Defesa do general Heleno diz que Exército errou ao registrar Alzheimer desde 2018

General Augusto Heleno e seu advogado no segundo dia de interrogatórios no STF — Foto: Ton Molina/STF

 

Defesa afirma que data divulgada pelo laudo militar é incorreta e que diagnóstico só foi confirmado este ano

Cleber Lourenço
A defesa do general Augusto Heleno adotou uma nova estratégia para reagir às cobranças do Supremo Tribunal Federal sobre a evolução clínica do ex-ministro: colocou o Exército no centro da controvérsia e atribuiu ao laudo militar produzido no momento da prisão a responsabilidade pela informação de que o general teria Alzheimer desde 2018.

A mudança de versão foi apresentada ao ministro Alexandre de Moraes neste sábado (29). A defesa sustenta que o diagnóstico de Alzheimer só foi confirmado no início de 2025, após exames realizados no ano anterior, e que qualquer referência a 2018 como marco inicial da doença teria origem exclusiva no documento produzido pelo Exército durante o exame de corpo de delito.

O relatório militar foi elaborado na semana passada, logo após a prisão de Heleno no Comando Militar do Planalto. Nele, o perito registra que, ao ser questionado sobre doenças pré-existentes, o general de 78 anos afirmou “ser portador de Demência de Alzheimer em evolução desde 2018, com perda de memória recente importante, prisão de ventre e hipertensão, em tratamento medicamentoso (polifarmácia)”. Esse trecho se tornou o principal ponto de atrito entre a defesa e a corporação.

A defesa afirma que jamais comunicou essa informação. “Em nenhum momento esta defesa técnica afirmou que o requerente possuía a doença de Alzheimer desde o ano de 2018. O único local que esta informação aparece é no laudo de corpo de delito realizado quando do cumprimento do mandado de prisão do requerente”, escreveu o advogado Matheus Milanez ao STF.

Acompanhamento psiquiátrico
Os advogados sustentam que Heleno está sob acompanhamento médico e psiquiátrico desde 2018, mas insistem que isso não se confunde com o diagnóstico de Alzheimer. A afirmação registrada no relatório, alegam, teria surgido por uma falha na própria coleta das informações pelo perito militar.

“O que, provavelmente, deve ter sido um equívoco por parte do perito ao indagar ao requerente sobre seu estado de saúde, considerando que apresenta diagnóstico de Alzheimer e não tem condições de explanar sobre marcos temporais”, diz a defesa.

A versão tenta reposicionar a cronologia apresentada até agora ao STF e contornar as contradições entre o laudo militar, a audiência de custódia — na qual Heleno também mencionou sintomas desde 2018 — e os documentos apresentados até aqui. Para Moraes, a clareza sobre a evolução clínica do general é determinante para avaliar o pedido de prisão domiciliar.

Comprovação sobre estado de saúde
Embora a Procuradoria-Geral da República tenha se manifestado a favor da medida humanitária, o ministro exigiu comprovação documental e questionou se órgãos do governo foram informados da condição de saúde do general ao longo dos anos em que comandou o Gabinete de Segurança Institucional.

Ao atribuir ao Exército o erro na data, a defesa busca afastar a suspeita de inconsistência deliberada, reduzir a necessidade de laudos antigos e reconstruir a linha temporal de forma mais favorável. A corporação, até agora discreta no processo, torna-se peça central na disputa sobre a credibilidade do relatório que embasou parte das decisões judiciais.

Ao ICL Notícias, o advogado Matheus Milanez afirmou que não irá se pronunciar sobre o caso.
ICLNOTÍCIAS – Edição: Montedo.com

Respostas de 7

  1. O general diz que o Exército errou? Lamentável e melancólico fim de um general acometido da doença do vil metal que, no final da vida, esqueceu tudo que aprendeu, pregou e cobrou. Descobriu tarde que o Exército erra, vide decisões judiciais, um militar que jogou sua carreira no vaso sanitário, junto com os valores castrenses e deu descarga.

  2. Que coisa horrível e detestável. Merece realmente ser declarado indigno somente por essa mentira e ainda jogou a culpa para o EB, como se alguém tivesse um diagnóstico não saberia, para tomar o remédio prescrito. Esse cidadão é uma vergonha.

      1. Quando o advogado fala nos autos, como defesa técnica, é como sempre próprio assistido falassem, exceto quando presta o depoimento. Segundo a defesa: “… Colocou o Exército no centro da controvérsia e atribuiu ao laudo militar produzido no momento da prisão a responsabilidade pela informação de que o general teria Alzheimer desde 2018.” Mais esta: ” A afirmação registrada no relatório, alegam, teria surgido por uma falha na própria coleta das informações pelo perito militar.” E por fim esta: ” Ao atribuir ao Exército o erro na data, a defesa busca afastar a suspeita de inconsistência deliberada …”. Ou seja alegou que foi induzido por erro do laudo emitido pelo EB. Agora, se tem problemas cognitivos, tudo bem, mas poderia ler todo o enredo. Por fim, não sou seu tio, pois meu sobrinhos, todos estão estudaram e muito bem. Passar bem.

      2. “Rodolfo”, seu comentário é a prova de que muitos não compreendem o básico.

        Quando o advogado fala em nome do seu cliente no processo, por óbvio é como se o próprio cliente estivesse falando.

  3. Interessante…

    Esses srs sempre afirmam que o Exército nunca erra.

    Quando algum militar comete o “crime” de apontar erros, passa a ser perseguido e tendo a sua carreira encerrada.

    Mas agora um dos integrantes desses “sacerdotes” de outrora é quem diz que a Instituição errou!?

    Interessante, muito interessante.

  4. Imagine se o EB iria cometer algum erro, ainda mais o médicos militares! Se bem que tivemos à pouco um comandante em cadeiras de rodas que iniciou este estados de coisas com uma notinha ao STF E depois retroagiu sua incapacidade a época em que comandava o EB…

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