Operação Orion 26 simula conflito de alta intensidade e coloca Paris à frente de coalizão internacional para defender o território fictício de Arnland.
A França iniciou seu maior exercício militar desde a Guerra Fria, baseado em um cenário fictício inspirado nas atuais ameaças representadas pela Rússia no continente europeu. Batizada de Operação Orion 26, a manobra tem como objetivo preparar as Forças Armadas francesas para atuar em ambientes complexos, contestados e de múltiplos domínios, segundo o Ministério das Forças Armadas do país.
O exercício simula um conflito entre dois países fictícios, Arnland e Mercure — este último retratado como um Estado expansionista que busca desestabilizar o vizinho para impedir sua aproximação com a União Europeia. No enredo, Mercure recorre a ações híbridas, apoio a milícias e operações indiretas, em uma dinâmica inspirada no comportamento atribuído à Rússia por países europeus.
A França lidera uma coalizão multinacional para defender Arnland diante da escalada das tensões. Ao todo, o Orion 26 mobiliza 12.500 soldados, 25 navios, cerca de 140 aeronaves, 1.200 drones, além do porta-aviões nuclear Charles de Gaulle e forças de 24 países aliados, entre eles Estados Unidos, Japão, Suíça e Marrocos.
Embora Arnland esteja situada ficticiamente em território francês, o exercício também reflete cenários mais amplos de segurança europeia. Com a guerra entre Rússia e Ucrânia em curso, autoridades veem o treinamento como um ensaio para uma eventual ampliação da chamada “coalizão dos dispostos” em apoio a Kiev, caso reforços urgentes fossem necessários.
O exercício busca testar a capacidade da França de comandar uma coalizão multinacional, além de avaliar cadeias logísticas, sistemas de comando e controle e a coordenação entre forças terrestres, navais, aéreas, cibernéticas, espaciais e especiais em combates de alta intensidade.
As manobras incluem a tomada de pontos estratégicos em território disputado, a obtenção de superioridade no campo de batalha e a execução de operações anfíbias e aerotransportadas, com travessias de obstáculos naturais como os rios Sena e Aube, além do emprego de fogo real.
Concebida em 2021, a série Orion teve sua primeira grande edição em 2023, quando reuniu cerca de 12 mil militares. A atual edição, Orion 26, ocorre até 30 de abril, quando passará a operar sob o comando da Otan, com foco na interoperabilidade entre os exércitos europeus e aliados.Com agências internacionais