Trote: soldado do Exército denuncia agressão dentro de quartel no RS; Comando instaura inquérito

Agressão teria ocorrido no 6º Regimento de Cavalaria Blindado (Imagem: página do 6º RCB)

Atualização: 10/8m 23h58

Soldado diz ter sido agredido por cabos do 6º RCB e teme por sua vida

 

Dariano Moraes
Alegrete (RS) – Na noite de sexta-feira, 08/8, a reportagem foi contatada pelo advogado de um soldado do 6º RCB, que está em dispensa à sua terra natal, Passo Fundo, após ter sido, segundo o depoimento prestado, agredido por três cabos que integram a unidade militar, testemunhado por outros militares, numa espécie de trote.

A reportagem teve acesso com exclusividade, ao depoimento de três páginas e, segundo narrou o soldado, após deixar seu posto de alojamento de dia, na data de 07/7/2024, foi dominado e arrastado por um dos cabos para dentro do alojamento.

Um outro soldado também fora agredido, tendo recebido um mata leão, quando passou a ouvir os gritos de pare, pare do colega de farda, fato, segundo ele, presenciado por outros três soldados.

Disse que os cabos o chamaram até o alojamento, o imobilizaram, colocaram-no de cabeça para baixo e passaram a agredi-lo com chutes, ponta pés e cabo de vassoura, gerando hematomas nas pernas e nádegas, tendo necessitado de atendimento médico, ao qual comunicou o ocorrido a um capitão.

Militar ficou com hematomas nas pernas (Imagem: página Dariano Moraes – Facebook)

O soldado agredido, natural de Passo Fundo, teme retornar à unidade militar e ser agredido, novamente e até morto caso saia à rua, em Alegrete, ou seja pego de emboscada dentro do quartel, após a abertura do inquérito e repercussão do caso, na imprensa.

O advogado juntou atestado médico do soldado agredido e impetrou mandado de segurança, visando proteger a vida dele e impedir seu retorno à unidade, sem que tenha garantia de sua segurança.

Militar ficou com hematomas nas pernas (Imagem: página Dariano Moraes – Facebook)

A reportagem aguarda a manifestação do Comandante do 6º RCB, sobre o caso. Este, não é o primeiro caso envolvendo agressões ou trote violento à recruta. Num outro momento, a reportagem mediou o retorno de um soldado de uma outra unidade militar, que se disse agredido e temia retornar para o quartel.

Comando se manifesta

No sábado (09/8), o comando do 6ºRCB divulgo nota à imprensa sobre o ocorrido e as providências adotadas:


Dariano Moraes (Facebook)Edição: Montedo.com

Respostas de 9

  1. O trote faz parte do aprendizado militar, no mundo todo. Acontece que há limites que vão evitar que um trote se torne caso de polícia. Em um alojamento de Cabos e Soldados a idade é a mesma, deveria existir a figura do Cabo de 1° Classe, como eram os “cabos velhos” que com mais experiência e no mesmo ambiente, evitavam certos comportamentos e abusos. ( sabiam quem é quem) Hoje, o terceiro sargento não tem esse contato, come separado, dorme separado, vive em outro círculo e não consegue ver e entender o que se passa no alojamento dos CB e Sd. Infelizmente, na reestruturação ( palavra usada para enganar os políticos) verdadeiramente não houve reestruturação alguma, poderia haver se o intuito fosse a melhora no ambiente e na operacionalidade mas, era só ” venha nós e ao nosso reino nada”.

    Quem sabe não melhoraria:

    Recruta
    Sd de 2°classe
    SD DE 1° classe
    Cabo
    Cabo de 1° classe
    3° Sargento
    3° Sargento Instrutor (escola)
    2° Sargento (temp)
    2° Sargento Instrutor (escola)
    1° Sargento (temp)
    1° Sargento Instrutor
    1° Sargento Chefe ou Major
    Com diferença no Soldo equivalente, sem QAO. Isso sim poderiam chamar reestruturação.
    2º Ten ( temp)
    2º Ten (Instrutor)
    1° Ten ( temp)
    1° Ten ( Instrutor)
    Capitão…segue igual, com nove anos para Temporários e fim do pttc. Formacaodo Sgt temp de 1 ano na OM especificamente aquela QM.
    Acredito que haveria valorização, salarial inclusive e evitaria o “faz tudo”, otimizando a vida vegetativa das OM.

    1. Tenho 18 anos de EB e nunca vi trote. Sei de histórias de trote na Amãe.

      Por onde passei sempre desestimulei essa prática anti profissional. E que ninguém da trote em faixa preta de BJJ ou de outra arte marcial.

      1. Nunca me deram trote.
        Nunca aceitei trote.
        Entrei para ser um servidor, um profissional, e não ter minha dignidade aviltada.
        É algo MUITO INFANTIL PARA ADULTOS. É algo inadmissível em uma instituição séria.
        Graças a Deus aprendi com meu pai, também militar… se estiver certo, não baixe a cabeça e nem permita que ninguém te humilhe.

        Essas coisas acontecem nesse exército de fidalgos.
        Na pm um enfia a porrad@ na cara do outro se folgar. Alias, na FEB, não faltam histórias de homicídios por muito menos.

        Então é isso, uma coisa típica de uma instituição de gente infantilizada e acuada.
        Ninguém precisa se submeter a isso. E deveriam ensinar a não aceitarem.

        Não é coisa de “todo o exército” não meu irmão. Quando esse próprio exército estava na italia isso não acontecia.

        É coisa de menino acuado e amedrontado.

  2. Primeiro: Desde de que me conheço por gente, a situação só piora e seguirá assim. Quem diria ver Oficiais chegando da ” Amae” e já papirando pra meter o pé ” Aqui na minha OM tem 05 dos 06 Ten estudando para PF/PRF/Auditor Fiscal e Tribunal, os Sargentos, os mais novos idem, 0s Segundo Uns 2 e 1Sgt apenas 03.

    Segundo: A culpa do Trote é do CMT da OM deve ser exonerado e expulso do EB. Se parasse de perder tempo com rolhas, formaturas, Reuniões das Reuniões, e fiscalizasse de verdade o que importa, isso jamais aconteceria

    Segundo:

    1. O EB virou uma padaria que não faz pão, fica aberta resolvendo problemas que ela mesmo causa. Se faltar o padeiro, não fará falta alguma.

  3. O trote so acontece em ambiente permissivo, do Comandante da Companhia ao soldado recruta. Eu servi numa companhia de Material Bélico em que ficamos mais de 6 meses sem punir um militar, porque a promocao De um soldado a cabo ou do cabo a sargento Temporário era comemorado por todos os integrantes da cia.

    1. Comentário pueril.

      Poderia citar o número significativo de militares gaúchos que permanecem morando no Nordeste, quando ingressam na Reserva, porque: querem fugir do frio.

      E aí? Os gaúchos que fojem do frio são o que?

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