto de necropsia indicaram que Alfeu foi atingido por ao menos 16 projéteis, muitos pelas costas, caracterizando uma execução. O caso passou a simbolizar a repressão interna sofrida também por militares que defenderam a legalidade constitucional.

Antes do golpe, Alfeu havia atuado na Campanha da Legalidade, em 1961, movimento que garantiu a posse de João Goulart e teve como epicentro Porto Alegre. Ao lado do então governador Leonel Brizola e do general Machado Lopes, o tenente-coronel ajudou a impedir a decolagem de aeronaves que poderiam bombardear o Palácio Piratini, sede do governo estadual.

A reviravolta jurídica só veio décadas depois. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade concluiu que a morte ocorreu em contexto de graves violações de direitos humanos praticadas pelo Estado. Em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou a retificação dos registros oficiais, reconhecendo que Alfeu foi morto por motivações político-ideológicas e encerrando, do ponto de vista legal, a tese de legítima defesa.

Como forma de reparação simbólica, o nome do oficial foi dado, em 2016, a uma praça próxima ao acesso de Canoas pela BR-116, onde também foi instalado um busto em sua homenagem. A memória de Alfeu de Alcântara Monteiro permanece associada à defesa da Constituição e ao custo humano imposto pelo autoritarismo, inclusive dentro das próprias Forças Armadas.

Praça Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, em Canoas
Praça Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, em Canoas (reprodução)

Com informações do g1 RS

Respostas de 27

  1. Conheci vários militares perseguidos e expulsos da MB durante a ditadura militar. Todos foram expulsos por não compactuar com o regime imposto. Antes de alguém já dizer que era comunistas “comedores de crianças”, nenhum deles compartilhavam essas visões. Alegavam que foram mandado embora por defender a constituição vigente a época. Que o regime não era legítimo e que grande parte da população era contra. E que a propaganda do sistema era eficaz em enganar alguns. Um deles era suboficial e tinha quase 20 anos de serviço ativo e com a anistia foi levado a Capitão Tenente auxiliar. Algumas pessoas desconhecem o que ocorreu nesse tempo sombrio, alguns querem seu retorno.

    1. Com todo o respeito, essa história está sendo contada pela metade nos dias atuais.

      Que a ditadura militar cometeu erros e afrontou os direitos humanos, ninguém tem dúvidas.

      Mas o outro lado não era o “mocinho” da história.

      Houve ali uma luta entre uma ditadura de direita e uma tentativa de implantar uma ditadura de esquerda.

      Lamarca, marighela, Dilma Roussef, José Genoíno, José Dirceu, e outros, não estavam lutando pela democracia ou pela redemocratização.

      Essa narrativa – de luta pela democracia – foi criada no início dos anos 1980 de forma oportunista, visando indenizações milionárias. É como registrou Millôr Fernandes: “não sabia que aquilo era investimento”.

      Em suma, não existiu nem herois e nem mocinhos naquela época.

    2. seu de um Almirante, que foi morto por uma bomba no aeroporto dos Guararapes. Tem também o Soldado Kozel que quando de sentinela foi morto por um carro bomba. e tem o Ten Mendes Junior que foi morto a coronhadas pelo Lamarca.

  2. Como sempre, na história brasileira, um herói foi resgatado dos grilhões do esquecimento e da injustiça para figurar como mártir de um povo, de uma cidade. Porto Alegre deveria erguer um monumento mais alto do que a torre do gasômetro para reconhecer e agradecer seu sacrifício, sua coragem, tão escassa em fardas, e seu heroísmo.

  3. O Golpe de 64 teve “sucesso” e aqueles que se colocaram a favor da democracia e do estado democrático de direito foram perseguidos e muitos foram assassinados. Recentemente tentaram golpear o Brasil novamente e tivesse dado certo, milhares de brasileiros, civis e militares, seriam caçados, presos e assassinados como bem disse o ex PF que fazia parte do plano. Graças a Deus essa tragédia não foi para frente e hoje o governo “comunista e assassino” não matou os traidores do Brasil. Ao contrário os mantém confortavelmente instalados em suítes presidenciais e muito em breve os libertará a todos.

  4. Inicialmente foi tido como legítima defesa já que ele foi armado e disparou dois tiros no Brigadeiro e foi almejado pelo militar que o escoltava e estava atrás dele com uma metralhadora. Depois, com a revisão, ele teria atirado somente após ter sido metralhadora e atirou em quem estava desarmado depois dos 16 tiros pelas costas.

  5. Tem muita gente pensando que somente civis foram presos e torturados durante os arroubos do Regime Militar. Não se dão conta que, quem pôde, se mudou para Londres, Paris ou Nova Iorque. E os militares rebelados, para onde poderiam ir ??

    1. Na MB ou ficavam naquela ilha das cobras ou naquela ilhota de frente ao Forte Copacabana ou até em navios. muitos morreram pelo péssimo estado de salubridade ou tortura ou saíram doentes destes lugares. Décadas antes, João Cândido ficou preso nesses dois lugares e retratou como foi tratado por lá.

      1. e mentira…vc para agradar o seu ídolo mente se ficar vermelho. Navio prisão era da época da verdadeira ditadura, Vargas.

        1. Você desconhece e agride, mas vamos lá o Navio Transporte Custodio de Mello, anterior navio escola, NRb Tridente e outros foram usados como prisão e isso já foi comprovado por estudos e testemunhas. Vá pesquisar, antes de atacar e tentar desacreditar os outros. Quando citei um caso (João Cândido) há décadas anteriores a 64 que também existia tal tática e você nem se dignou a ler todo meu comentário.

    2. Dados da Comissão Nacional Da Verdade mostram que o maior grupo social de perseguidos foi composto por militares que são a maioria de anistiados com cerca de 3.600 casos.

  6. Naquela época nas forças armadas existiam os 🍉 melancias , mas na surdina, quando mostraram a cara apoiando o presidente comunista o Brizola e outros, não tinha mas volta, só que houve o contra golpe e os militares tomaram o poder, fazer a limpa era preciso e foi feita.
    Hoje os 🍉 estão mostrando a cara confiantes de novo, a lista está feita, só esperando o novo contra golpe.
    Muito cuidado quem pede ou se filia a sindicato militar, entra na justiça contra a força, fala o que quer e o que não quer, achando que tudo ficará sem reação.
    Nada será esquecido e Tudo será cobrado.

  7. Virou nome de praça mas nunca vai ser nem nome de Cassiano nas FA. Os Militares brasileiros são Doutrinados a enaltecer golpe de Estado. O 08/01 não por acaso, foi resultado de anos de doutrinação nas academias.

  8. É verdade que o adicional de Aperfeiçoamento vai pra 65%,
    E o adicional militar pra 40%?
    Idade mínima 55 anos pra reserva e criação de uma graduação entre 1° SG e SO?
    Um passarinho buzinou

  9. Anônimo 6 ABR 26 20:32. Não há nenhuma previsão de aumento dos adicionais. Tb, não há nenhum estudo sério para a criação de ➕️ duas graduações (Sgt-Mor e ST-Mor) para os Praças. Sim. Há um PL no Congresso Nacional para criar a idade mínima de 55 anos para os militares terem direito a pedir a reserva remunerada e fim da pensão por morte ficta. https://www.sociedademilitar.com.br/2025/12/projeto-que-muda-aposentadoria-dos-militares-esta-engavetado-ha-1-ano-e-ninguem-quer-relatar-fim-da-pensao-por-morte-ficta-idade-minima-e-nova-taxa-estao-em-jogo-afch.html

  10. O tenente-coronel da Aeronáutica Alfeu de Alcântara Monteiro foi oficialmente reconhecido pela Justiça Federal como o primeiro militar vítima da Ditadura Militar. Em 4 de abril de 1964, apenas três dias após a deposição de João Goulart, Alfeu foi assassinado a tiros no Quartel General da 5ª Zona Aérea, em Canoas (RS). A versão oficial da época, forjada pelos órgãos de repressão, sustentava que o oficial havia sido morto em “legítima defesa” após supostamente ferir um superior, tese que foi desmentida décadas depois por laudos que comprovaram uma execução a sangue frio.
    Documentos e testemunhos reunidos pela Comissão Nacional da Verdade revelaram que Alfeu foi morto com uma rajada de metralhadora pelas costas, com o auto de necropsia confirmando a existência de 16 projéteis em seu corpo. O autor do disparo fatal foi o tenente-coronel Roberto Hipólito da Costa, sobrinho do marechal Castello Branco, primeiro presidente do regime militar. Alfeu havia se tornado um alvo por sua postura legalista: em 1961, durante a Campanha da Legalidade, ele se recusou a cumprir ordens para bombardear o Palácio Piratini e Porto Alegre, agindo em defesa da posse constitucional de Jango.
    A reviravolta jurídica definitiva ocorreu quando a Justiça Federal declarou que a morte de Alfeu foi um crime por motivações político-ideológicas. A sentença determinou que a União retificasse os registros civis e militares do oficial, substituindo a versão de legítima defesa por “morte violenta por disparos de arma de fogo”. Em homenagem à sua memória e aos seus ideais democráticos, um busto do militar foi inaugurado em uma praça no acesso a Canoas, simbolizando o reconhecimento do Estado sobre as violações sistemáticas de direitos humanos cometidas contra militares que se recusaram a apoiar o golpe de 1964.

    1. Inconsciente, já pagou a mensalidade de filiacao ao PSOL? Deveria ter estudado mais outras matérias, ao invés dessa porcaria que escreve

    2. Parabéns pelas palavras embasadas na história nacional. Quem fala a verdade sempre tem sempre alguém querendo calar, ou por via de xingamento ou por inverdades.

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