Como o Exército ucraniano está aprendendo a proteger civis na guerra

Soldados ucranianos ajudam uma mulher idosa na cidade de Irpin, a 6 de março de 2022. Copyright 2022 The Associated Press.

Treinamentos em Direito Humanitário buscam alinhar as Forças Armadas da Ucrânia aos padrões da UE e OTAN

Desde a invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, o Exército da Ucrânia passou a incorporar de forma mais sistemática o Direito Internacional Humanitário (DIH) ao treinamento de seus combatentes. A iniciativa conta com o apoio da organização Geneva Call, que já capacitou cerca de 5 mil militares, incluindo pilotos de drones, com foco na proteção de civis e de pessoas fora de combate.

O treinamento aborda dilemas reais do campo de batalha, como o atendimento simultâneo a soldados feridos de ambos os lados. De acordo com o DIH, os feridos mais graves devem ser socorridos primeiro, independentemente da nacionalidade — um princípio que desafia reações instintivas em situações extremas.

Um relatório da ONU, divulgado em outubro de 2022, reconheceu que violações do DIH ocorreram tanto por forças russas quanto, em casos pontuais, por tropas ucranianas. Diante disso, o governo da Ucrânia reforçou o compromisso com as Convenções de Genebra, especialmente no contexto de sua candidatura à União Europeia e à OTAN.

Quem o DIH protege

Além de civis, o direito humanitário protege:

  • soldados feridos ou incapacitados;

  • combatentes que se rendem;

  • prisioneiros de guerra;

  • equipes médicas.

Esses grupos são o foco central dos cursos ministrados pela Geneva Call, que utiliza exercícios baseados em cenários reais, troca de experiências e plataformas digitais acessíveis inclusive na linha de frente.

O desafio dos drones

A guerra na Ucrânia passou por uma transformação tecnológica profunda. Se em 2022 os drones respondiam por menos de 10% dos danos no campo de batalha, hoje esse número varia entre 60% e 80%, segundo a Geneva Call. Há drones capazes de evacuar feridos, instalar ou remover minas e realizar ataques armados.

O uso intensivo dessas tecnologias cria novos dilemas jurídicos. Um dos mais sensíveis envolve soldados que tentam se render a drones, inclusive a sistemas com autonomia parcial. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alerta que sistemas de armas autônomas podem não reconhecer sinais de rendição, aumentando o risco de violações graves do DIH.

Precisão maior, risco persistente

Embora os drones FPV e os sistemas guiados por fibra óptica tenham aumentado a precisão dos ataques, relatórios da ONU indicam que isso não resultou em maior proteção aos civis. A maioria das vítimas civis continua sendo registrada em áreas sob controle do governo ucraniano, principalmente em decorrência de ataques russos.

Especialistas defendem a criação de novas normas internacionais juridicamente vinculantes para regular o uso de sistemas de armas autônomas, a fim de preservar os princípios fundamentais do DIH: distinção entre civis e combatentes, proporcionalidade e precaução.

Com informações de SWI

Uma resposta

  1. Zelensky tem que explicar para família dos militares mortos, cujos corpos estão prontos para serem devolvidos pelos russos, por que a negativa em fazer a troca dos corpos, a demora e o total descaso com aqueles ( muitos caçados pelas ruas e levados a força até a frente com pouquíssimo ou nenhum treinamento) Soldados que perderam suas vidas, não pela Ucrânia e sim por Zelensky, corruptos e para otan testar seus armamentos. Dinheiro é o motivo.

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