Fala de Lula ocorreu durante encontro com o presidente da África do Sul; brigadeiro Baptista Júnior criticou a falta histórica de investimentos e previsibilidade orçamentária nas Forças Armadas.
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após declarações feitas pelo chefe de Estado durante encontro com autoridades da África do Sul.
Em sua fala, Lula afirmou:
“Nós precisamos juntar o nosso potencial e ver o que a gente pode produzir junto. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós podemos produzir. […] A área da defesa é extremamente importante”
Em publicação nas redes sociais, o ex-comandante afirmou que o discurso do presidente sobre a indústria de defesa brasileira seria “demagógico e eleitoreiro” e demonstraria desconhecimento sobre o funcionamento do ciclo de desenvolvimento de equipamentos militares.
Segundo Baptista Júnior, qualquer especialista na área de defesa sabe que projetos estratégicos — que envolvem concepção, desenvolvimento, produção e apoio logístico — exigem planejamento de longo prazo, previsibilidade orçamentária e investimentos contínuos do Estado.
O brigadeiro lembrou que o primeiro mandato de Lula começou há mais de duas décadas e que esse período teria sido suficiente, em sua avaliação, para estruturar uma base industrial de defesa mais sólida e menos dependente de fornecedores estrangeiros. Para ele, porém, o principal problema permanece o mesmo há décadas: a falta de recursos estáveis e de prioridade política para as Forças Armadas.
“Ninguém com um mínimo de conhecimento de como funciona o ciclo de vida de materiais de defesa acredita em uma única palavra do que o senhor disse”, escreveu o militar da reserva.
Críticas ao financiamento de programas estratégicos
Baptista Júnior também criticou a forma como alguns projetos estratégicos foram financiados no Brasil. Ele citou como exemplo o desenvolvimento do avião de transporte militar Embraer KC-390 Millennium, considerado um dos principais programas da indústria aeronáutica brasileira.
Segundo o ex-comandante, embora o projeto tenha sido positivo para a indústria e para a empresa fabricante, o custo de desenvolvimento acabou recaindo majoritariamente sobre o orçamento da FAB.
Na avaliação dele, um programa desse porte deveria ter sido tratado como projeto de Estado, com financiamento separado e não impactando diretamente a capacidade operacional da Força Aérea.
“Foi muito bom para a empresa e seus acionistas, mas sangrou recursos escassos da FAB, que ficou com a conta do desenvolvimento debitada em seu orçamento”, afirmou.
Cooperação com a África do Sul
O brigadeiro também mencionou a cooperação militar entre Brasil e África do Sul no desenvolvimento do míssil ar-ar A-Darter.
Segundo ele, o projeto teve resultados técnicos positivos, mas enfrentou dificuldades semelhantes às existentes no Brasil: falta de apoio financeiro e continuidade política.
Para Baptista Júnior, a ausência de políticas consistentes para a indústria de defesa compromete iniciativas estratégicas e mantém o país dependente de tecnologias estrangeiras.
Crítica ao discurso contra a indústria de armamentos
Outro ponto criticado foi a postura que o militar atribui ao presidente em relação à indústria de defesa internacional. Ele afirmou que Lula frequentemente direciona críticas aos chamados “senhores das armas”, expressão usada pelo presidente em discursos sobre conflitos e comércio global de armamentos.
Para o ex-comandante da Aeronáutica, essa abordagem ignora o fato de que as grandes empresas do setor controlam tecnologias consideradas estratégicas, como motores, eletrônica avançada, sensores e softwares embarcados.
“Os ‘senhores das armas’ também são donos de itens estratégicos que nunca priorizamos, como motores, componentes eletrônicos e softwares embarcados”, escreveu.
Ele acrescentou que a dependência tecnológica se estende inclusive a áreas civis, citando como exemplo sistemas operacionais utilizados em computadores no país.
Debate sobre política de defesa
As declarações de Baptista Júnior ampliam o debate sobre o financiamento das Forças Armadas e o papel da indústria nacional de defesa.
Especialistas apontam que projetos militares de alta tecnologia exigem investimentos de longo prazo e estabilidade orçamentária — algo que historicamente tem sido um desafio para o Brasil.
Respostas de 19
Defesa nunca foi e nunca será prioridade. esse alarde todo de investimentos sempre vem em ano de eleição…cai quem quer!
melhor a paz armada, do que a paz desarmada. Essa de atentar contra nossa soberania legiferante, bem como a possível soberania territorial tem que ser dissuadida.
O Partido do atual “comandante supremo” – e os demais do mesmo espectro ideológico que o circundam – sempre foi contra uma “paz armada”.
Lembro que desde a década de 1980 divulgavam frases de efeito do tipo: “o país deve comprar comida, não armas”. Sempre alegaram que não se deve investir nas FA, mas na alimentação do povo.
Que bom que a natureza concreta das coisas é inexorável e força a mudar as narrativas utópicas.
Os Esquerdopatas foram os 1° q tiraram o direito ao porte e posse de armas de fogo dos cidadãos(a) honestos(a)!!! 😡😠🤬😤
Perdeu MANE, nao amola.
Esse sujeito queimou os irmãos de farda para livrar o seu rabo, agora que está vendo que o jogo está mudando quer dar uma de moralista. Dizem os entendidos que para sair oficial general o militar tem virar político, eis aí um exemplo claro.
Não necessariamente. Esse aí foi a Brigadeiro enquanto o papi comandava a FAB.
Meritocracia, sabe…
Srs, vamos lembrar que há poucos meses, o Presidente disse em palanque que o exército não deveria treinar seus soldados para a guerra, mas para apagar incêndios.
Agora vem com outro discurso diametralmente oposto.
Sejamos sensatos e evitemos “passar pano”.
Esse “comandante supremo” não tem coerência. e nada do que fala deve ser levado à sério. Está acostumado a dizer o que a plateia quer ouvir.
Simples assim.
O mundo mudou, vários conflitos pululam pelo mundo, em especial em todos os espectros de poder. Até nós também temos que mudar.
Engraçado é que agora, depois de 4 anos que todo mundo descobriu que esses Comunistas são todos DESGRAÇADOS.
Começou a doer no bolso cambada de….
Esse Brigadeiro não inspira confiança, parece que tem duas caras.
DE judas o povo brasileiro tem muitos. Puxa saco sem condições
Enquanto isso, o Lula já distribuiu mais de 8 bilhões para a Lei Rouanet no atual mandato, mais do que o Bolsonaro em todo o seu mandato.
Só sei que a Constituição prevê pena capital para traidores da pátria em tempo de guerra.