Transformando soldados em cidadãos: subtenente relata em livro sua experiência

Livro Tiro de Guerra

 

Obra promete ser referência para os Tiros de Guerra do Brasil

 

Itamaraju (BA) – Em 28 de novembro próximo, o Subtenente do Exército Jermesson Odely estará na cidade baiana para lançar seu livro “Tiro de Guerra – A arte de transformar Soldado em Cidadão”, baseado em sua experiência como instrutor do Tiro de Guerra 06-025.

Subtenente Jermersson à frente do TG 06-025

Com mais de 3.000 horas de dedicação, o autor apresenta uma obra robusta de 304 páginas, ricamente ilustrada, que esclarece a finalidade do serviço militar sob a ótica do Sistema Nacional de Mobilização. O livro narra a rotina do Tiro de Guerra de Itamaraju e serve como referência para os mais de 200 TGs espalhados pelo Brasil.

Residindo atualmente em Curitiba, o militar descreve em entrevista os desafios enfrentados enquanto esteve à frente do Tiro de Guerra, que incluíram a pandemia da Covid 19 e uma enchente de grandes proporções.

Essa é a sua primeira experiência como escritor?
Subtenente Jermesson – Na verdade, é a segunda obra que escrevo. Em 2020 eu lancei o livro “Acreditei em mim mesmo”, contando minha própria história, frente às vicissitudes passadas, desde a infância até ingressar na Escola de Sargento das Armas.

De onde veio a inspiração para a idealização do livro “Tiro de Guerra – A arte de transformar Soldado em Cidadão”?
– O envolvimento a partir da razão de existir do Tiro de Guerra, na perspectiva de preparar o cidadão para a defesa territorial, concomitante ao encargo de formá-lo pessoa referência em civismo e cidadania, mostrou-me a solidez do resultado. Constatei que os municípios contemplados com essas Escolas de Civismo e Cidadania possuem um potencial significativo como ferramenta preventiva e duradoura para combater a vulnerabilidade do jovem, frente a sua exposição às ilicitudes, às experiências levianas e às amizades desnutridas. É, sem dúvida, um método de ação preventiva social, pois tem como objetivo, promover e fortalecer comportamentos que favoreçam o bom convívio coletivo, prevenindo assim futuros problemas sociais.

Que público você pretende atingir?
Ainda que o resultado social do sistema Tiro de Guerra seja profícuo, a sociedade, de modo geral, desconhece sua existência e sua capilaridade, no tocante à defesa nacional. Atualmente, existem mais de 200 TG espalhados por todo território da federação, que funcionam por meio de acordo de cooperação entre o município e o Exército. São mais de 12 mil atiradores formados anualmente, beneficiando a instituição EB, o município e o cidadão, principalmente. A obra busca servir como troca de conhecimento à comunidade militar, aos agentes públicos que buscam soluções eficazes na área social, e também a todas as pessoas que prezam e cultuam o civismo e a cidadania.

A sociedade vê as Forças Armadas como uma “escola” de civismo e cidadania. O que você acha desse ponto de vista?
Essa questão é interessante e ao mesmo tempo empolgadora. Veja bem: o desenvolvimento do civismo e da cidadania é função secundária da formação militar.

A partir dessa premissa, surge um questionamento basilar: a quem cabe a transmissão do civismo e da cidadania? Ora pois, a Constituição Federal estabelece que a educação é um dever do Estado e da família, que deve ser promovida e incentivada por toda a sociedade (Art. 205), como direito difuso. Para tanto, o Estado deve promover o civismo e a cidadania por meio de políticas públicas.

Se não fosse fundamental na estrutura do bem-estar social, tais termos não teriam sido contemplados na Carta Constitucional. Ainda que a sociedade tenha as Forças Armadas como referência na propagação do civismo e da cidadania, o Estado brasileiro conta com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para articular as políticas de promoção para esses fins. Daí, conclui-se que até mesmo as missões subsidiárias das Forças Armadas são cumpridas com excelência!

Subtenente Jermesson discursa ao ser homenageado em Itamaraju

Cite três atividades que envolveram o TG 06-025 na sua gestão, que a seu ver, merecem destaque.
As atividades do Tiro de Guerra possuem um perfil muito bem definido, baseado na sua razão de existir. Além da formação militar, também envida-se grandes esforços no eixo social.

O primeiro ano de trabalho, à frente do TG, aconteceu com a intensificação da pandemia covid-19. Sem dúvida foi um período desafiador, onde tivemos que aprender a conviver com aquela situação e nos adaptar aos protocolos sanitários impostos pelo município e pelo comando do Exército. Ainda assim, o TG 06-025 não parou. O risco de morte também batia em nossas portas, mas a sociedade esperava uma ação do nosso pessoal. Diante de todo esse cenário, encerradas as instruções do dia, os jovens partiam para a linha de frente do combate, compondo as equipes formadas pela Secretaria de Saúde e Guarda Municipal para enfrentar um inimigo contagioso, invisível e letal.

Não bastasse o infortúnio da covid-19, no final de 2021 enfrentamos o maior desastre climático já registrado na história de Itamaraju – que ficou conhecido como a Grande Enchente. Um desastre climático que resultou numa destruição sem igual, jamais vista na região, além de óbitos e centenas de desabrigados, deixou danos significativos à infraestrutura, à economia e ao meio ambiente.
Neste cenário, Itamaraju assistiu à razão de existir do Tiro de Guerra, que trabalhou diuturnamente para amenizar os danos.

O terceiro fato que merece destaque ocorreu quando o TG 06-025 recebeu a missão de planejar, coordenar e executar a segurança do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e de sua comitiva, por ocasião da visita à cidade para avaliar o estrago realizado pela enchente.

Os atiradores foram impecáveis, e até hoje carregam no peito o orgulho de terem recebido essa distinta e dasafiadora missão real.

Me diga o que jamais vc esquecerá de Itamaraju?
Essa é fácil. O seu povo. O calor humano que o itamarajuense carrega, o sorriso irradiante que esse povo distribui, de forma gratuita. A paisagem avistada do cume do Monte Pescoço.

Como você avalia sua passagem como comandante do Tiro de Guerra de Itamaraju?
No viés militar, acredito que os jovens foram muito bem preparados para cumprir a missão de defesa territorial, em caso de guerra declarada, seja na preparação técnica, física ou psicológica. E a imagem do Braço Forte e Mão Amiga do Exército também foi fortalecida.

No viés social, vejo que houve uma transformação colossal, onde os frutos estão sendo colhidos diariamente. O cabedal de conhecimento que esses jovens adequiriram ao longo da formação militar, é impressionante.

Ainda assim, sem a intenção de parafrasear o apóstolo Paulo, ainda que eu tenha combatido o bom combate e guardado a fé, não fiz nada além do dever, pois, como Soldado, meu compromisso é dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria. Essa era a minha missão.

Depois de sua passagem pelo comando do TG 06-025 e ter recebido o título de Cidadão Honorário, qual é o seu sentimento por Itamaraju?
O cargo de instrutor do Tiro de Guerra faz do militar um sacerdote da função, onde toda sua energia (física e mental) está integralmente voltada para as atividades do TG.

Sem dúvida, é gratificante ter o reconhecimento da sociedade e dos poderes constituídos. A forma pela qual o trabalho foi desenvolvido criou-se uma sinergia de pertencimento, confundindo o profissional com a pessoa do Jermesson. Hoje, me sinto itamarajuense de alma e coração.

Como adquirir
O livro está disponível para venda, a R$ 39,90, mais taxa de envio pelo correio.

Informações: (65) 981501707

Respostas de 17

  1. Olha só que maravilha, parabéns sub, militar exemplar, foi meu instrutor no curso de Paraquedista…merece todas as honras. Com toda certeza esse livro servirá de legado para os futuros Cmt de TG. Parabéns mais uma vez!!!

  2. balela do tamnaho do mundo. O atirador, juridicamente nao e militar. nao tem nenhum vinculo com a Força. è o st querendo pontos, o prefeito votos, o exercito RP e o atrd como objeto. este cidadao é obrigado a prestar serviço de graça, sema alimentos, salarios, amparo de saude e outros. nao tem nem direito a auxilio funeral.

      1. Ja estive no TG, vivi essa ilusao. acordei no primeiro dia que pisei no TG. mas cumpri a missão ate o final. Sem hipocrisia, preciosismo nem mentiras. sempre respeitando o jovem atirador cumpridor do serviço militar. Nunca quis ganhar placa na cidade. para a cidade, sai anonimo como entrei. Mas certamente nao sai anonimo do coração dos 200 atiradores com os quais convivi.

        1. A sua passagem pelo TG deve ter sido bem medíocre. Pelo perfil do seu comentário, o máximo que vc fez foi o mínimo para cumprir a missão. No TG ninguém é enganado, nós sabemos que somos Combatentes de Defesa Territorial. Nos TG não se tem ajuda de custo, mas no TG 06-025 o ST Jermesson foi autor da lei municipal que criou uma ajuda de custo para os atiradores (tá bom pra vc?), além dessa lei ele também foi autor de mais duas leis em benefício direto para os atiradores (tá bom pra vc?). O TG 06-025 criou dois projetos com o objetivo de beneficiar toda a comunidade – um na área turística e outro na contenção de urubu na cidade (tá bom pra vc?). Nossa formação era baseada no exemplo que ele nos dava. Vc imagina um ST fazer 150 flexões? Vc consegue imaginar um ST fazer 30 barras? Se vc foi medíocre na função, problema é seu. Pergunta em Itamaraju quem é o ST Jermesson. É uma pessoa querida por todos. Coitado do TG que vc comandou, parceiro.
          O seu comentário é de quem desdenha. É de invejoso.

    1. Fiquei impressionado pelo nível das respostas dessa entrevista. Esse Subtenente tem uma visão espetacular. Ele me fez pensar diferente quanto à função principal e secundária do Exército, pois eu (como muitos) não tinha parado pra pensar sobre isso. É comum as pessoas falarem: fulano entrou no Exército, agora ele vai tomar jeito; querendo dizer que o dito cujo vai aprender o que seus pais e a escola deveriam ter ensinado. O ST Jermesson foi muito inteligente em dizer que existe um Ministério para desenvolver políticas públicas no tocante ao civismo e à cidadania (que não é o Ministério da Defesa, mas sim o Ministério da Cidadania). De fato, a atividade principal das Forças Armadas é ensinar a usar armas e táticas de guerra, objetivando a defesa da soberania nacional. O civismo e a cidadania estão no segundo plano.
      Esse Subtenente Jermesson é um abençoado.
      Nunca vi e nem ouvi nenhum militar ou cientista político tocar nesse assunto.
      Acredito que o livro esteja abordando esse assunto.

  3. No Ano de 2012, cumprir o serviço militar no “Tiro de guerra 06-025, Foi muito bom!!!.
    Vários aprendizados, companheirismo, Camaradagem, missões etc..
    fiz amizades, amigos que irei lembrar pro resto da vida.
    Os jovens de hoje, fazem de tudo para não servir.
    Se eles soubessem como é bom..
    A mentalidade muda.
    Ali você aprende a ter responsabilidade, respeito, ali te prepara para a vida lá fora.
    Só entende que já viveu..
    Ainda sinto saudades daquele tempo.. Tempo que não volta mais.👍🤌

  4. Cumpri em 2022. Ainda sinto saudades e fico feliz em saber que faço parte da história desse livro.
    O TG foi um divisor de águas e, graças ao nosso bom Deus, pude contar com o comando do ilustre ST. Jermesson Odely; escritor desse livro no qual eu também sou protagonista.

  5. Sei o quanto deve ser terrível ter a mentalidade dessas pessoas que falam mal de um excelente profissional. O TG nos dá a perfeita ideia da nossa missão como combatentes de Força Territorial e como agentes ativos na sociedade. Somos forjados para ser líderes pensantes. Eu não posso falar pelos outros TG, mas o de Itamaraju ele cumpre com maestria sua razão de existir. Lembro muito bem das palavras do ST Jermesson, durante a formatura de matrícula. Ele disse: caros atiradores, não vos prometo vida fácil, mas sim, minha total dedicação para que vcs tenham uma formação digna e da qual a sociedade espera. Entreguem-se de corpo e alma, pois a recompensa estará no âmago do seu caráter, e ninguém conseguirá surrupiar”. O ST disse e fez exatamente isso. É um homem incrível.

  6. esses cabos do TG escrevem tão bem que parecem um ST Pqdt ex-Ch TG,kkkk. Pode ser pelo profissionalismo e bom exemplo deixado pelo companheiro, parabéns, passei por esta missão e posso atestar o que você diz. Brasil acima de tudo!

  7. A mudança mais significativa ocorrida em minha vida aconteceu durante o período que estive no TG 06-025. Lá encontrei o que me faltava: um norte para minha vida. Uma das frases do ST Jermesson: Vc quer que eu diga o que vc quer ouvir ou o que vc precisa ouvir? com esse talento e firmeza a gente tinha nesse líder uma referência. Ele conhecia todos os seus atiradores como ninguém, conhecia o problema de cada um, e trabalhava para nos ajudar. Até bolsa de estudos em faculdade ele conseguia para os atiradores. Ele me deu a oportunidade de fazer alguns cursos profissionalizantes, e graças a ele, hoje tenho minha empresa e presto serviço na área elétrica para Itamaraju e municípios vizinhos. Hoje, quando vejo meus irmãos atiradores formados (ou se formando) em Direito, Engenharia, Arquitetura, Teologia, como empresários ou ainda como pai de família e cidadão de bem, vejo aí o resultado do trabalho do ST Jermesson.
    Ele nos dizia que o nosso sucesso era “questão de tempo”.

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