Os bastidores da conversa entre Cláudio Castro e governo Lula sobre blindados e GLO no Rio

O Hospital Naval Marcílio Dias fica no Lins de Vasconcelos, uma região que abriga diversas comunidades

 

Primeiro pedido ocorreu após morte de uma oficial dentro de hospital da Marinha

Malu Gaspar e Johanns Eller
Os blindados militares reivindicados pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que se tornaram pivôs da troca de acusações entre o político bolsonarista e o governo Lula após a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) que já deixou quase 70 mortos na capital fluminense, foram solicitados pela primeira vez em janeiro passado, após a morte de uma médica da Marinha por bala perdida dentro do Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio.

Capitão de Mar e Guerra Médica, Gisele Mendes, Superintendente de Saúde do Hospital Naval Marcílio Dias

Na ocasião, a capitã de Mar e Guerra Gisele Mendes de Souza e Mello, de 55 anos, capitã de Mar e Guerra, foi baleada na cabeça durante uma cerimônia no auditório da Escola de Saúde da Marinha, que integra o complexo hospitalar no bairro do Lins de Vasconcelos.

Segundo fontes ouvidas pela equipe do blog, a Marinha chegou a posicionar blindados no entorno do hospital, no limite legal de 1,4km no entorno de instalações das Forças Armadas. Um ofício de Castro enviado ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, em 28 de janeiro – pouco mais de um mês após a morte de Gisele – formalizou o pedido do governo fluminense para que a pasta cedesse os mesmos veículos para utilização de forma mais ostensiva.

“Venho mui respeitosamente solicitar a valiosa cooperação e apoio logístico da Marinha do Brasil por meio do fornecimento de veículos blindados, com os respectivos operadores e mecânicos, para atuarem nas intervenções policiais em áreas de risco no estado do Rio de Janeiro”, diz o documento assinado pelo governador do PL.

Segundo interlocutores de Múcio, a ideia foi bem recebida pelo titular do Ministério da Defesa, que transmitiu a Castro seu apoio à proposta. A cessão dos blindados da Marinha, porém, foi vetada ao chegar na Casa Civil e contou com a oposição direta de Lula.

Isso porque, na interpretação do entorno do presidente, os veículos militares só poderiam ser usados em operações no Rio por meio de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), hipótese rejeitada pelo petista.

A GLO é o instrumento pelo qual as Forças Armadas podem ser empregadas em intervenções de segurança pública e é prerrogativa exclusiva do presidente da República. Prevista na Constituição Federal, a operação já foi acionada por Lula em duas ocasiões no estado do Rio neste terceiro mandato: a primeira nos portos da capital e da cidade de Itaguaí e a segunda durante a Cúpula do G20 em novembro de 2024.

Em coletiva de imprensa pela manhã, Cláudio Castro chegou a criticar indiretamente o atrelamento entre a cessão dos blindados e a necessidade de GLO.

“Já entendemos haver a política é de não ceder [blindados militares]. Falaram que tem que ter uma GLO. Depois, [alegaram] que poderiam emprestar e voltaram atrás, porque o servidor que opera o blindado é federal e deveria ter a GLO, enquanto o presidente já falou que é contra a GLO”, declarou o governador em coletiva pela manhã.

“A gente não vai ficar chorando pelos cantos, vamos ficar trabalhando”.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, declarou a jornalistas durante uma agenda em Fortaleza (CE) que não foi procurado por Cláudio Castro para discutir a operação desta quarta-feira e disse que a implementação de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem “demanda uma série de condições e requisitos”.

“A GLO é uma alteração complexa, está prevista na Constituição de 1988, em seu artigo 142, e também na Lei Complementar 97/1999, mais especificamente no art. 15, que estabelece regras bastante rígidas para que a operação de garantia da lei e da ordem aconteça. Uma das pré-condições é que os governadores reconheçam a falência dos órgãos de segurança e transfiram então as operações de segurança para o governo federal, mais especificamente as Forças Armadas”, declarou Lewandowski.

“É um procedimento complexo que demanda uma série de condições e requisitos para que ela [GLO] realmente possa ser operada.

A troca de acusações ocorre a menos de um ano das eleições de 2026, quando Lula tentará a reeleição e Castro poderá disputar uma vaga no Senado Federal.

Em nota, o Ministério da Defesa informou que o ofício do governador do Cláudio Castro que solicitou a cessão de blindados “foi submetido à análise da Advocacia-Geral da União (AGU)” no contexto da morte da Capitã de Mar e Guerra no Hospital Naval Marcílio Dias.

“Naquele momento, a Marinha posicionou veículos blindados no perímetro do hospital, respeitando o limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares, medida voltada à segurança da área e dos militares. A AGU emitiu parecer técnico indicando que a solicitação do governo do RJ somente poderia ser atendida no contexto de uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que demandaria Decreto Presidencial”, concluiu a nota.
O GLOBO

Respostas de 6

  1. A polícia não dá conta sozinha; as forças armadas mal cuida de si, a justiça não é justa, o governo não governa e vc quernuma solução para o Rio?

  2. O HELL DE JANEIRO está em guerra desde a década de 1980 do século passado. É necessário uma ação conjunta das Forças federais (FFAA, PF, PRF e FN) com as Forças de Segurança Pública(PM, PC e GM) do Estado do Rio de Janeiro para, pelo ➖️, diminuir a insegurança pública instalada pelos NarcosTerorristas do CV, TC TCP e ADA. Sem esquecer de atuar, tb, contra as milícias.

  3. Nao tem que emprestar blindado nao.
    Se os policiais usarem os blindados para combater os bandidos, ficaremos sem moldura para nossas formaturas semanais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *