Militares veem risco de agravamento da crise institucional e cobram rigor do Supremo Tribunal Federal

General Tomás e demais comandantes em cerimônia do Dia do Exército: continência ao presidente Lula Ricardo Stuckert/ Presidência da República

 

Preocupada com o desgaste institucional, chefes das Forças Armadas cobram rigor e devido processo do Supremo Tribunal Federal, relatam diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reforçam que observam a crise política fora do centro do poder.

 

Em artigo publicado no Estado de São Paulo, o jornalista William Waack traça um retrato inquietante da atual crise institucional brasileira a partir da percepção das cúpulas das Forças Armadas. Embora preocupados com o cenário político e jurídico, os comandantes militares fazem questão de se posicionar como observadores externos da crise — “na arquibancada”, como define um deles —, ainda que atentos aos riscos que se avolumam.

Diálogo com Lula e cobrança ao STF
Segundo Waack, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação direta com os efeitos do escândalo Master e buscou ouvir os comandantes militares sobre o “sentimento da tropa” em relação ao Supremo Tribunal Federal. No encontro, que reuniu também autoridades do sistema de Justiça, os militares deixaram claro que esperam do STF o mesmo rigor investigativo e punitivo aplicado aos envolvidos na tentativa de golpe.

A cobrança central, conforme o artigo, não é política, mas processual: respeito ao devido processo legal, mesmo que isso implique consequências para integrantes da própria Corte. Nesse contexto, Waack destaca que, para alguns oficiais, medidas como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ajudariam a reduzir tensões e a sensação de seletividade nas decisões judiciais, especialmente associadas à atuação do ministro Alexandre de Moraes.

Risco de desgaste institucional
Um dos pontos mais sensíveis do texto é o alerta sobre a rápida erosão da confiança de parcelas relevantes da sociedade no STF. Para os militares ouvidos por Waack, esse processo pode abrir espaço — ainda que remoto — para episódios de desobediência civil, algo visto como altamente perigoso para a estabilidade democrática. O diagnóstico é de um “cenário maluco”, em que reações políticas e institucionais acabam agravando a crise em vez de contê-la.

Geopolítica e limitações militares
Waack também amplia a análise para o plano internacional. As Forças Armadas estariam preocupadas com a exposição de suas limitações materiais para a defesa do País e com os dilemas impostos pela nova política de segurança dos Estados Unidos, que exigiria alinhamento estratégico quase automático no hemisfério. Apesar disso, prevalece um “pacto de silêncio” para evitar que tensões políticas contaminem a cooperação em defesa.

Nesse esforço de equilíbrio, os militares buscam preservar relações estratégicas com os americanos, ao mesmo tempo em que evitam uma aproximação excessiva com a China. Paralelamente, o Brasil tenta diversificar parcerias no setor de defesa, com destaque para Turquia e Índia, além de negociações que envolveriam linhas de crédito bilionárias para a compra de armamentos.

Fora do jogo, mas atentos
O artigo conclui que há um certo alívio entre os comandantes pela saída dos militares da linha de frente da política institucional, mesmo sob pressão de setores da reserva. Ainda assim, a metáfora da arquibancada não sugere indiferença: as Forças Armadas observam com apreensão um “espetáculo” cujo desfecho permanece incerto, em meio a uma crise que combina tensão institucional, desgaste do Judiciário e desafios estratégicos no cenário internacional.

Respostas de 21

  1. A tropa tá lá preocupada com crises ou corrupção em alguma instituição, corrupção existem desde que Brasil é Brasil. A tropa tá preocupada é com os baixos salários, carreira desvalorizada custo de vida alto e com a família.

  2. Não Existe mais Forças Armadas de verdade, virou um bando de incompetentes e falidos sem instrução sem nada, a Instituição faliu, deixaram esse elefante branco sem finalidade…Agora é só gasto público, perdeu o norte e o respeito, a ombridade , acabou

  3. O 01 do nosso exército não usa o HCE, não se preocupa com aluguel, gasolina ,compras no supermercado, nao dirige uber como muitos sargentos ( dia desses fui ao centro do Rio num sábado e o motorista era 3° sgt de Infantaria) por isso esse senhor vem com esse papo de que as forças Armadas tem que se afastar da política … prá quem está com a vida financeira tranquilissima é facil ficar falando isso …

  4. O lugar do bolsonaro e sua ORCRIM é na cadeia, se bem que Heleno está em domiciliar, por estar doente. Se comprovado doença seria, domiciliar a quem apresente. O STF precisa cortar na carne e está na hora de um mea culpa. Tofolli está tão enraizado no problema do master que deveria renunciar e rápido para apagar esse incêndio. O Nine já entrou em campo sobre isso. Quanto ao “Xandão” prints de whatsapp não são provas fidedignas, não só para ele como para todo acusado. Sendo assim, como do no direito, indubio pro reo (benefício da dúvida labuta em favor). A justiça é para todos.

  5. Eu tô vendo risco de agravamento do meu faturamento de motorista por aplicativo cair com a alta dos combustíveis.
    Em 2022 o painho dos póbis disse que os pobis iam voltar a andar de avião kkkkkk, agora em 2026 manda os póbis andar a pé kkkkk.

  6. Como esses oficiais generais pensam no seu pirão se a farinha é pouca, eu acredito que eles foram arrumar uma boquinha para a partir de 02/01/2027.

  7. A única certeza que se extrai dessa crise no rastro do “banco master” é que bandidos se infiltraram nas Instituições e as usam para blindar seus crimes.

    A República foi tomada por indivíduos que usam seus cargos como balcão de negócios.

  8. Bem capaz dos militares não irem a uma possível guerra por não terem o dinheiro do ônibus. Parece piadA mas as piadas de ontem são a realidade de hoje

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