Capitão de Mar e Guerra da reserva disse que tentou ser irônico em seu comentário
Adriana Cruz, Gabriela Moreira, RJ2
O capitão de Mar e Guerra da reserva da Marinha João Ricardo Reis Lessa está sendo investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio por suspeita de discriminação racial contra um subordinado na instituição militar.
João Ricardo Lessa foi acusado pelo então cabo Pedro Jorge da Rocha, que é negro, de ter o chamado de “chimpanzé” durante um dia de trabalho na estatal Amazul, empresa de tecnologia nuclear da Marinha.
A ocorrência teria acontecido há dois meses, quando o cabo Rocha estava para completar oito anos de serviços na Marinha. Segundo Rocha, ele exercia a função de motorista e tinha como seu chefe direto o capitão Lessa.
Na ocasião, seu superior determinou que ele fosse buscar um documento em outro setor. Chegando lá, o documento contava com um anexo que parecia não ser parte do pedido. Rocha questionou, mas foi orientado a levar a encomenda do jeito que estava. Ele teria sido ofendido após entregar o documento na mesa do chefe.
“Quando ele chegou, ele virou assim: ‘quem deixou esse documento?’ Eu falei: ‘Eu’. ‘Vem aqui, ô seu chimpanzé. Você não sabe ler, não?'”, teria dito o capitão.
“‘Você é um não-verbal, um chimpanzé, um animal que não sabe ler’. Aí eu fiquei meio sem entender. (o capitão teria continuado) ‘Tira essa p* aqui da minha mesa’. Ele falou desse jeito”, contou Pedro Rocha.
Pedro saiu da sala do chefe sem saber o que fazer, mas depois de alguns minutos pensando em sua mesa, ele decidiu cobrar o capitão sobre o que acabava de escutar.
“As pessoas a minha volta ficaram assustadas também (…) eu sentei na minha mesa e voltei. ‘Olha aqui, o senhor tá me chamando de macaco?’ (…) Eu não interpretei errado, interpretei totalmente correto. Não gostei da forma que o senhor falou comigo, e espero que isso nunca se repita”, relembrou o cabo da Marinha.
Capitão disse que foi ironia
Logo após o caso, Pedro Rocha foi levado para o Hospital Marcílio Dias, no Méier, onde foi diagnosticado com pressão alta, segundo o relatório médico que o RJ2 teve acesso.
Os médicos encaminharam o cabo para um acompanhamento psicológico após trauma por ter relatado ter sofrido preconceito racial.
A Amazul também abriu uma investigação interna para apurar os fatos narrados por Pedro Rocha.
No procedimento, três funcionários que testemunharam o fato confirmaram o relato de Pedro. Segundo as testemunhas, o capitão da reserva chamou Pedro de “chimpanzé adestrado, que não pensa”.
Em depoimento, o comandante também confirmou que chamou o cabo de chimpanzé. Contudo, ele disse que não foi com intenção de ofender e que o comentário foi de maneira irônica. Durante a investigação interna feita pela Amazul, o capitão Lessa pediu desligamento da empresa.
As testemunhas do caso também serão ouvidas na investigação da Polícia Civil. Eles são aguardados na próxima quarta-feira (24).
Para o advogado Paulo Henrique Lima, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que também acompanha o caso, a fala do capitão foi um ato de discriminação, uma injúria de natureza racial.
A Marinha do Brasil também informou que instaurou um procedimento para apurar os fatos. A instituição disse também que “repudia condutas que atentem contra a vida, honra e os princípios militares”.
Atualmente desligado do serviço na Marinha após cumprir seus oito anos de prazo normal de alistamento, Pedro Rocha espera por justiça. Ele acredita que será exemplo para outros que passam pela mesma situação.
“Muitas pessoas sofrem lá dentro. E têm medo de falar como eu tô falando fora. E eu entendo o motivo. Eu sei que é complicado falar. A represália é grande”, argumentou.
O RJ2 tentou contato com o capitão da reserva João Ricardo Reis Lessa, mas até a última atualização desta reportagem, não teve retorno.
Respostas de 9
Vindo da Marinha: Novidade “ZEROS”.
Quando se sente a vontade e inatingível, pois tem a Força a seu favor esses crápulas atuam desta forma. Sempre tratei meus subordinados da melhor forma como gostaria de ser tratado e como manda o Estatuto dos Militares. Ética, Pudonor Militar e urbanidade não são enfeites do nosso Estatuto.
Se os oficiais tivessem que fazer um exame psicológico para portar arma, muiiiitos Seriam reprovados. Imagine esse Militar em tempo de guerra…
Deus nos salve de uma guerra! Mantidos a pão de Ló e Inúteis para atividade fim.
Chimpanzé é comentário irônico? As pessoas precisam pensar antes de falar.
Em época de seleção do serviço obrigatório, o subcomandante de uma OM em porto alegre, um major, de cor branca, reuniu nós os sargentos que iríamos fazer a seleção e falou o seguinte bem claro e em alta voz na sala de reuniões:
“Quando esses ANIMAIS chegarem, se referindo aos conscritos, peguem os que não morem em regiões perigosas”.
Enfim, já vi capitão de cor branca “ironizando” com outro capitão também de cor branca, passando a mão na pele ao se referir a um cabo que trabalhava na sua seção.
se forem feitas todas as denúncias de racismo e preconceito principalmente desses oficiais, os tribunais estarão cheios de processos e a união terá um bom gasto com indenizações.
Nada como se esconder atrás do manto da hierarquia para o cometimento de inúmeros abusos…
Ainda bem que o ex-militar colocou esse safado na justiça civil, pois a militar… bem, digamos que a gente sabe como funciona.
Mais um oficial soberbo, prepotente e arrogante com altos Estudos.
Parabéns ao cabo por ter denunciado. Agora o oficial vai sentir no bolso o preço da soberba.
Nas Forças Armadas estar cheio de oficiais desse tipo.
Não sei o contexto e muito menos saberemos a forma que foi dito, mas se tem testemunhas…… Já presenciei dois Cabos brigarem e um acusar o outro de racismo, e olha que os dois são negros, não sei se o que acusou o outro de racismo, se melindrou com o “cessa o papo” do cabo mais antigo, mas no final, teve denuncia no MP.
Pessoal da Marinha vive no século passado. Oficiais Se acham! Não são nadaaa, ngm não está nem aí pra vcs. Farda ridícula! Aqueles macacões aff nem parece militar com aquela farda.