Milei nomeia general para ministério da Defesa e esquerda fala em “retrocesso democrático”

Javier Milei durante cerimônia de posse da presidência da Argentina no dia 10 de dezembro de 2023
Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

 

Tenente-general Carlos Alberto Presti é o primeiro militar no cargo desde o retorno da democracia em 1983


Bruno Sznajderman
Após o presidente argentino, Javier Milei, ter nomeado neste sábado (22) o tenente-general Carlos Alberto Presti, atual chefe do Estado-Maior do Exército, como novo ministro da Defesa, diversos opositores políticos e organizações de direitos humanos no país afirmaram que a indicação representa um “retrocesso democrático”.

O ex-ministro da Defesa durante os governos de Cristina Fernández (2007-2015) e Alberto Fernández (2019-2023), Agustín Rossi, declarou em entrevista à Rádio 10 neste domingo que a nomeação de um militar para chefiar o ministério “é um enorme retrocesso para a democracia argentina e para as Forças Armadas”.

Ele ainda opinou que “as Forças Armadas estão se envolvendo com o destino do governo, quando deveriam ser protegidas de qualquer influência política”.

A nomeação de Presti torna o oficial o primeiro militar a chefiar o Ministério da Defesa desde o retorno da democracia em 1983.

Jorge Taiana, deputado peronista eleito pela província de Buenos Aires e também ex-ministro da Defesa, concordou com Rossi e afirmou em uma publicação nas redes sociais que o controle civil das Forças Armadas “é um consenso democrático de mais de 40 anos” e que nomear um militar para chefiar o ministério “implica o uso partidário” da instituição.

Ele também afirmou que o governo atual “falhou em implementar aumentos salariais e levou à falência o sistema de saúde militar”, deixando “famílias de militares desprotegidas. Mais uma vez, as Forças Armadas estão sendo usadas para dar continuidade às políticas de austeridade e endividamento”.

As críticas políticas foram corroboradas pelo grupo de direitos humanos HIJOS, que divulgou uma mensagem nas redes sociais no sábado afirmando: “Alberto Presti será o novo Ministro da Defesa. Esta é a primeira vez, desde o retorno da democracia, que este cargo será ocupado por um membro das Forças Armadas. Seu pai, Roque Carlos Presti, foi acusado de crimes contra a humanidade cometidos pelo regime terrorista de Estado”.

A Presidência da República anunciou a nomeação de Presti no sábado e enfatizou, em comunicado, que sua chegada visa promover “a profissionalização, modernização e despolitização” das Forças Armadas, em consonância com a estratégia de segurança e defesa promovida pelo Poder Executivo desde 2023.

Presti assumirá o cargo em 10 de dezembro, quando o atual ministro, Luis Petri, deixará o cargo para assumir sua cadeira no Parlamento.

A saída de Luis Petri foi anunciada juntamente com a de Patricia Bullrich, Ministra da Segurança Nacional, que foi eleita para o Senado em 10 de dezembro e será substituída pela atual Secretária de Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva.
GAZETA DO POVO – Edição: Montedo.com

Respostas de 5

  1. A esquerda não gosta que militares assumam ministérios. Isso faz parte do Consenso de Washington. Foi assim no governo Fernando Henrique quando foi criado o Ministério da Defesa, criando comandos militares com a intenção de enfraquecer os militares. Nos EUA os militares são primordiais para tomar decisões complexas. Exemplo: General George Marshal, cujo plano de reconstrução da Europa após o fim da Segunda Guerra Mundial, leva o seu nome. Foi também secretário de Estado. No Brasil existe ojeriza contra os militares, que parte principalmente da esquerda, notadamente dos que participaram da luta armada. Lamentável.

    1. pior que ter um militar no Cmdo do Min. da Defesa é ter um Geraldo Quintão, Elcio alvares…um comunista, Jobim. Excelente o Presidente da Argentina….Sem falar que a criação desse ministério foi para atender os interessses do Consenso de Washington. Isso e traição a Pátria.

    1. São até piores….
      Argentinus são como a nossa marinha daqui, tudo sangue azul.
      O exercito da nossa irmã Argentina amarga até hoje a derrota na guerra das Malvinas, tem pouco apoio popular e pode estar entrando numa canoa furada com a versão ridícula do mito deles, versão Argentina.
      Coit@dos dos hermanos!!
      Só resta orar para que a justiça da Argentina funcione como a daqui e coloque todos os criminosos na cadeia, pois aqui se faz aqui se paga, já dizia o pensador Decréscimo, Jurunas filósofo!

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