Relator da proposta, deputado Pedro Paulo, afirma ainda que estão previstos veto a benefícios retroativos e fim das férias de 60 dias para juízes e magistrados. Texto final deve ser apresentado nos próximos dias
Luísa Marzullo
Brasília – O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa, vai propor limites para os chamados “penduricalhos” do funcionalismo, que muitas vezes ultrapassam o teto constitucional e pesam nos cofres públicos. A reforma vai tornar temporários os auxílios não inerentes, como alimentação e transporte, e vetar pagamentos retroativos.
— Tem que limitar o montante para não duplicar, triplicar o salário e capturar o restante do Orçamento. Precisamos estabelecer limites e que esses auxílios sejam temporários — disse o parlamentar ao GLOBO.
Pedro Paulo tem buscado ouvir as bancadas, a fim de construir um acordo amplo que leve o projeto direto ao plenário, evitando alterações que possam enfraquecer a reforma. Ele ainda deve reunir-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da votação, prevista para setembro.
Além dos penduricalhos, a proposta prevê o fim das férias de 60 dias para juízes e magistrados e progressão baseada em desempenho, com bônus condicionados ao cumprimento de metas. Veja a seguir alguns dos principais pontos.
Extrateto e meta
- O texto endurece o controle sobre verbas indenizatórias, reduzindo os chamados penduricalhos que elevamos salários acima do teto constitucional.
- Também estabelece progressão baseada em desempenho, com avaliações periódicas como requisito para promoções. E prevê um 14º salário condicionado ao cumprimento de metas e bônus por resultados.
- Metas coletivas poderão gerar bônus temporários, sem incorporação aos vencimentos.
Férias
Juízes e magistrados não terão mais direito a dois meses de férias por ano.
Contratos temporários
A proposta limita a duração dos contratos temporários a cinco anos e prevê uma quarentena de 12 meses antes de eventual recontratação.
Outro ponto é facilitar a contratação temporária, inclusive para funções específicas, como brigadistas, e criar um cadastro nacional de temporários, extensível a estados e municípios.
Trabalho remoto
Ficará restrito a um dia por semana, reforçando a presença física nas repartições.
Secretarias municipais
O projeto define teto para o número de secretarias em municípios que dependam de mais de 50% de repasses federais. E ainda limita salários de secretários a 20% da remuneração dos governadores.
Concurso público
O Concurso Nacional Unificado (CNU) pode ser ampliado para vagas em estados e municípios, o que reduzirá custos. O objetivo é fortalecer a transparência e unificar os processos seletivos.
Avaliação de desempenho
A reforma prevê que os servidores tenham avaliação periódica, com bonificação para cumprimento de metas. O foco é na meritocracia, garante o relator; não há previsão de demissão por baixa performance.
Tabela única de remuneração
Será criada uma tabela única para cargos e salários, com período de transição. Isso vai corrigir distorções salariais, reduzir desigualdades entre funções semelhantes e aumentar a transparência.
O salário de ingresso será limitado a aproximadamente metade daquele recebido por quem está no teto da carreira.
Transparência e metas
Chefes de governo (presidentes, governadores e prefeitos) terão até 180 dias após a posse para apresentar plano de metas para todo o mandato de quatro anos. O plano visa acompanhar resultados e alinhar políticas públicas com metas claras.
Atos rastreáveis e digitalização
A reforma prevê a criação de identidade única para servidores. Os atos terão de ser digitais rastreáveis, o que aumentará a transparência e o controle.
*Correção: uma primeira versão desta reportagem afirmou que o relator defendia a desvinculação do salário mínimo dos pisos de saúde e educação. Pedro Paulo chegou a defender o tema no passado, mas a proposta não está mais valendo.
O GLOBO – Edição: Montedo.com
Respostas de 11
Militares vão pra previdência social, aguardem.
Creio que não. Não é tão simples assim uma transferência dessa, considerando as peculiaridades da profissão militar.
essa reforma administrativa vai sobrar pra os militares aguardem!
Especialmente os militares temporários, com essa limitação dos contratos temporários.
seria muito bom os 3 Sgt ganharem a metade do teto.
Será que o Marinheiro e soldados ganharam 50% do salário do SO/ST? Seria justo.
Quanto tempo de serviço em média tem um militar ao ser promovido a “SO/ST”?
Um dos problemas atualmente no país é que ninguém quer esperar e cumprir as fases naturais da vida, todos querem pular etapas.
Essa proposta de limitação dos contratos temporários a 5 anos abarcará também os temporários das FA?
Esse projeto tem boas ideias que se transformar em lei ajuda a eliminar absurdos da máquina pública.
Mesmo que “piorem” um pouco a carreira dos civis, ainda continuará bem melhor que a nossa. Eles chegam no topo, em média, em 15 anos. Nós, em mais de 20.
Na realidade, em mais de 30 anos, caso considere: 2 anos de CFGS (que deixou de ser nível superior), 10 anos de 3º Sgt, 10 anos de 2º Sgt e 10 anos de 1º Sgt. Isso é questão de tempo
Por que colocar os graduados, colocam os generais pois são os que mais onera os cofres públicos, os graduados hoje são assalariados e os generais estão na nata com super salários.