Cone Sul: presença militar americana no Paraguai gera impacto na segurança regional

Acordo EUA e Paraguai
(imagem: Click Petróleo e Gás)

 

Acordos militares reforçam capacidades paraguaias em rios, crises e cibersegurança, com apoio direto do Comando Sul

Reciel Rocha Fonte
A ampliação da cooperação militar entre Paraguai e Estados Unidos marca uma inflexão relevante no posicionamento estratégico do país vizinho no Cone Sul e reacende debates sobre os impactos dessa aproximação na segurança regional. Quatro acordos firmados entre Assunção e Washington preveem cerca de US$ 30 milhões em doações, treinamentos e investimentos em infraestrutura, com foco na vigilância fluvial, na resposta a crises e no fortalecimento da defesa cibernética. Os entendimentos também autorizam a atuação de forças norte-americanas em território paraguaio.

As parcerias envolvem diretamente o Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares na América Latina, e foram consolidadas após a apresentação do Acordo sobre o Estatuto das Forças, o SOFA. O instrumento cria o marco jurídico que regula a presença de militares e pessoal civil norte-americano no Paraguai, permitindo a realização de atividades conjuntas de segurança.

Entre os principais eixos está o programa Resiliência Naval, voltado ao monitoramento dos rios Paraná e Paraguai, considerados estratégicos para o comércio, a logística e o combate a ilícitos. Segundo o ministro da Defesa paraguaio, general da reserva Óscar González, o acordo prevê a doação de dez lanchas de patrulha e duas embarcações de maior porte. Uma unidade já está no país, seis devem chegar entre janeiro e março de 2026, e as demais ainda neste ano. As embarcações têm oito metros de comprimento e capacidade para até 15 pessoas, com todo o material fornecido pelo Comando Sul, que também coordena treinamentos e suporte técnico.

Outra frente envolve a capacitação para crises e contingências. Em janeiro, um avião das Forças Armadas dos Estados Unidos desembarcou no Paraguai com um oficial e 11 sargentos, responsáveis por treinar 40 militares paraguaios ao longo de seis meses. O programa inclui instruções em tiro e explosivos, combate em ambientes confinados com foco em resgate de reféns, natação de combate, além de cursos de atirador de elite e especialista em explosivos.

Na área tecnológica, os acordos avançam sobre cibersegurança e ciberdefesa. O chefe da Direção Geral de Tecnologias de Informação e Comunicação, general Roger Camacho, anunciou a liberação de US$ 3,5 milhões em equipamentos e treinamento. O objetivo é viabilizar um Centro de Operações de Segurança, o SOC, destinado ao monitoramento e à resposta a ameaças digitais, com equipamentos previstos para chegar ainda este ano.

A ampliação da presença militar americana ocorre em um contexto sensível. Em dezembro, um novo acordo autorizou formalmente a atuação de forças dos Estados Unidos no Paraguai, reacendendo discussões sobre soberania, equilíbrio geopolítico e possíveis tensões diplomáticas com o Brasil. O entendimento se soma a outro acordo firmado em maio, que facilitou o fornecimento de armamentos ao país.

O combate ao crime organizado transnacional é apontado como pilar central dessa aproximação. O Paraguai é considerado um corredor estratégico do narcotráfico na região, utilizado para o escoamento de cocaína com destino ao Brasil e a outros mercados, cenário que pressiona por maior cooperação internacional em segurança.
GDia – Edição: Montedo.com

Respostas de 5

  1. Aquela cooperação militar brasil-Paraguai vai ficar obsoleta e sem sentido. E com certeza se tiver tropas americanas eles ao longo do tempo irão testar a capacidade de reação dos militares brasileiros e adentrarão em nosso território.

    1. Cercando, cara pálida? eu me vejo cercado todo dia…de impostos que não vejo retorno nos serviços públicos, de roubalheira de instituições, de políticos ladrões, de inflação toda vez que vou ao supermercado…estar “cercado” pelos gringos, como vc alega, de longe é o menor dos problemas

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