Multidomínio e a eficácia das Forças Armadas

No computador, aprendizado real

 

Multidomínio
Esse tipo de abordagem permite que as Forças Armadas respondam de forma mais eficaz a situações dinâmicas e complexas
Rodrigo Bustamante
Dominar pode indicar conhecer. Supremacia em relação a outro. Controlar. Soberania. Vários são os significados. Mas quando esse domínio ocorre em diferentes campos e áreas? Teremos assim um multidomínio? Em combates há a existência de cinco “campos” que são de interesse de conquista e domínio. O aéreo, marítimo, terrestre, espacial e cibernético.

Para conquistá-los, devem-se realizar operações que envolvam “ações em um domínio de modo a potencializar ou intensificar as operações em outros domínios, visando à criação de efeitos convergentes a partir dos domínios aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético. Esses efeitos criam um problema amplo e único para o adversário lidar”, conforme prevê nossas Forças Armadas.

A abordagem multidomínio permite que as Forças Armadas respondam de forma mais eficaz a situações dinâmicas e complexas. A combinação de Forças Convencionais com Forças de Operações Especiais, Capacidades Cibernéticas e Informacionais é o futuro da guerra moderna; e o Brasil, com sua vasta experiência em operações irregulares, está bem posicionado para integrar essas capacidades.

No contexto de operações multidomínio, as Forças de Operações Especiais têm a capacidade de realizar ações que vão desde ações de guerra irregular até ações diretas e operações de inteligência, potencializadas pela utilização de tecnologias modernas, como inteligência artificial, drones, radares e satélites de monitoramento e reconhecimento, juntamente com ações cibernéticas para desabilitar sistemas de comando e controle inimigos, no caso de conflitos legalmente declarados.

A interoperabilidade dessa força com as Forças Convencionais da Marinha, do Exército e da Força Aérea é essencial para garantir que as operações multidomínio sejam bem-sucedidas. O Brasil tem desenvolvido exercícios conjuntos para testar essas capacidades, nos quais cenários complexos, incluindo ameaças cibernéticas e físicas, são simulados para testar a eficácia, a integração e a interoperabilidade das capacidades conjuntas.
Sem falar na guerra cognitiva, que tem como objetivo influenciar a percepção e o comportamento de populações e do oponente.

Campanhas de desinformação, uso estratégico de mídias sociais e operações psicológicas são componentes críticos dessas ações sub-reptícias. Essa guerra visa moldar as narrativas e as percepções da população e dos tomadores de decisão.

Essas são informações do oficial Rui Martins da Mota – chefia de Operações Conjuntas/EMCFA (MD) e coordenador de Operações Especiais do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa (EMCFA-MD), de seu artigo publicado sob o título: “As forças de operações especiais do Brasil em operações multidomínio e conflitos em zona cinza”.

A manipulação psicológica do inimigo tem produzido efeitos práticos mais contundentes do que a destruição física de coisas e a eliminação de adversários. Visa alcançar alguma mudança no domínio psicológico dos indivíduos usando informação e desinformação. Verifica-se claramente que quem dominar o campo de batalha multidomínio certamente dominará e exercerá preponderância sobre o adversário. Ou há alguma dúvida?

O TEMPO – Edição: Montedo.com

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