Decisão do governo Trump suspende cursos e bolsas militares a partir de 2026-2027 e amplia confronto com universidades de elite nos EUA
O Pentágono anunciou na sexta-feira (6) o rompimento de todos os vínculos acadêmicos com a Universidade Harvard, uma das mais prestigiadas instituições de ensino dos Estados Unidos. A medida prevê a suspensão de cursos de formação militar e bolsas de estudo, com vigência a partir do ano letivo de 2026-2027. Militares já matriculados poderão concluir os programas em andamento.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que Harvard “não atende mais às necessidades do Departamento de Defesa” e criticou o que chamou de influência de ideologias “globalistas e radicais” na formação de oficiais. Em publicação na rede X, declarou que “Harvard é woke; o Departamento de Guerra não é”.
Fundada em 1636, a universidade mantém longa tradição de cooperação com instituições públicas e militares, sendo referência internacional em pesquisa e formação de lideranças. Ainda assim, tornou-se alvo frequente de críticas do governo do presidente Donald Trump, que acusa universidades de elite de promoverem agendas ideológicas incompatíveis com valores defendidos pelas Forças Armadas.
O termo “woke”, originalmente associado à consciência sobre injustiças sociais, passou a ser usado de forma pejorativa por setores conservadores para criticar políticas de diversidade, equidade e inclusão. No caso do Pentágono, a avaliação é que tais abordagens prejudicariam a disciplina, a coesão e a preparação para o combate.
A ruptura com Harvard ocorre em meio a uma escalada de embates entre a Casa Branca e instituições da Ivy League. Recentemente, o governo exigiu US$ 1 bilhão da universidade em um processo que a acusa de falhar na proteção de estudantes judeus durante protestos pró-Palestina e de adotar políticas consideradas “anti-americanas”.
Hegseth anunciou ainda que todas as parcerias acadêmicas do Pentágono com universidades de elite serão revisadas, para verificar se contribuem efetivamente para a formação estratégica de líderes militares. O secretário também tem criticado programas de inclusão social nas Forças Armadas, incluindo a ampliação de oportunidades para minorias e a integração de mulheres em funções de combate.
Para críticos da decisão, o rompimento representa uma interferência política na autonomia universitária e um ataque ao pensamento crítico. Já defensores afirmam que a formação de oficiais deve estar alinhada estritamente às prioridades estratégicas e aos valores considerados essenciais para a defesa nacional.
Com agências internacionais