Trama golpista: ex-comandantes de Exército e Aeronáutica prestam depoimentos no STF como testemunhas

Fabio Rodrigues-Pozzebom/José Cruz/Agência Brasil
Freire Gomes (à esquerda) e Baptista Junior (à direita) se recusaram a aderir aos intentos golpistas, segundo apuração da PF

 

Militares participam das audiências a pedido das defesas dos réus; presidente do PL também foi convocado

Daniel Gullino
Brasília – Os ex-comandantes Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica) e Marco Antônio Freire Gomes (Exército) voltarão a ser ouvidos no Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação penal da trama golpista nesta terça-feira, mas dessa vez como testemunhas de defesa. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também participa de audiência nesta terça.

Baptista Junior e Freire Gomes foram indicados como testemunhas de defesa do ex-major do Exército Ailton Barros, que é réu no chamado núcleo quatro da suposta organização criminosa.

Os integrantes desse grupo são suspeitos de divulgarem desinformação, como parte do plano de tentativa de golpe de Estado. Barros teria estimulado ataques contra os então comandantes, por eles não terem aderido ao plano de ruptura.

Em maio, Baptista Junior e Freire Gomes foram ouvidos como testemunhas de acusação na ação penal do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos réus. Os dois confirmaram terem participado de reuniões nas quais Bolsonaro discutiu medidas para tentar reverter o resultado das eleições presidenciais.

Os ex-comandantes devem ser ouvidos novamente na quarta-feira, indicados pela defesa do ex-assessor presidencial Filipe Martins, réu em outro núcleo.

Também nesta terça-feira, Valdemar Costa Neto será ouvido como testemunha de defesa de Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), organização contratada pelo PL para analisar o sistema eleitoral na disputa de 2022.

Valdemar chegou a ser indiciado pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre a tentativa de golpe, mas não foi incluído na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada em fevereiro e recebida pela Primeira Turma do STF.
O GLOBO – Edição: STF

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