Repensar as Forças Armadas é imperativo diante das guerras do século 21, diz Lewandowski

Imagem ilustrativa, gerada por IA

 

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, ex-ministro do STF e da Justiça analisa a mudança da natureza dos conflitos, o impacto da tecnologia e defende maior profissionalização e investimentos em defesa.

O artigo assinado por Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Luiz Inácio Lula da Silva, publicado na Folha de S.Paulo, propõe uma reflexão aprofundada sobre a necessidade de repensar o papel das Forças Armadas no mundo contemporâneo. O autor analisa transformações estruturais da ordem internacional e defende a adaptação das políticas de defesa a um cenário cada vez mais instável e tecnológico.

O equilíbrio do terror e a estabilidade do pós-guerra

Lewandowski relembra que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo viveu um período de relativa estabilidade sustentado pelo chamado “equilíbrio do terror” entre Estados Unidos e União Soviética. A dissuasão nuclear reduziu a probabilidade de confrontos diretos e abriu espaço para soluções diplomáticas e multilaterais de conflitos.

O papel do multilateralismo internacional

Nesse contexto, ganharam força organismos internacionais voltados à mediação de disputas políticas e econômicas, com destaque para a Organização das Nações Unidas. Segundo o autor, esse sistema ajudou a conter crises globais durante décadas, ainda que com limitações.

O fim da Guerra Fria e a ruptura da ordem global

A queda do Muro de Berlim e o encerramento da Guerra Fria marcaram o início de um período de transição. A ascensão de novas potências econômicas e militares enfraqueceu a antiga ordem internacional e aumentou a competição estratégica, inaugurando um cenário mais fragmentado e imprevisível.

A multiplicação dos conflitos armados

O autor destaca a proliferação de guerras regionais, invasões territoriais e mudanças forçadas de regimes políticos, em afronta ao direito internacional. A combinação entre conflitos localizados e corrida armamentista eleva significativamente o risco de uma escalada global.

A ameaça nuclear e a corrida armamentista

A disseminação de armas nucleares e o desenvolvimento de novos sistemas de destruição em massa ampliam o potencial devastador dos conflitos atuais. Lewandowski alerta para a possibilidade concreta de uma conflagração capaz de colocar em risco a própria sobrevivência da humanidade.

Crises globais além do campo militar

O texto associa a instabilidade internacional a fenômenos como crises financeiras recorrentes, migrações em massa, terrorismo, criminalidade transnacional e mudanças climáticas. Esses fatores, segundo o autor, contribuem para um ambiente de insegurança permanente e tensionam as estruturas dos Estados.

O enfraquecimento das democracias liberais

Paralelamente às crises globais, Lewandowski aponta o desgaste das democracias liberais, pressionadas pelo avanço do autoritarismo, do nacionalismo, do protecionismo e da xenofobia. Esse cenário compromete a cooperação internacional e dificulta respostas conjuntas a ameaças comuns.

A nova natureza das guerras contemporâneas

Um dos pontos centrais do artigo é a constatação de que as guerras clássicas entre Estados se tornaram exceção. Em seu lugar, predominam conflitos híbridos e assimétricos, frequentemente travados por intermediários ou com participação indireta de potências externas.

A revolução tecnológica no campo de batalha

O avanço tecnológico transformou profundamente a atividade militar. O uso de satélites, drones, armamentos autônomos, inteligência artificial e ataques cibernéticos passou a ser decisivo, redefinindo conceitos tradicionais de força e poder militar.

Informação e inteligência como fatores estratégicos

A superioridade militar, segundo o autor, não depende do número de soldados ou de armamentos convencionais, mas da capacidade de controlar redes de comunicação, sistemas de inteligência e fluxos de informação em tempo real.

Novos domínios de combate: espaço e ciberespaço

As batalhas contemporâneas extrapolam os limites da terra, do mar e do ar, avançando para o espaço e o ambiente digital. Esses novos domínios exigem doutrinas específicas e formação altamente especializada dos combatentes.

O desvio de função das Forças Armadas

Em países menos desenvolvidos, Lewandowski observa que as Forças Armadas frequentemente assumem atribuições típicas da administração civil. Esse acúmulo de funções ocorre em prejuízo da preparação estratégica e da missão central de defesa da soberania nacional.

Investimento elevado e profissionalização permanente

O autor conclui que uma participação minimamente exitosa nas guerras contemporâneas exige investimentos vultosos e alto grau de profissionalização. A ênfase em tecnologia de ponta e capacitação contínua pode tornar obsoleto o modelo baseado na conscrição obrigatória.

A necessidade de redefinir prioridades

Ao final, o artigo defende que repensar o papel das Forças Armadas é uma exigência estratégica do século 21. Isso implica redefinir missões, estruturas e prioridades, alinhando a defesa nacional às novas formas de conflito e às reais capacidades do Estado.

 

Respostas de 16

  1. Deu uma de intelectual escrevendo artigo pra parecer intelectual pra ver se alguém dá ponto pra ficha kkkk vá caçar pokémon levandowiski, fala em aumentar o salário do praça que fica mais bonito.

  2. Esquerdopatia é uma doença degenerativa e sem cura. Agora as FFAA são imperativas. Conta outra levando wisck kkkkk. Eu pensava que imperativo era o supremo, o congresso Nacional e o Palácio do Planalto, onde os orçamentos não sofrem redução e tampouco cortes ou contenção.

  3. O saudoso Major Olimpio foi o único que defendeu os praças e as forças armadas como um todo.
    Detalhe: ele era Policial militar. Os representantes dos militares federais não fazem nem uma nota para se posicionar em favor daqueles que os elegeram.
    em 2026, ano eleitoral, aparecerão aquelas figuras que se elegem com os votos da tal “familia militar”, sejam civis ou militares que nada fazem, não buscam, não se movimentam, mas apenas se beneficiam de todos os direitos previstos para os parlamentares, etc.
    Nossos parlamentares são, definitivamente, PARA LAMENTAR.
    Tenente eb salario menor que pm, cabo e soldado com vencimento menor que gari.

    1. Assisti muitos vídeos de bolsonaro defendendo os militares, que vinham sendo prejudicados com baixos soldos para manter suas famílias. Acreditei. Nas eleições votamos, levamos a familia tambem as urnas. além dos mandatos de deputado foi eleito presidente.
      Resultado: ele deixou nas mãos dos generais uma lei que os beneficiou com 73% de reajustes nos adicionais, digo, penduricalhos.
      Os praças foram iludidos, esquecidos e deixados para tras. Amargam até hoje esse legado. A MP do mal foi reforçada com a lei do general.

      1. Pois é, caro Anônimo que postou às 20:35 hs. Eu me incluo nesse time que sempre acreditou nas promessas do falso Messias. Eleição após eleição ele nos prometia o paraíso. Ao alcançar o seu objetivo, nos lançou ao inferno. jMB nunca mais.

  4. Já pensou um soldadinho ganhando 2.000,00 líquidos ir para guerra, isso é imperativo?
    Esse ex ministro aí só soube mamar nas telas do Brasil e nada mais.

  5. Dino, como Senador fez um projeto de lei para acabar com as pensões se filhas maiores e sadias dos militares, morto ficto e juiz agraciado com aposentadoria compulsória que até agora não foi votado. Agora, como Ministro do STF, deu uma decisão cassando a aposentaria compulsória dos juízes que foram agraciados pela medidas. Em sua decisão ele relatou que o juiz não pode ser agraciado quando na realidade deveria ser demitido, com a perda do cargo, nos moldes do serviço público. Aguardemos os próximos capítulos se alguma ação chegar ao STF sobre essas aberrações do mundo castrense.

  6. Não conseguiu resolver os problemas do Ministério dele, quando a coisa ficou feia, saiu correndo pela porta dos fundos, ta mais enredado que novelo de lã pelo chão ao bel prazer dos gatos, capaz até de ser preso em futuro próximo, daí vem dar Pataco sobre guerra, investimento, prioridades, ameaças e etc. Só podia ser a folha para dar voz a alguém com desconhecimento total do assunto, nada contra, mas seria como um grande veiculo de comunicação viesse a publicar uma matéria sobre os avanços da medicina moderna elencadas por um jardineiro, pedreiro, pintor ou até um Cientista da Computação. (Parabéns Folha) Vocês são fantásticos.

  7. Quando ele endossou “rasgar” a CF no julgamento do impeachment de Dilma, que manteve os direitos políticos dela, mostrou bem a que se presta o seu “notável saber jurídico”.

    Que moral ainda acha que possui para se imiscuir em assuntos de Estado Um ministro da Suprema Corte que fingiu nada ver na desobediência de dispositivos constitucionais?

  8. Na republica das bananeiras é assim quem não tem condições e chamado de especialista e faz colocações sobre algo que ele nao tem conhecimento. Foi sob o cmdo dele que ocorreu a primeira fuga de um presidio federal.

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