Caçadini foi o primeiro a bater às portas do Supremo para tentar acessar acervo do celular de Roberto Zampieri, personagem-chave no esquema
Laryssa Borges
O escândalo de venda de sentenças que atingiu quatro gabinetes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e levou à descoberta de um grupo de extermínio ainda era desconhecido das principais autoridades da investigação quando o coronel reformado do Exército Etevaldo Caçadini bateu às portas do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Ele pedia que a Corte o autorizasse a acessar o conteúdo do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado no final de 2023 e cujo telefone guardava segredos de como lobistas, advogados e assessores de magistrados mercadejavam decisões judiciais em troca de propina. O caso, revelado por VEJA, levou à abertura de inquéritos, ao afastamento de servidores e a investigações sigilosas que agora dão dimensão ao escândalo.
O próprio celular de Caçadini dava pistas da urgência de saber o teor dos arquivos do advogado Zampieri. O recurso ao STF foi distribuído por sorteio a Zanin. Com o avanço das investigações, todos os desdobramentos do caso Zampieri foram parar nas mãos do magistrado, inclusive a descoberta de que o militar coordenava um grupo de espionagem e execução de autoridades autodenominado Comando 4 (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos) – 50.000 reais para “figuras normais”, 100.000 reais para o caso de deputados, 150.000 reais para senadores e 250.000 reais para ministros do Judiciário.
Ao lado das anotações, sem vinculação de efetivar a espionagem ou assassinato, estavam os nomes de Alexandre de Moraes e do próprio Zanin.
Outros celulares seguem sob avaliação da Polícia Federal – os do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como comparsa de Zampieri no STJ, da advogada Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, esposa de Andreson, e de um filho do advogado assassinado.
Investigado e preso como financiador do homicídio, no telefone do coronel do Exército, por exemplo, foi encontrada uma imagem contendo a fachada do escritório da vítima, com endereço e outros detalhes, quase dois meses antes do crime.
Contratado por 40.000 reais por Caçadini, Antônio Gomes da Silva havia providenciado um disfarce para executar o crime: apresentou-se como um padre interessado na aquisição de terras para um sobrinho. Com a rotina de Zampieri mapeada, improvisou um silenciador para abafar os estampidos e matou o advogado à queima roupa em dezembro de 2023.
O crime estava concluído – mas o escândalo no Judiciário, apenas começando.
veja – Edição: Montedo.com
Respostas de 7
A justiça civil tem que prender.
Se dependesse da justiça militar, ganharia uma corbélia de flores
“…flores” E carguinho PTTC.
A situação está crítica a todo os níveis, difícil pegar criminosos de colarinho Branco ou militares do alto escalão, acredito que também deveria usar câmeras corporais no momento de trabalho. Assim coibiria ações delitosas, criminosas e seriam expostos os mais profissionais perante a sociedade.
Verdade
A pracinha na Reserva atua como motorista de aplicativo, por exemplo, para complementar a renda.
Já esse integrante dos “estamentos superiores” atua como comandante de grupo de extemínio.
Interessante, muito interessante.
Mentira, Fake News!
Nenhum militar recebeu 73% de reajuste.
Ninguém.
O Adicional AE Cat I passou de 45% para 73%.
As suas informações estão erradas. Os militares foram pró Bozo não porque ele deu algum penduricado no salário, os militares gostam do sujeito por uma questão cultural.
Após 64, houve uma limpa dentro da caserna, os altos postos eram preenchidos por alinhados aos americanos e aos seus valores, assim como nas escolas militares. Quem era de esquerda nas FFAA, não se arriscava confessar, ou então não valia a pena entrar na corporação militar.
O Bozo quando apareceu na política representava a família militar, esse é o motivo de tanta simpatia, o que justifica tantas e tantas eleições ganhas por ele. Fomos, nós, os militares, que o colocamos lá, com o nosso voto ao longo de mais de 35 anos.
Hoje, a história está um pouco diferente. Houve um choque de realidade, o militar viu que era usado para objetivos pessoais. Muitos, como eu, jamais votaria nele outra vez.