Ex-sargento da FAB aplica golpe de R$ 800 mil e perde tudo no Tigrinho

Ex-sargento da FAB golpista

 

Procurada por um grupo de vítimas para arcar com as dívidas, a ex-militar simulou venda de carta de crédito a uma “amiga”. Em 2018, ela foi expulsa da FAB por desviar recursos públicos


Carlos Carone, Mirelle Pinheiro
Um grupo de 45 pessoas formado por servidores públicos e empresários amargou um prejuízo próximo de R$ 800 mil após cruzar o caminho de uma ex-sargento da Força Aérea Brasileira (FAB). Tamyla Guedes de Souza foi indiciada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por aplicar uma série de golpes no DF e Goiás. A estelionatária teria embolsado o dinheiro após enganar as vítimas com a falsa venda de consórcios contemplados.

O caso foi relatado pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) e aguarda oferecimento de denúncia pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo fontes ouvidas pela coluna, a estelionatária — que nunca mais foi vista pelas vítimas — teria torrado a quantia em jogos de azar hospedados em plataformas digitais, como o Jogo do Tigrinho.

Tamyla já foi condenada em primeira instância na Justiça Militar pelo crime de peculato, quando ainda estava na FAB, entre 2018 e 2019. Como era sargento temporária, a suspeita foi expulsa da Força ao ser condenada, em primeira instância, em processo que tramitou na esfera militar.

Nos casos mais recentes, de acordo com as investigações, a golpista usava uma lábia afiada para atrair pessoas de seu círculo de amizades e aplicar o golpe envolvendo as supostas cartas de crédito para aquisição de veículos e imóveis.

Golpe padronizado
De acordo com as investigações e relato das dezenas de vítimas que constam em pelo menos 39 ocorrências policiais, a ex-sargento padronizou a forma de aplicar os golpes. Ela costumava dizer para a vítima que trabalhava com venda de cartas de crédito e consórcios.

“Ela sempre afirmava para os amigos e até familiares realizarem as transferências, com a promessa de serem contempladas com os valores da carta, mas após a transferência dos valores, Tamyla pegava os valores e não passava a carta de crédito prometida”, disse uma das vítimas ouvidas pela coluna, que preferiu não se identificar.

Em um dos casos, a golpista simulou vender uma carta de crédito de R$ 350 mil para uma das amigas. A vítima chegou a desembolsar R$ 27 mil de ágio, “para garantir” a compra. No entanto, após os pagamentos via Pix, a ex-sargento inventava uma infinidade de desculpas e jamais devolvia o dinheiro.

Expulsão da FAB
A coluna apurou que os crimes praticados por Tamyla começaram ainda em 2018, quando ela ainda servia a Aeronáutica, com apenas 21 anos. A ex-militar foi expulsa da Força após desviar recursos públicos.

De acordo com o processo que tramitou na Justiça militar, durante o período de 1º de julho de 2018 a 31 de março de 2019, ela desviou R$ 82 mil de recursos pertencentes à União.

As apurações apontaram que ela cometeu o crime no período em que esteve à frente da Secretaria de Alojamento. O dinheiro era proveniente de pagamentos de diárias de hospedagem efetuados em espécie. Tamyla se valeu da função de encarregada da secretaria do hotel e alojamento de trânsito do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo I (Cindacta I) para cometer os desvios.

A reportagem não conseguiu contato com a ex-militar. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

NA MIRA(METRÓPOLES) – Edição: Montedo.com

Respostas de 7

  1. Conheci no antigo PAMA-AF, unidade de manutenção de aeronoves localizada nos Afonsos (já desativada) vários bandidos de farda, sendo piores os oficiais. existiam 2, na época capitães, trabalhavam na base de comissão com os fornecedores, eram vorazes, e fizeram uma exemplar carreira. Um chegou a coronel e o outro, vi a pouco tempo, foi a brigadeiro. Lamentável.

    Não é só temporário e praça que fazem ilícitudes, pelo contrário, a camuflagem é mais fácil para os de cima.

    1. ao Velho observador disse: 11 de maio de 2024 às 08:05

      Aqui no RS um tenente de carreira em 2007 junto com civis desviava dinheiro com as tais “quimicas” mas no caso a OM o 3RCG não recebia nada e a grana era repartida. Esse Tenente falsificava até a assinatura do OD e hoje em dia já é major do Exército e recebeu uma bela bolada de retroativos. essa história foi contada aqui pelo montedo. STM condenou e STF descondenou.
      Outro caso foi um Tenente de carreira em Recife que “se matou” no alojamento porque descobriu que o OD desviava grana. o mais incrível é que a família disse que nem em depressão ele estava.

  2. O Temporário é o que sobrou, o que o mercado nao absorveu. Vem sem formacao, e a Formação nivela nosso pensamento e Princípios. Nao fosse isso nao seria preciso uma longa formação.
    Tem umas maçãs podres sempre, mas são minorias (oficiais e sargentos).
    Esse refugo do mercado usa as ffaa como um emprego temporário. Sem compromisso e com desvios que aprenderam. Um enorme erro.

  3. Os praças sempre tem chefes oficiais e o Sistema também é fiscalizado frequentemente, alguém deixou de fazer o seu serviço que facilitou o desvio do dinheiro.

  4. Provavelmente é viciada em jogos de azar e como todo viciado comete delitos para sustentar o vício. Nesse exemplo podemos confirmar que nesse mundão existe sempre criminosos mais experientes que os outros, inclusive estelionatário de estelionatário, engraçado me faz lembrar daquela frase, que o final não é exemplo: ” Ladrão que rouba ladrão …”

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