Levantamento estima quase 1,8 milhão de mortos, feridos ou desaparecidos após quase quatro anos de conflito
WASHINGTON — O número de soldados russos e ucranianos mortos, feridos ou desaparecidos desde o início da guerra na Ucrânia deve se aproximar de 2 milhões até a próxima primavera, segundo um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, repercutido nesta semana pelo The New York Times.
De acordo com a pesquisa, cerca de 1,2 milhão de militares russos e aproximadamente 600 mil ucranianos foram mortos, feridos ou dados como desaparecidos desde a invasão ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin, em fevereiro de 2022. Somados, os números chegam a quase 1,8 milhão de baixas.
Como destaca o NYT, a apuração do total de vítimas ao longo do conflito é dificultada pela falta de transparência oficial. A Rússia é acusada de subnotificar suas perdas, enquanto a Ucrânia não divulga dados consolidados. O estudo se baseia em estimativas dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido, além de outras fontes independentes.
Os dados traçam um quadro de avanço territorial limitado por parte da Rússia. Segundo o CSIS, as forças russas avançam, em alguns pontos da linha de frente, entre 15 e 70 metros por dia. Desde janeiro de 2024, Moscou conquistou cerca de 1,5% do território ucraniano, mantendo a ocupação de aproximadamente 20% do país.
Apesar de o inverno ter reduzido o ritmo das operações, o relatório aponta avanços russos nas regiões orientais de Luhansk e Donetsk, onde o Kremlin tenta consolidar o controle total. O New York Times observa que as táticas de combate mudaram, sobretudo com o uso intensivo de drones. A Rússia passou a empregar pequenos grupos de soldados, a pé ou em motocicletas, em vez de grandes colunas de blindados, enquanto operadores ucranianos monitoram marcas na neve para localizar tropas inimigas.
A divulgação do estudo ocorre após conversas entre autoridades da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos terminarem com sinais considerados positivos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que houve progresso nas negociações e que Kiev está aberta a novos encontros. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as tratativas devem ser retomadas na próxima semana.
Segundo o NYT, Estados Unidos e Ucrânia já chegaram a um acordo sobre a maior parte das propostas de um plano de paz, mas ainda não está claro se a Rússia aceitará os termos apresentados.
Enquanto as negociações avançam lentamente, o número de vítimas continua a crescer. O CSIS estima que cerca de 325 mil soldados russos morreram desde o início da guerra. Apenas em 2025, o total de mortos e feridos russos pode chegar a 415 mil, o equivalente a quase 35 mil por mês. Na semana passada, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que cerca de 26 mil soldados morrem mensalmente no conflito.
Do lado ucraniano, o estudo estima entre 100 mil e 140 mil militares mortos desde 2022. Embora a Rússia conte com vantagem numérica de quase três soldados para cada ucraniano, a Ucrânia sofreu perdas proporcionais mais severas, comprometendo grande parte de seu efetivo militar.
O levantamento também menciona a participação de cerca de 15 mil soldados norte-coreanos ao lado das forças russas, principalmente na região de Kursk. Autoridades de inteligência da Coreia do Sul, citadas pelo New York Times, afirmam que ao menos centenas desses combatentes teriam morrido.
Além do impacto humano, a guerra impõe forte pressão sobre a economia russa. Segundo Seth G. Jones, um dos autores do estudo, o país enfrenta queda na atividade industrial, crescimento estimado de apenas 0,6% em 2025 e dificuldades estruturais no setor tecnológico.
Para o pesquisador, os elevados custos humanos, os ganhos territoriais limitados e as perdas econômicas indicam um declínio do poder russo. “Embora ainda possua armas nucleares e capacidade militar relevante, a Rússia já não pode ser considerada uma grande potência na maioria das dimensões militares, econômicas ou tecnológicas”, afirmou.
Uma resposta
A guerra que o Centro de Doutrina do EB disse que ia durar 10 dias.