Com presença constante na seção de comentários da Folha de S.Paulo, o coronel da reserva Marcos Serra se tornou um personagem recorrente do próprio jornal. Assinante desde 2010, ele acumula mais de 17 mil comentários publicados no site, volume que o levou a ser retratado em uma reportagem do veículo.
Nos textos, Serra defende valores conservadores e critica o que define como “alinhamento à esquerda” da linha editorial, avaliação que, segundo ele, contribui para a polarização e a divisão entre os brasileiros. O militar afirma que utiliza o espaço justamente para confrontar posições e estimular o debate público.
Além da atuação individual, o coronel incentiva amigos militares a assinarem o jornal e participarem da seção de comentários, com o objetivo de ampliar a diversidade de opiniões expressas pelos leitores. Leia a matéria da Folha.
Lívia Lemos
São Paulo – Questão de valores. É por isso que o coronel da reserva Marcos Serra, 67, comenta tanto no site da Folha, mesmo discordando do jornal que, em sua visão, é alinhado à esquerda. Assinante desde 2010, ele lê o veículo diariamente e já fez 17.463 comentários, grande parte em reportagens de política.
Para Marcos, manifestar suas opiniões no jornal é uma forma de defender seus princípios. Ele convoca quem se identifica com a direita a fazer o mesmo. É através do debate, inclusive, que enxerga a mudança.
Marcos iniciou sua carreira no Exército brasileiro aos 17 anos e integrou a cavalaria durante três décadas. “Eu tinha um problema na perna e, por recomendação médica, foi-me orientado a cavalgar.” Marcos se aposentou aos 48, mas ainda monta em competições.
Carioca, ele foi transferido para Porto Alegre (RS) em 1987 junto com sua ex-esposa. Mas a disputa por ele entre as gaúchas foi grande, diz. “Acabei me separando e dentre as várias gaúchas interessadas, escolhi uma e estou casado há 32 anos.”
Ele já viu a Folha como o maior e o melhor veículo do país, mas nos últimos anos discorda desse segundo adjetivo. Isso porque, segundo Marcos, o jornal não tem sido tão abrangente em sua linha editorial. “A Folha precisa desvincular a questão política, visto que o jornal tem um alinhamento maior com a esquerda.”
Para Marcos, o enfoque que o jornal dá aos fatos divide os brasileiros. Ele menciona a cobertura da Folha sobre o 8 de Janeiro, ao noticiar o ato como golpe. “Temos hoje no Poder um presidente que fomenta a divisão no povo, com o nós contra eles. O país está fragmentado e por vezes a Folha embarca nessa canoa furada, chamando o quebra-quebra de golpe.”
Ele acredita que os ataques do 8/1 não teriam ocorrido se as urnas fossem auditadas e admite que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu inúmeros erros, mas nenhum para “desestabilizar o governo.”
Entre a direita e a esquerda, ele se classifica como conservador. “O que é ser conservador? É você ter honestidade, trabalho, prezar pela família, dar liberdade religiosa e de expressão. Se os valores conservadores estão mais alinhados à direita…”
Ele relembra os tempos quando estava na ativa e visitou lugares remotos do país: “No Norte, há uma situação muito difícil. Uma aldeia isolada na fronteira onde só se chega com avião, às vezes falta comida. Essa diversidade que vivemos na carreira faz com que naturalmente tenhamos um grau de tolerância maior.”
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É por isso que ele não se importa, por exemplo, quando seus amigos militares o questionam por ser assinante da “Foice”, apelido pejorativo que dão ao jornal. Ele sempre responde: “Não há mal em discordar, mas se você assina, pelo menos saberá o ponto de vista divergente do seu e tem condições de se manifestar.”
Ele incentiva seus companheiros a assinarem, mas destaca que o jornal pode avançar em mais leitores –incluindo os militares– se expandir sua visão.
Patriota, ele critica a miséria do Brasil: “Nós temos muitos recursos. Mas a corrupção é tão grande que essa riqueza não chega ao cidadão. Para dar certo, basta que os governos sejam honestos.”
Professor de língua portuguesa no colégio militar de Porto Alegre por 12 anos, ele tem aversão a palavrões e sugere que a Folha crie a opção de editar o comentário: “Às vezes escrevo no carro e na pressa, digito errado.”
Além da possibilidade de se manifestar, Marcos diz que as coberturas de ciência, saúde e meio ambiente o mantém assinando o jornal.
“No dia 10 de janeiro, publicaram um artigo sobre demência, que é comum no idoso. Uma reportagem maravilhosa, citando oito passos para prevenir a doença. O jornal deveria servir mais assuntos de interesse geral e não focar só política.”
FOLHA – Edição: Montedo.com
Respostas de 13
vai lá pracinha, comenta também…kkkkkk o que é teu ta guardado
Se proclama “conservador” mas é um divorciado casado em segunda união.
kkkk. Estes São os mascarados.
É da turma de Bolsotrevas… O falso Meçias… Deus… Pátria… Família e hipocrisia… Crítica aquilo que faz escondido… Falso moralista hipócrita… Esses boca abertas só falam M…
É parece que há mudanças.
Uma pequena correção ao texto do Coronel. Eu acompanho política diariamente, embora um pouco menos nos últimos anos, devido ao desgaste mental que isso causa. Sobre o discurso do “nós contra eles”: essa foi uma marca do primeiro e segundo mandato do governo Lula. No atual, pelo que tenho acompanhado, ele tem evitado esse tipo de retórica. Caso eu esteja equivocado, peço que me envie citações em que esse discurso tenha sido utilizado. Quanto ao termo “conservador”, é importante lembrar sua origem histórica. Ele surge como contraponto ao Iluminismo, movimento que marcou o século XVIII, e a Revolução Francesa. O Iluminismo “século das luzes”, que defendia: direitos naturais a vida, liberdade, propriedade; a divisão do poder em três esferas Executivo, Legislativo e Judiciário; a liberdade de expressão e a democracia direta e a soberania popular. Aqui encontramos um paradoxo, tudo aquilo que o nobre Coronel defende está alinhado com os princípios iluministas, e não com o pensamento conservador clássico. Mas afinal, ele pode estar equivocado e não ter tido a oportunidade de estudar e aprofundar no assunto, afinal jornal não é artigo cientifico. O que é então o conservadorismo moderno? Ele não significa ser contra mudanças, mas sim defender que elas ocorram de forma gradual, segura e sem ruptura dos costumes e da continuidade social. O problema é que muitas vezes se confunde conservadorismo com “reacionarismo”. Este último busca um retorno ao passado, o que vemos muitas pessoas sem saber o que é com esse pensamento. enquanto o conservadorismo contemporâneo aceita transformações, desde que sejam responsáveis e equilibradas. Portanto, Coronel, fica a reflexão: será que não há o risco de estar se apresentando como “conservador”, quando na verdade o posicionamento se aproxima mais do reacionarismo? Eu fiz questão de em nenhum momento utilizar os termos “esquerda” ou “direita” para não ter essa dicotomia e ficar um discurso enviesado.
Acho que tinha que dar um enxada para ele capinar. Militar não deve se envolver em política. Daqui a pouco tá preso na papuda junto com seu presidente.
Sempre o mesmo papo para manter as massas da esquerda e principalmente da extrema direita. Ficam se digladiando por político de estimação. Só trouxa faz isso. Eu como um animal social humano há muito vivendo em sociedade, tendo em meu DNA isso, assumo que tenho como mantra minha predileção aos direitos de segunda geração em diante, contidos no PIDESC/66, da CIDH da ONU, afinal sou um humano.
Ah esses pseudos conversadores…
Ele se diz conservador, MAS lasgou a esposa para se juntar a uma gaúcha…
Mais Um falastrão…
Família conservadora padrão? Sei, algo de padrão incorreto está presente nesta afirmação.
O exército está cheio desses conservadores hipócritas. A maioria são problemáticos vindos de vários casamentos, são “terrivelmente religiosos”, gritam constantemente o jargão: Deus, Pátria e Família, mas no fundo são mais sujos que universitários de sociologia de universidade federal. Críticos ferrenhos daquilo que fazem escondido. São a régua do falso Meçias, que deu voz a esse bando de hipócritas, bons cobradores, mas maus pegadores. A cara da instituição
Digo: … maus pagadores…
Se aposentou aos 48 anos!!! Que barbada!
48 anos? Aposentou velho. Me aposentei com 46 anos, em idade tenra. É o que temos que fazer quando trabalhamos em uma instituição fuleira que não prestigia seus recursos humanos.