Responsável por coordenar operações de Garantia da Lei e da Ordem, Jungmann teve papel central na atuação das Forças Armadas no Rio de Janeiro durante a crise da segurança pública; ele lutava contra um câncer no pâncreas.
O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. A morte foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade da qual era diretor-presidente desde 2022. Jungmann enfrentava um câncer no pâncreas e estava internado desde sábado (17).
Com trajetória marcada pela área da defesa e da segurança pública nos últimos anos da vida política, Jungmann comandou o Ministério da Defesa durante o governo Michel Temer e teve atuação decisiva na coordenação de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), especialmente no Rio de Janeiro, em meio à escalada da violência e ao colapso da segurança estadual.
À frente da Defesa, foi responsável por articular o emprego das Forças Armadas em ações de apoio às forças de segurança, incluindo operações em comunidades do Rio, proteção de instalações estratégicas e ações de patrulhamento. Em 2018, tornou-se o primeiro ministro da recém-criada pasta da Segurança Pública, cargo a partir do qual coordenou a intervenção federal na segurança do estado fluminense.
Durante esse período, Jungmann atuou como principal elo político entre o governo federal, os comandos militares e as forças policiais estaduais, defendendo o uso das Forças Armadas como instrumento excepcional diante do avanço do crime organizado. As operações de GLO no Rio de Janeiro se tornaram o principal marco de sua passagem pelo governo Temer.
Antes disso, Jungmann havia ocupado outros cargos no Executivo federal. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi ministro do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Deputado federal por Pernambuco por três mandatos, Jungmann ganhou projeção nacional a partir da atuação no Congresso e no Executivo. Na Câmara, foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção na compra de ambulâncias, e integrou a Frente Brasil Sem Armas durante o referendo de 2005 sobre a venda de armas de fogo.
Na legislatura iniciada em 2015, posicionou-se na oposição ao governo Dilma Rousseff e defendeu o impeachment da presidente, processo que levou Michel Temer à Presidência da República.
Jungmann chegou a ser investigado por suspeitas de irregularidades em contratos firmados durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas o inquérito foi posteriormente arquivado pela Justiça Federal.
O ex-ministro deixa dois filhos e uma neta. O velório e a cremação serão realizados em Brasília, em cerimônia restrita a familiares e amigos.
Uma resposta
Como diz um colega aqui no blog: um água de salsicha, quando ministro da defesa, nada acrescentou a instituição. Meus respeitos ao ser humano, pois não desejo a morte para ninguém, nem mesmo para Bolsotrevas que foi o pior presidente da república de todos os tempos para as praças.