Ex-comandante da FAB relata bastidores da crise de 2022, critica a politização das Forças Armadas, alerta para a fragilidade da Defesa Nacional e defende reformas estruturais para preservar a democracia e a soberania do País.
Em sua primeira entrevista desde que deixou o comando da Força Aérea Brasileira, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior fez um diagnóstico duro sobre a tentativa de ruptura institucional em 2022, a situação da Defesa Nacional e o papel dos militares na República. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-comandante da Força Aérea Brasileira relatou pressões sofridas no período pós-eleitoral, defendeu a legalidade e a hierarquia e alertou para a fragilidade do País diante de conflitos modernos.
Defesa da legalidade em meio à tentativa de ruptura institucional
Na entrevista, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior relata que a maior gravidade da crise de 2022 foi a tentativa de romper a unidade entre os comandos das Forças Armadas. Segundo ele, a coesão institucional era condição essencial para impedir qualquer iniciativa fora da Constituição e preservar a legalidade.
O risco da divisão entre os comandos militares
Baptista Júnior afirma que a tentativa de quebrar o consenso entre Marinha, Exército e Aeronáutica representou uma ameaça inédita à institucionalidade militar. Para o ex-comandante, a unidade de pensamento entre os chefes das Forças é um pilar histórico da hierarquia e da disciplina.
Pressões políticas e custo pessoal
O brigadeiro descreve o ambiente de forte pressão vivido no pós-eleição, incluindo ataques pessoais e à sua família. Apesar disso, afirma que manteve uma linha clara de atuação, informando o Alto Comando da FAB e respeitando os limites legais de sua função.
Crítica aos populismos e ao cenário político
Ao analisar o panorama político, Baptista Júnior critica tanto o bolsonarismo quanto o lulismo, classificando-os como expressões de populismo que enfraquecem o debate público. Defende a superação da polarização e a construção de alternativas políticas fora desses dois campos.
Forças Armadas despreparadas para conflitos modernos
No campo estratégico, o ex-comandante alerta que as Forças Armadas brasileiras não estão preparadas para guerras contemporâneas, marcadas por drones, mísseis e integração tecnológica. Para ele, o baixo nível de dissuasão expõe o País a riscos crescentes.
Reforma estrutural no sistema de Defesa
Embora reconheça a necessidade de mais investimentos, Baptista Júnior sustenta que o problema vai além do orçamento. Defende uma profunda reforma institucional, com fortalecimento do Ministério da Defesa e a criação de um Estado-Maior Conjunto com autoridade real sobre as três Forças.
Limites ao uso das Forças Armadas na segurança pública
O brigadeiro se posiciona contra o emprego das Forças Armadas no combate direto ao narcotráfico e ao crime organizado. Avalia que essa função cabe às polícias e que a militarização da segurança interna desvia os militares de sua missão constitucional.
Alerta democrático e papel do STF
Como testemunha em processos no Supremo Tribunal Federal, Baptista Júnior destaca como ponto mais preocupante a constatação de que parte expressiva da sociedade não reconheceria uma ruptura institucional como golpe. Para ele, esse dado reforça a necessidade de vigilância permanente em defesa da democracia.
Leia a entrevista a Marcelo Godoy, do Estado de São Paulo (para assinantes)
Respostas de 18
Não vamos apoiar ninguém.
É esse que foi votar em 2022 com camisa da seleção, fazendo cosplay de patriota? Realmente, há muito risco de uso político das FA.
E o salário ó…
Quero agradecer a esse “grande”brigadeiro por me tornar em suboficial de terceira classe.
Mais uma vez o of general “esqueceu” de mencionar o efeito perverso dos Baixíssimos salários que tem contribuído para evasão nas Forças!
Deveríamos, NO MÍNIMO, receber estes 5% de reposição que os civis receberão agora em abril!
Entregou os companheiros de farda, agora vem fazer charminho na mídia. Traíra.
Golpista fardado é teu companheiro cara pálida.
x9x9x9. Petralha.
Esse é um grande MELANCIA!
De nada adiantará se a Alta Cúpula das Forças Armadas não derem o devido valor que os Praças Graduados merecem, e junto, uma justa melhoria nos salários que estão terrivelmente baixos.
Muitos Praças Graduados estão com os seus salários comprometidos com Empréstimos Consignados.
Pela Lei, um trabalhador só pode comprometer até 30% de sua margem Consignável com empréstimos. Mas para os militares, concederam utilizar até 70% de margem consignável, ficando apenas com 30% para o resto. O que acabou fazendo com que a maioria dos militares se endividassem devido aos baixos salários!
* Quanto a esse Sub Consciente, ele deve ser mais um esquerdista com apenas um neurônio, pois o mundo já sabe que não houve tentativa de golpe algum, foi tudo uma armação do Sistema podre que vivemos.
E quanto a esse Baptista Jr. além de eu não suportar ver a fuça dele, é muito fácil falar quando se está numa situação ou posição privilegiada.
Não confio mais nas Forças Armadas!
Esse aí não apita mais nada.
As autoridades palacianas nem dão ouvidos às palavras dele. Falou ao vento.
Se eu fosse esse oficial general, ficaria “pianinho”. Por pouco a batata dele não assou no fogão do Careca.
Se safou do jeito mas fácil, entregou todo mundo .
Falar ,deveria falar quando estava na ativa, falar na reserva é igual galo em terras de vizinho, virá pintinho .
a verdade, na maioria das vezes doi. Infelizmente o brigadeiro esta certo. Nosso atraso e descomunal.
Reformas que irão beneficiar os Oficiais Generais e os Praças Graduados continuarão a deriva, com baixos salários e super endividados!