Trama golpista: Gonet contraria Cid e pavimenta caminho para perda de posto e patente
Rafael Moraes Moura
Brasília – Ao criticar o comportamento do tenente-coronel Mauro Cid, apontando a omissão de “fatos graves” e a adoção de uma “narrativa seletiva” em sua delação premiada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não só se manifestou contra o perdão judicial do militar, mas também pavimentou o caminho para o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro perder posto e patente no âmbito da Justiça Militar, caso a posição da PGR seja acolhida pelo Supremo.
Essa é a avaliação de integrantes das Forças Armadas e da cúpula da PGR, além de advogados de outros réus que atuam no caso, ouvidos reservadamente pela equipe do blog.
Ao fechar acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, em 2023, Cid conseguiu emplacar uma cláusula que previa perdão judicial ou pena privativa de liberdade não superior a dois anos.
Isso porque o Estatuto dos Militares prevê que ficará sujeito à declaração de indignidade para o oficialato, com a perda de posto e patente, o oficial que for condenado a uma pena restritiva de liberdade individual superior a dois anos. Esse risco, afastado no acordo que Cid fechou com a PF, acaba de voltar à tona com a manifestação da PGR.
A cláusula foi feita sob medida para evitar esse efeito colateral, mas, caso a proposta de Gonet vá adiante, a maior redução que Cid terá em sua pena será de ⅓. Como as penas para os crimes atribuídos pela PGR a Cid somam 43 anos, dificilmente ele ficaria com apenas dois anos de condenação.
“Se for mais de dois anos (de condenação no Supremo) existe a possibilidade de perda de patente e posto (na Justiça Militar), o que será um balde de água fria no Cid”, diz um general ouvido reservadamente pelo blog.
‘Ambiguidade do comportamento’
No parecer de 517 páginas em que pede a condenação de Mauro Cid, do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis réus por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, Gonet criticou a “ambiguidade do comportamento” do delator e os depoimentos “superficiais” sobre sua própria atuação na trama para impedir a posse do presidente Lula.
O procurador concluiu que essa atitude do militar provocou “prejuízos relevantes ao interesse público”, o que exige uma “criteriosa ponderação” quanto à concessão de eventuais benefícios previstos em lei.
“Afasta-se, por conseguinte, a concessão do perdão judicial, da conversão automática da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos e da redução máxima de dois terços, uma vez que esses benefícios exigem colaboração efetiva, integral e pautada pela boa-fé, requisitos não plenamente evidenciados no presente caso”, frisou Gonet.
Se for condenado a mais de dois anos pelo Supremo, Cid deverá ser alvo de um futuro julgamento no âmbito do STM que decidirá se o tenente-coronel é indigno ou não de pertencer às fileiras do Exército. É um julgamento que vai tratar dos aspectos éticos e morais do oficial sob o prisma do Estatuto dos Militares.
“É mais fácil o corporativismo do STM salvar generais do que um tenente-coronel delator”, afirmou uma fonte que acompanha os desdobramentos do caso nos bastidores.
Procurada, a defesa de Mauro Cid informou que só se manifestará nas alegações finais, que serão encaminhadas ao Supremo dentro de um prazo de 15 dias. Leia mais.
Malu Gaspar (O GLOBO) – Edição: Montedo.com
Respostas de 6
Se este país sério fosse as cadeias estariam abarrotadas, não de gente comum, mas de ricos,empresários,políticos,Corruptos, enfim, daqueles que alimentam a miséria, o desvio e o desmando de um Brasil que poderia ser uma referência no mundo. Infelizmente ainda vamos tem que conviver por gerações com esta realidade
Concordo plenamente contigo.
Esse já serviu ao fim que se destinava nesse enredo, portanto, pode ser descartado, simples assim.
Traíra.
Ainda mais com nova ministra do STM , barro
Será que o “garoto prodígio” vai mesmo perder posto e patente?
Ainda desconfio que o STM vai fazer alguma manobra para salvar o filhindo do General.
Pena que o subtenente que está sendo julgado na mesma ação não terá nenhuma “piedade” do mesmo STM.
Só mais uma faceta da nossa Monarquia Federativa do Brasil.