Quatro anos da guerra Rússia x Ucrânia: centro de doutrina do Exército apostou em vitória russa em até dez dias

Rússia x Ucrânia

 

Previsão doutrinária sobre a queda de Kiev revelou erro grave de análise; Exército diz que estudos não tinham caráter oficial nem decisório.

 

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia completa quatro anos neste 24 de fevereiro sem sinais concretos de encerramento — um desfecho que contrasta de forma constrangedora com análises produzidas no início do conflito por centros militares, inclusive no Brasil.

Em 2022, o Centro de Doutrina do Exército Brasileiro, por meio do Observatório de Doutrina, publicou um Resumo Doutrinário que previa a tomada de Kiev em cinco a dez dias, apostando em colapso rápido do Estado ucraniano. A previsão falhou de maneira categórica.

O erro, classificado posteriormente como “novo Afeganistão”, não foi tratado com transparência. Os resumos foram retirados do ar e as publicações suspensas, numa tentativa de conter o desgaste institucional, sem que houvesse explicações públicas compatíveis com a gravidade do equívoco.

A falha de avaliação brasileira ecoou o mesmo erro estratégico do Kremlin. Estudos do Royal United Services Institute indicam que Moscou também esperava dominar a Ucrânia em cerca de dez dias — cálculo que levou a uma guerra de desgaste com centenas de milhares de mortos, severos impactos econômicos e isolamento político crescente.

Quatro anos depois, a guerra expõe não apenas os limites do poder militar russo, mas também a precariedade de análises doutrinárias que subestimaram a resistência ucraniana e superestimaram a capacidade de uma vitória rápida, transformando previsões apressadas em um vexame duradouro.

Respostas de 15

  1. Doutrina de pintores de meios fio… Peritos em repones e formaturas para massagear o ego de “autoridades”… Esperar o que de um “exército de farrapos e seus chefes”… Exército de Mãe Diná… Padrão Bolsotrevas… Kids Pretos… Cid… Mourão… Heleno Alzheimer… Braga Netto e do possante Pazuello… Esses representam as cabeças pensantes da Força… Esperar o quê? Milagre? Vida que segue…

  2. Um monte de generais também apostou no Mito no mesmo período e na cura da Covid com cloroquina e elegeram Hélio como o deputado federal mais votado do RJ…

  3. Depois de todos os vexames do exército (após a chegada de Lula ao poder) não ter ECEME deveria ser motivo de orgulho kkkkk 😄😄😄 viva os Manga Lisa !!! Eles já provaram que são mais pragmáticos ,fáceis de lidar e tratam bem a tropa ! Meu comandante na Amazônia ( 8° BEC ) era manga lisa e foi um ótimo comandante!

    1. 8° BEC, sei, mais conhecido como 80 BEC, já vi essa OM e vários de seus comandantes em páginas policiais, envolvidos em todo o tipo de improbidades e escândalos que vão de venda de gabarito de concursos militares, fraude em contratação de empresas, até escândalo da madeira com fraude em Licitações, corrupção etc. realmente deviam ser ótimos comandantes, pois as atenções estavam voltadas para outros objetivos. tudo depende do ponto de vista de cada um.

  4. Realmente ninguém imaginava tanto tempo de guerra, no entanto, os “especialistas” erraram, até hoje em 1400 dias. É apavorante saber que nosso país está sendo defendido por pessoas tão desqualificadas, com mestrados em nada é doutorado em tudo. São uma espécie rara de Chapolin Colorado das FA.

    1. Os tudólogos do EB, tem solução para todos os males do mundo nas intermináveis conversas no cafezinho, só não conseguem resolver seus próprios problemas.

  5. A grande questão é que a logística foi, em muitos aspectos, ignorada. Dentro dela, o fator humano é decisivo. No Exército Brasileiro, por exemplo, as manobras em campo raramente ultrapassam uma semana; poucas chegam a durar 15 dias. Esse tempo prolongado longe de casa gera desmotivação, além de desgaste físico e mental. Outro ponto crítico da logística é a disponibilidade e o nível de operacionalidade dos tanques e caminhões de transporte. É necessário estender a linha de suprimento para manutenção, combustível e alimentação. Logo no início da invasão, diversos caminhões quebrados interromperam a marcha em direção à capital, evidenciando falhas estruturais. Além disso, a OTAN optou por uma guerra por procuração, fornecendo material bélico e recursos financeiros para prolongar o conflito. O Brasil chegou a ser procurado para fornecer munição à Ucrânia, mas recusou oficialmente. Também houve uma superestimação do exército russo. Após quatro anos de guerra, sabendo que todo o armamento entra pela fronteira com a Polônia, a Rússia não conseguiu interromper essa linha de fornecimento nem destruir aeroportos e ferrovias ucranianos. Por fim, é importante reconhecer que as informações que recebemos sobre o conflito vêm sempre filtradas pelo viés ocidental. Nesse enquadramento, a Ucrânia aparece como vítima, com civis constantemente atacados para gerar comoção e engajamento mundial, enquanto a Rússia é retratada como o agressor implacável, o “agente do mal”.

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