Avanço feminino nas Forças Armadas esbarra em acesso limitado ao generalato

Em fevereiro de 2025, a Marinha do Brasil promoveu, simultaneamente, quatro Oficiais mulheres do Corpo de Saúde da Marinha ao posto de Contra-Almirante — Foto: Divulgação

 

Apesar do aumento do ingresso feminino e de avanços institucionais, presença de mulheres nos postos mais altos ainda é exceção; Exército deve ter a primeira general em 2026.
Pela primeira vez na história das Forças Armadas, mulheres passaram a integrar o serviço militar inicial no Brasil. Em cerimônia realizada em 2 de março, 1.467 brasileiras foram incorporadas ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica, em um movimento visto pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, como um avanço histórico. Apesar disso, a presença feminina na alta cúpula militar segue limitada.

Segundo matéria de Lígia Saba e Thayz Guimarães, do Poder 360, atualmente, apenas nove mulheres ocupam postos de oficial-general — o topo da hierarquia militar. A FAB lidera, com cinco brigadeiras (quatro na ativa e uma na reserva). A Marinha do Brasil conta com quatro almirantes. Já o Exército Brasileiro ainda não tem nenhuma mulher general, situação que deve mudar em 2026.

Em fevereiro, a coronel Cláudia Lima Gusmão Cacho foi indicada para o posto de general de brigada. Médica pediatra e subdiretora do Hospital Militar de Área de Brasília, ela pode se tornar a primeira mulher a receber uma estrela no Exército, caso a promoção seja confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com previsão para 31 de março.

Mesmo 45 anos após o ingresso das mulheres nas Forças Armadas, elas representam apenas 11% do efetivo na ativa. A disparidade varia entre as Forças: a Aeronáutica tem 22% de mulheres em seus quadros, a Marinha 12,6% e o Exército 6,7%. Segundo especialistas militares, o ingresso tardio das mulheres nas academias impacta diretamente o acesso aos postos mais elevados, já que promoções ao generalato dependem de antiguidade, merecimento e abertura de vagas no Alto Comando.

Pioneirismo e avanços
A Marinha foi a primeira Força a permitir a ascensão feminina ao generalato, em 2012, com a promoção da médica Dalva Maria Carvalho Mendes a contra-almirante. Desde então, outras quatro mulheres alcançaram o mesmo posto na área médica. Na Aeronáutica, a primeira oficial-general foi Carla Lyrio Martins, promovida em 2020.

Nos últimos anos, restrições a áreas operativas vêm sendo derrubadas. Em 2025, a Marinha autorizou oficialmente a atuação feminina em todos os setores operativos, desde que atendidos os mesmos critérios técnicos e físicos exigidos aos homens.

Projeções
Segundo estimativas internas da Marinha, a primeira mulher a alcançar o posto máximo da Força — almirante de esquadra — só deve surgir a partir de 2049, quando as oficiais formadas nas carreiras operativas completarem todo o ciclo de progressão. Até lá, o ingresso feminino no serviço militar inicial é visto como peça-chave para ampliar, de forma gradual, a presença de mulheres nos altos escalões das Forças Armadas.

Respostas de 5

  1. Enquanto esse debate de estrela, a cesta básica vai galopando na inflação dos alimentos e o praça sofre.
    E isso cabo, soldado e sargento, continue votando em oficial e se vire com o custo de vida.
    Eles se importam com os soldados.

    1. Uma coisa não exclui a outra.

      Esse debate de estrelas sempre existiu. A questão é que agora, como envolve mulheres ao Generalato, alguns se doeram.

  2. o que acontece é que as vagas são proporcionais aos efetivos por arma / serviço etc. no eb e na marinha as mulheres combatentes não atingiram tempo para concorrer. só temos of gen na áreas de saúde e ciencia e tecnologia. por são minoria. em breve teremos gen mulheres aviadoras , fuzileiras navais e combatentes do EB .

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