Fragata que foi destruída por torpedo americano havia atracado no Brasil junto a outro navio militar iraniano, apesar de pressões de Washington e Israel
A fragata iraniana Iris Dena, afundada em um ataque dos Estados Unidos nesta semana, já esteve no Brasil e foi motivo de tensão diplomática entre Brasília e Washington em 2023.
Na ocasião, a embarcação da Marinha do Irã permaneceu ancorada por alguns dias no porto do Rio de Janeiro ao lado do porta-helicópteros Iris Makran, durante uma viagem que, segundo Teerã, tinha como objetivo dar a volta ao mundo.
Pressão dos EUA
A presença dos navios gerou críticas do governo americano e de Israel. A então embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Bagley, chegou a pedir publicamente que o país não autorizasse a atracação.
Segundo ela, as embarcações estariam ligadas a comércio ilegal e atividades terroristas.
“O Brasil é uma nação soberana, mas acreditamos firmemente que esses navios não devem atracar em lugar nenhum”, declarou a diplomata na época.
Mesmo após o apelo, a autorização foi concedida pela Marinha brasileira. A decisão foi assinada pelo vice-almirante Carlos Eduardo Horta Arentz, vice-chefe do Estado-Maior da Armada, pouco depois de um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden em Washington.
Navios estavam armados
De acordo com a agência Iran Press, a Iris Dena e a Iris Makran estavam equipadas com:
- mísseis de cruzeiro antinavio
- torpedos
- canhões navais
A visita foi classificada pelo governo brasileiro como oficial, dentro das celebrações dos 120 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Irã.
Em resposta a questionamentos de deputados, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não havia impedimento legal para a atracação. O Itamaraty destacou ainda que:
- as sanções da ONU contra o Irã não incluíam os navios;
- sanções unilaterais dos Estados Unidos não geram obrigação jurídica para o Brasil.
Afundamento
O episódio voltou ao noticiário após o anúncio de que os EUA destruíram a fragata iraniana com um torpedo disparado por um submarino.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que o navio foi atingido em águas internacionais e afundou após o ataque.
Segundo autoridades do Sri Lanka, o navio transportava cerca de 180 tripulantes quando emitiu um sinal de socorro.
- 32 marinheiros ficaram feridos e foram resgatados
- 61 foram inicialmente dados como desaparecidos
- 87 corpos foram recuperados
As buscas continuaram na área do naufrágio.
Vídeo registrou o momento em que o navio é atingido pelos torpedos
Com informações da CNN, REUTERS, AFP e RFI