Com ordem para atirar, Exército e Polícia Federal realizam operação na fronteira com o Peru
Altino Machado
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Helicóptero Black Hawk no 4º Batalhão de Infantaria de Selva, em Rio Branco (AC)
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Homens do Exército, Polícia Federal e Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciaram na tarde desta quinta-feira (5) uma operação contra a invasão do território brasileiro por peruanos, na Terra Indígena da etnia kampa (ashaninka) e dos índios isolados, de etnia desconhecida, do Rio Envira, na região do município de Feijó (AC), na fronteira com o Peru.
Batizada de Operação Xinane, os homens usam barcos e um helicóptero Black Hawk do Exército com ordem de atirar caso avistem os invasores. A operação pretende ser exemplar para inibir as frequentes invasões do território brasileiro por peruanos.
Uma fonte do governo do Acre revelou à reportagem que a Secretaria de Segurança Pública do Acre recebeu na segunda-feira (2) um relatório sobre as invasões do território brasileiro nas cabeceiras do Rio Envira. Obtido com exclusividade pelo Blog da Amazônia, o relatório enviado ao secretário Ildor Reni Graebner é assinado por Guilherme Daltro Siviero, coordenador substituto da Frente de Proteção Etnoambiental, mantida pela Funai no Rio Envira.
O relatório detalha os avistamentos e conflitos ocorridos entre a aldeia Simpatia (da etnia ashaninka) e não-índios. A Funai considera “complexa” a situação de invasões enfrentada pelos povos indígenas, incluindo os índios isolados, que habitam a região da fronteira Brasil-Peru.
De acordo com o relatório, na última sexta-feira (29) de novembro, a Funai recebeu, via rádio, a informação de um avistamento, por parte dos ashaninkas da aldeia Simpatia, de um grupo de invasores no aceiro da mata da aldeia. O fato, segundo a Funai, tornou a situação na aldeia Simpatia complicada, deixando a comunidade sob tensão.
No mesmo dia, Padilha, índio ashaninka, subiu cautelosamente o Rio Envira para averiguar a situação e encontrou um grupo de aproximadamente 30 pessoas instalados na capoeira da antiga aldeia Hananeri/Sete Voltas. Entre eles havia indígenas, provenientes do Peru, além de não indígenas, vestindo camisa branca, bota, chapéu e armados. O indígena retornou para a aldeia e repassou a informação à comunidade, que relatou à Frente de Proteção Etnoambiental sobre a situação.
– Após o ocorrido todas as mulheres e crianças foram deslocadas da aldeia Simpatia para uma aldeia mais abaixo no Rio Envira, Aldeia Cocoaçu (…), sendo que por questões de alimentação e logística de transporte encontram-se novamente na aldeia Simpatia (retornaram dia 01/12). No momento a aldeia Simpatia conta com um total de oito homens.
De acordo com a Funai, também foram relatados diversos sobrevoos (sexta, sábado e domingo) em nível baixo de altitude sobre a aldeia Simpatia, segundo os ashaninka, um avião bimotor de cor preta, contendo a numeração 9 e 10.
No Vale do Alto Juruá, ao longo da fronteira internacional dois dois países e de suas proximidades, existem oito terras indígenas, que formam um mosaico territorial com extensão total de 962,7 mil hectares. Reconhecidas pelo governo federal, as terras constituem territórios de moradia de vários povos indígenas como kaxinawá, ashaninka (kampa), madija e isolados, de etnia desconhecida.
Veja o levantamento das últimas informações obtidas via rádio pela Funai na região do Alto Rio Envira
Dia 18/11/2013 – Contato com indígena “Raimundinho” Kampa e relato de conflito com disparo de tiros contra o indígena Anão “Shupak” Kampa. Os tiros acertaram a voadeira e o motor da embarcação onde se encontrava o mesmo;
Dia 18/11/2013 – Informe sobre o relato com o servidor Marcus Boni, em deslocamento para a região, aldeia Cocoaçu, em uma ação conjunta com a Secretaria de Meio Ambiente – SEMA;
Dia 20/11/2013 – Deslocamento de 2 (dois) servidores da FPE Envira para a região, Marcus Vinícius Boni e Luiz Rayone;
Dia 21/11/2013 – Contato com indígena “Raimundinho” Kampa e relato de avistamento de um grupo com aproximadamente 20 (vinte) pessoas;
Dia 21/11/2013 – Novo contato com indígena “Raimundinho” Kampa e qualificação das informações da seguinte forma:
I. O grupo estava a uma distância de 20 (vinte) minutos da aldeia;
II. O grupo utilizava camisas brancas;
III. O armamento portado era constituído em sua grande maioria por espingardas de calibre 20 e 16;
IV. O grupo se comunicava aparentemente em castelhano;
V. O grupo roubou e consumiu macaxeira do roçado dos indígenas;
VI. O contingente total na aldeia Simpatia é de 70 (setenta) pessoas, das quais apenas 10 (dez) são homens adultos;
VII. Os indígenas entraram em contato com as aldeias próximas e também com não índio vizinhos da TI para solicitar ajuda e conseguir armamento emprestado.
Blog da Amzônia/montedo.com

Respostas de 3
Para quem não sabe, na fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia, existe uma invasão territorial acentuada em solo brasileiro.
Já existem diversas residências, comércios, estão até mesmo realizando furtos de motos e carros brasileiros nessa região.
Na Amazônia está fácil, Comando e Forças Especiais para atuarem, já no Mato Grosso do Sul, só diplomacia.
Montedo. O EB está perdido mesmo… Espero que quem esteja atuando nessa região seja mesmo o 4º BIS e o 4º BAvEx. Mandar Comandos e FE para isso considero um desperdício. Para quem trabalhou na Polícia do Exército, isso é missão para o Cabo Cmt da patrulha. Mas independente de quem for, é bom "sentar o dedo", pois invadir o Peru não iremos (política da não-intervenção do Art 4º da CF). Agora vamos manter o que é nosso, "sentando o dedo". Isso às vezes é bom. Se fosse no Texas/EUA, divisa com o México, a patrulha da fronteira faria o mesmo.
"(…)espingardas calibre 20 e 16".
Pô mandar comandos e FE para correr atrás de caçador que invade território brasileiro é bem característico da conduta que permeia a cabeça dos nossos Comandantes: usar sempre o máximo de recursos humanos mesmo que a situação exija menos. Tal como nas operações de GLO em que vários militares são colocado praticamente ombro a ombro nas vias públicas, atividades que deveriam ser realizadas por X militares, mas no entanto são escalados 3X militares, etc.
Se numa situação em que caçadores com espingardas tem que ser interceptados por FE, o que fazer então se invasão for feita por guerrilheiros o traficantes fortemente armadas? Irão contratar os SEALS, RANGERS, SAS, Legião Estrangeira, Xe Services (antiga Blackwater)? Pois se numa escala progressiva de graus de dificuldade, nós colocamos Forças Especiais para "combater caçadores", quem combaterá intrusos belicamente mais qualificados? Existe Forças Super Especiais no EB?