Marcelo Câmara também poderá reduzir a pena com leitura de livros e curso à distância; remição ocorre na proporção de um dia de pena a cada 12 horas de frequência
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara a utilizar atividades de leitura e cursos na modalidade de ensino a distância (EaD) para fins de remição de pena. Câmara foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado que buscou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022, no âmbito da Ação Penal nº 2.693.
Ex-assessor de Bolsonaro e integrante do chamado Núcleo 2 da trama golpista, o militar encontra-se custodiado no Batalhão da Polícia do Exército de Brasília (BPEB). A decisão de Moraes condiciona a realização das atividades educacionais ao cumprimento das normas internas da unidade militar.
No caso da leitura, o ministro determinou o cumprimento dos critérios estabelecidos pela Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta a remição de pena mediante leitura de obras literárias, com exigência de comprovação e avaliação do conteúdo. Cada obra validada pode resultar na redução de até quatro dias da pena.
Exército aponta viabilidade de trabalho interno
Além das atividades educacionais, a defesa de Marcelo Câmara solicitou autorização para o exercício de trabalho interno durante o cumprimento da pena. Em resposta a despacho do ministro Alexandre de Moraes, o Exército Brasileiro informou ao STF que há viabilidade para a oferta dessas atividades, desde que haja autorização judicial.
O posicionamento consta de ofício encaminhado na semana passada pelo Batalhão da Polícia do Exército de Brasília, responsável pela custódia do coronel. No documento, o comando da unidade afirma que o custodiado poderá exercer atividades de natureza intelectual dentro da própria estrutura militar.
Segundo o Exército, o trabalho proposto envolve pesquisa, produção de análises e elaboração de relatórios técnicos, a partir de temas previamente definidos pelo Comando Militar do Planalto. As atividades incluem leitura dirigida de obras de cunho histórico-profissional indicadas pela Biblioteca do Exército (BIBLIEx), com produção de textos analíticos entre cinco e oito páginas por obra, voltados à avaliação da atualidade, pertinência temática e eventual uso como apoio à instrução militar.
O ofício também informa que o militar poderá desenvolver pesquisas técnico-profissionais, com acesso à bibliografia especializada e ao repositório institucional do Exército. Nessa modalidade, os produtos esperados são relatórios técnicos contendo introdução, análise fundamentada, conclusões, recomendações finais e referências bibliográficas, conforme temas definidos pela Seção de Doutrina do Comando Militar do Planalto.
A jornada de trabalho proposta prevê seis horas diárias, podendo chegar a oito horas, inicialmente em regime de quatro dias por semana, com possibilidade de ampliação para até seis dias. Os horários indicados são das 7h às 10h e das 13h às 16h, com descanso aos domingos e feriados, conforme a Lei de Execução Penal.
Antes de decidir sobre o pedido, Moraes determinou que o Exército encaminhasse informações detalhadas sobre a natureza das atividades e a carga horária, o que foi atendido. A autorização judicial para o início do trabalho interno ainda será analisada pelo relator.
Condenação
Marcelo Câmara foi condenado por integrar o Núcleo 2 da organização golpista, grupo responsável pela execução operacional das ações de ruptura institucional. Entre as condutas atribuídas ao militar está o monitoramento da rotina do ministro Alexandre de Moraes, em um contexto que envolvia a hipótese de sequestro e assassinato do magistrado.
Com informações de Migalhas e ICL Notícias
Respostas de 6
Eu me sentiria constrangido de trabalhar diretamente com um condenado na posição de subordinado
“exercer atividades de natureza intelectual “, planejar golpe?
Nenhum desses condenados Irão dar entrevistas?!
Situação delicada….Ainda bem que como QAO nunca me deram oportunidade de integrar ou participar de algo contra a democracia…
Certamente achavam que eu nao teria nada a contribuir, por ser “praça”…..na visão deles
Pessoas insignificantes são desapercebidas, tio!
Vai se acabar fazendo os curso EAD rolha do EB. kkkkk