André Lefon Ribeiro de Souza Martins foi preso nesta quinta-feira após enganar família e obter cerca de R$ 50 mil para suposto trabalho na Interpol, em Londres
Belo Horizonte – O homem que fingia ser major do Exército e chegou a forjar o casamento com a vítima, em Belo Horizonte (MG), teve a farsa descoberta depois de a família da mulher contratar um advogado para fazer um dossiê e a própria mãe dele aparecer e contradizer sua versão dos fatos. André Lefon Ribeiro de Souza Martins, de 24 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira, após a Polícia Militar ser acionada para conter uma pessoa que fazia ameaças com uma faca. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
A vítima, de 26 anos, passou o dia na delegacia nesta quinta-feira e deu detalhes à imprensa sobre os dez meses de relacionamento e a “teia” de mentiras promovida pelo falso major. Ela, cuja identidade foi preservada, disse que Martins “ostentava distintivos militares, circulava fardado e contava histórias elaboradas sobre supostas operações oficiais”, segundo o jornal mineiro O Tempo. Além disso, costumava atirar da varanda da casa. A polícia descobriu se tratar de uma arma de airsoft.
— Em um único dia, muita coisa veio à tona. Eu não parei para respirar — disse ela, em declarações reproduzidas pelo jornal. — Mas, de certa forma, estou aliviada por isso ter acabado. Foram só dez meses. Imagina se tivessem sido anos com essa pessoa?
A família começou a desconfiar de Martins a partir de “pequenas dúvidas” sobre as histórias que ele contava. Ele contornava a situação com explicações convincentes, segundo a vítima. Até que um dia ela exigiu provas do que ele falava. O homem entregou um documento, com suposta autenticação de cartório e QR Code, que citava “operações militares, datas, nomes falsos que ele usaria por ser do Exército”. O Comando Militar do Leste confirmou que Martins não faz parte das Forças Armadas.
Martins também dizia para a vítima que sua família era muito separada e tentava evitar a própria mãe. Os supostos irmãos nunca puderam ser contatados. Segundo O Tempo, a mulher afirmou que o homem reagia emocionalmente quando era questionado.
— Ele dizia: ‘Se você não confia em mim, é melhor não estarmos juntos’, pegava a mochila e falava que iria embora — relatou ela.
O homem chegou a forjar um casamento em casa, com um suposto juiz de paz — era, na verdade, um amigo dentista. A mãe do noivo “não conseguiu” comparecer, na ocasião, disse ele.
Durante o relacionamento, Martins teria incentivado a vítima a largar o emprego. Ele também disse que havia sido aprovado para trabalhar na Interpol, em Londres, e pediu ajuda para custear a empreitada.
— Ele disse que não tinha como pagar e, como já estávamos noivos, pedi ajuda aos meus pais e à minha avó. Foram cerca de R$ 50 mil — disse a mulher.
A “mudança” estava prevista para o próximo dia 27. No dia 8, a mãe dele apareceu na festa de despedida e contradisse informações do falso major: era filho único e não tinha curso superior. A família então contratou um advogado criminalista para desvendar a história.
Segundo a polícia disse ao g1, Martins foi detido em 2022 pelo mesmo tipo de crime — em Varginha, no Sul de Minas, ele fingiu ser um médico.
O Globo – Edição: Montedo.com
Respostas de 2
Enquanto existir mané, malandro não morre de fome.
Não percebeu pela barbinha que não era nenhum major, nem pertencia à família Theophilo? Tolinha…